Da presunção e da ignorância (2)

Quando referi não conhecer o Paulo Guinote, quis dizer isso mesmo. Não o conheço; e por isso não posso assumir coisas a respeito da sua vida pessoal. Ao contrário dele, que não me conhecendo também, não se coibiu de sugerir ligações partidárias e familiares, procuras de favores, benefícios dinásticos e até, pasme-se, as minhas eventuais opiniões sobre os professores. Por isso, a sua insistência na técnica de vitimização ao sugerir que eu penso que ele é «um bárbaro professor desconhecido» reflete mais a sua própria maneira de pensar e estratégia de achincalhar adversários, do que a minha. E é uma estratégia simples e relativamente eficaz. Logo levou a que a sua claque enchesse a caixa de comentários com sugestões de SUVs que eu teria recebido de presente do meu papá, a festas da Caras que poderia frequentar, entre outros mimos.

O Carlos Guimarães Pinto já acrescentou a informação que faltava para ficar demonstrada a tese de que a tendência de longo prazo de diminuição de população em idade escolar está a ter como resultado uma igual tendência de diminuição dos alunos inscritos no ensino básico e secundário. (Na verdade, até podemos ir mais longe e ver que esse pico e subsequente diminuição de alunos está a começar a afectar o ensino superior também, mas isso é lateral à presente discussão.) O Carlos chega mesmo ao ponto de demonstrar que a diminuição ocorrida no número de alunos não está a ser repercutida no número de docentes em exercício, pelo contrário, o que sugere fortemente que o desemprego entre estes tenderá a aumentar significativamente nos próximos anos. Esta constatação, ao contrário do que parece pensar o Paulo Guinote, não é um ataque à classe dos professores, mas antes uma observação de uma realidade que dificilmente pode ser alterada.

Perante isto, o Paulo Guinote prefere continuar a vitimizar-se, sugerindo que não continua o debate por ter receio que o processemos. É, primeiro que tudo, risível; mas, mais ainda, é de uma falta de verticalidade tremenda, pois usa uma técnica hit and run, achincalhando pessoas que não conhece e depois saindo de cena quando estas dão a resposta e demonstram que estão certas.

14 pensamentos sobre “Da presunção e da ignorância (2)

  1. António Xavier

    No comércio internacional os portugueses são conhecidos pelos “Toca e foge”, pois na sua maioria as empresas não levam os negócios a sério, vendo somente cada negócio pontual como um só. Infelizmente este aspecto cultural dos portugueses também se reflecte nas atitudes de classe e pessoais. A classe dos professores está de facto ameaçada pelo diminuição drástica de alunos e por este facto todos estes profissionais devem encarar a realidade, enfrentá-la e discuti-la. A posição de Paulo Guinote é claramente do “toca e foge” o que nada contribui para encontrarem soluções para a sua classe.

  2. Ora bem… a parte da “vitimização” é patética porque era claramente a gozar com a situação. O mesmo para o “processo”.
    “Achincalhar”, achincalhou o outro que disse que quem não concorda convosco só tem uma (ou nem isso) sinapse funcional.
    É esse o vosso modelo de debate sério?
    Tudo começou aí.
    Apenas não insisti porque passei anos a discutir o mesmo com os vossos teóricos oponentes do Câmara Corporativa e Jugulares e afins.
    No fundo, a Maria de Lurdes Rodrigues e o Valter Lemos eram heróis vossos e a matriz de um pensamento e uma acção.
    Martelam dados, esticam ou encolhem séries de dados e são capazes de ir 1 961 para demonstrar qualquer coisa que não está em causa.
    O que está em causa é o seguinte – assumindo como boas as vossas premissas (que o não são):
    1) A demografia está em quebra.
    2) Há alunos a menos.
    3) Há professores a mais, havendo excedente de oferta.

    Perante isso as soluções naturais seriam:
    1) Fixar a população em promover políticas de natalidade.
    2) A consolidação da escolaridade obrigatória de 12 anos elimina em boa parte esse factor.
    3) Fechar os cursos de formação de professores, para evitar o excedente de oferta.

    Em vez disso propôe-se:
    1) Fomentar a emigração de gente em idade de formar famílias.
    2) Duvidar da utilidade da escolaridade de 12 anos (pelas razões erradas).
    3) Manter em funcionamento os cursos que servem para manter empregados nichos de professores das ESE e algumas Faculdades sem outros clientes.

    Quanto aos números, já expliquei que existem estatísticas distintas para o ensino de “jovens” e “adultos”, fornecendo os links. Se insistem em misturar as NO na vossa (coiectiva, pois já são três insurgentes a postar sobre isso) argumentação, então é porque ou optaram pela falta de honestidade intelectual ou não gostam de dar a mão à palmatória.

    Quanto ao resto, em especial à parte do medo do processo, só posso rir-me.
    Quase tanto quanto queixarem-se de, ao mesmo tempo, serem atacados e eu vitimizar-me. Decidam-se. A baralhação dos argumentos poderia funcionar nos duelos retóricos com os socráticos mas não comigo.

    Se gozei com os meninos de dois apelidos?
    Sim, porque um Carlos M. Fernandes (quem é? também não sei!) disse que os professores eram meninos e meninas que não queriam sair do regaço das mamãs.

    Se posso continuar indefinidamente a chamar-vos desconhecedores do sector da Educação, opinadores preconceituosos baseados em quadros colhidos à mão à pressa, outra face do spin socrático?

    Posso, se isso significar que não bato e fujo.

    Só que tenho mais do que fazer do que bater a coitadinhos.

    Peçam ajuda ao Ramiro!
    😆

  3. Miguel Noronha

    “Quanto ao resto, em especial à parte do medo do processo, só posso rir-me”
    É de salientar que a única pessoa que em todos estes posts referiu eventuais processos judiciais que os autores lhe iriam colocar foi o próprio Paulo Guinote.

  4. Pingback: Afinal Os Insurgentes Também Choram « A Educação do meu Umbigo

  5. lucklucky

    “1) Fixar a população em promover políticas de natalidade.
    2) A consolidação da escolaridade obrigatória de 12 anos elimina em boa parte esse factor.
    3) Fechar os cursos de formação de professores, para evitar o excedente de oferta.”

    Um verdadeiro fascista tendência corporativa.

    1) ainda não percebeu que o soci@lismo e a procura da perfeição tornou ter filhos demasiado caro?
    2) Porque não 13º 14º ano? Já agora porque não defende que todos os professores cortem um braço. Seriam talvez precisos dois por aula.
    3) O mercado e os preços baixos é para os outros. A mediocridade e os preços altos é para nós. Sob protecção do Estado claro.

  6. #5,
    Quem aprovou os 12 anos de escolaridade foi quem?

    Eu fui contra de forma explícita.
    O PSD e o CDS a favor.

    Tente concentrar-se nos factos.
    Adjective menos.

    Não se esqueça de apodar assim o PR que defendeu exactamente as medidas que eu alinhavei (ida para os campos, promoção da natalidade, etc)

    Agora respire fundo e opte por chamar o rantanplan que é mais sagaz.

  7. #3,
    Importa-se de transcrever a frase (sem a amputar) em que escrevi isso?
    A sério, é assim tão insensível à ironia, ao sarcasmo, quiçá mesmo à pilhéria?

    Quero lá saber se me processam ou não.
    Sei que não é leitor do meu blogue, se fosse perceberia do que estava a falar. Sei que não me conhece. Não temos pena. Ambos.

  8. lucklucky

    “Quem aprovou os 12 anos de escolaridade foi quem?
    Eu fui contra de forma explícita.
    O PSD e o CDS a favor.”

    -E? Você aqui defendeu o 12ºano como maneira de justificar os empregos numa perspectiva puramente corporativa.
    Passos apenas disse o óbvio, mas apenas num contexto de confissão de impotência para quem não tem capacidade de lutar contra o corporativismo.

    Não se esqueça de apodar assim o PR que defendeu exactamente as medidas que eu alinhavei (ida para os campos, promoção da natalidade, etc).

    -Ainda há não pouco tempo o apodei de Comunista.Ou seja ainda pior…
    Não seja um pachorrento rantanplan 😀 ao assumir que eu apoio o PSD ou CDS – dois partidos da direita socialista – . Pouco do que eles fizeram ou fazem eu concordo.
    Nos últimos 20 anos sempre que estiveram no Governo transferiram riqueza e poder das Pessoas para o Estado aumentando impostos e regulação.

  9. Ramone

    Lucklucky, os comentários por vezes perdem-se simplesmente. Já me aconteceu uma série de vezes aqui. Sugiro que se escrever um longo comentário que o copie antes de enviar para poder recuperá-lo sem ter a trabalheira de o escrever de novo.

  10. Carlos II

    O Paulo Guinote é professor e só pensa em defender o tacho.
    Muito gostava de o ouvir criticar os colegas, que trabalham no 1º e no 2º ciclo, que “compraram” mestrados e doutoramentos, apenas para verem aumentados os seus salários, sendo certo que aqueles níveis escolares não carecem de prof com aquelas habilitações e, além disso, sabe-se que alguns deles até são maus profissionais, uma vez que uma coisa e saber, outra é ensinar, e ensinar bem, outra ainda. Mas disso não cuida o Guinote, isso não lhe traz qualquer proveito, antes pelo contrário…

  11. Pingback: Uma atitude louvável « O Insurgente

  12. Joaquim Amado Lopes

    Paulo Guinote (2),
    Afinal a demografia está mesmo em quebra, há mesmo alunos a menos e há mesmo professores a mais, havendo excedente de oferta.
    Já estamos a chegar a algum lado.

    “Perante isso as soluções naturais seriam:
    1) Fixar a população em promover políticas de natalidade.
    2) A consolidação da escolaridade obrigatória de 12 anos elimina em boa parte esse factor.
    3) Fechar os cursos de formação de professores, para evitar o excedente de oferta.”

    A primeira “solução natural” é de impacto a muito longo prazo e, num mundo cada vez mais globalizado, não há quaisquer garantias de que possa ser mantida.
    A segunda “solução natural” é o próprio Paulo Guinote que está contra “de forma explícita”. Além de que é uma imposição desajustada, considerando que muitos jovens não querem continuar a estudar e forçá-los a ficarem na escola por mais um ano tráz mais problemas do que benefícios.
    E a terceira “solução natural” implica fechar uma carreira profissional a quem tenha aptidão e gosto por essa carreira, impondo a contratação de quem por ela optou por outras razões, mesmo que sejam maus profissionais.

    É interessante que as duas únicas soluções realmente “naturais” perante uma situação de excedente de oferta não lhe tenham ocorrido:
    1) Permitir às escolas contratarem os seus professores, o que fixaria os bons professores e afastaria os maus;
    2) Reduzir os ordenados dos professores, o que levaria os professores que mais diificuldade tivessem em arranjar colocação a procurar outras áreas profissionais e reduziria a oferta numa área em que há excedentes e aumentaria a oferta em áreas em que haverá escassez.

    “Em vez disso propôe-se:
    1) Fomentar a emigração de gente em idade de formar famílias.
    2) Duvidar da utilidade da escolaridade de 12 anos (pelas razões erradas).
    3) Manter em funcionamento os cursos que servem para manter empregados nichos de professores das ESE e algumas Faculdades sem outros clientes.”

    1) Normalmente, a emigração só é opção precisamente para quem está em idade de formar família. Ou pretende que sejam os adolescentes e/ou os idosos a emigrarem?
    2) O Paulo Guinote é contra a obrigatoridade (não é o mesmo que utilidade) do 12º ano de escolaridade mas passa a ser a favor se não concordar com os motivos de quem pode passar à prática o que o Paulo defende?
    3) A História ensinou-nos muitas coisas. Duas delas são que (1) a concorrência é positiva e (2) deixar de formar novos profissionais numa área profissional que não se tornou obsoleta é muito mau no médio-longo prazo.

    O que o Primeiro-Ministro disse foi:
    “Estamos com uma demografia decrescente, como todos sabem, e portanto nos próximos anos haverá muita gente em Portugal que, das duas uma: ou consegue nessa área fazer formação e estar disponível para outras áreas ou, querendo manter-se sobretudo como professores, podem olhar para todo o mercado da língua portuguesa e encontrar aí uma alternativa.”

    Exactamente, o que é que está errado nestas palavras? E, por favor, restrinja as suas considerações ao que o Primeiro-Ministro realmente disse e não ao que o Paulo Guinote acha que ele queria realmente dizer.

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