Como o PCP queria que nós vivêssemos – Exemplo da Coreia do Norte

Não é teoria. Não é uma invenção. É um caso pessoal e comovente.

26 pensamentos sobre “Como o PCP queria que nós vivêssemos – Exemplo da Coreia do Norte

  1. Pinochet era liberal?… A sério; era? Pode um ditador ser liberal? Estou mesmo interessado em saber como é que um ditador (poder absoluto do estado) pode ser liberal (estado com pouco poder).

  2. tainha

    “Como o PCP queria que nós vivêssemos”

    Para que servem titulos destes? A sério, qual é o propósito? É assim tão dificil ser um bocadinho sério? Ter um bocadinho de elevação, tentar fugir de boçalidades óbvias?

  3. Ramone

    Gonçalinho, o que é um Estado com pouco poder? Será um Estado sem polícia? Em que medida é que um Estado fraco se protege de forças antagónicas à direcção que lhe dá o governo? Um Estado fraco é conversa da treta da direita. A direita sempre gostou de Estados fortes, nomeadamente fortes contra as reivindicações e lutas do factor trabalho. O Estado fraco da direita é fraco em relação à protecção das liberdades dos trabalhadores mas forte na protecção das liberdades do capital.

    Nós vemos isso, por exemplo, no orgão oficial do governo, o jornal “Correio da Manhã”, quando foram para a rua questionar as pessoas sobre a questão do “Bom” na avaliação do líder sindical da Fenprof mas já não foram questionar as pessoas sobre o tema mais actual – a sugestão de Passos para a emigração. Esta é a direita de sempre. Tentar por todos os meios ao seu alcance oprimir a actividade sindical – do que resulta objectivamente um reforço de poder do partido do governo sobre o Estado.

  4. Pinto

    Ramone, o Estado Novo era anti-capitalista (basta ler as declarações de Salazar sobre o culpado para a crise de 1929 ou ler um pouco dos debates parlamentares da década de trinta pesquisando a palavra “capitalismo” no site da AR), anti-americano, corporativista, intervencionista na economia, não abdicava do monopólio e do exclusivismo do Estado em sectores como a comunicação social, a electricidade, a água, a banca, o ensino, etc. e tinha uma postura anti-semita. Pergunto: qual a bancada parlamentar com estas características?
    O Estado Novo era de esquerda? Ou o PCP e o Bloco de direita?
    O seu problema Ramone – o seu e o de muitos – é ter sido catequizado(a) sob essa ideia cândida da “esquerda boa, direita má” e nunca ter conseguido, sozinho(a), ultrapassar esse cliché.

  5. Pinto

    Para que servem titulos destes? A sério, qual é o propósito? É assim tão dificil ser um bocadinho sério? Ter um bocadinho de elevação, tentar fugir de boçalidades óbvias?

    Infelizmente o título traduz a realidade do nosso PCP. A verdade é mesmo essa: o PCP defende abertamente uma ideologia totalitária.
    Lá que não queira ver, isso é outra história.

  6. por

    “basta ler as declarações de Salazar sobre o culpado para a crise de 1929 ou ler um pouco dos debates parlamentares da década de trinta pesquisando a palavra “capitalismo” no site da AR”

    Pinto pode-me forncer algum link com isto, não que duvide, mas gostava de ler.

  7. joao carlos

    “Para que servem estes titulos” pergunta-se atrás . Resposta : talvez para ver se os amigos e defensores das ditaduras ganham vergonha na cara. Sim, porque o PCP não perde uma oportunidade para se sabujar a defender os tiranos comunistas. Felizmente que hoje em dia tudo se sabe. E defender uma tirania horrivel como o regime Norte Coreano é sinal de falta de vergonha na cara. Estes tipos só ganham vergonha na cara se ouvirem titulos como estes todos os dias.Na próxima vez que vierem falar na liberdade e no 25 abril deviam levar com este titulo na cara.

  8. tainha

    Há tanta gente com a boca cheia do PCP e da liberdade e preocupada com a Coreia do Norte. É difícil não ficar comovido. Estes “tipos” como o senhor atrás diz, pagaram com a pele para ele poder dizer estes disparates, e só por isso a hipocrisia que por aqui grassa é tolerável. Um bocadinho de vergonha na cara é o que falta a muita gente aqui.

  9. Ramone

    Caro Pinto, você apenas tira um instantâneo e isola-o do precesso de desenvolvimento. Você sugere que o capitalismo, esse tal que você diz sem intervenção do Estado, nasceu do nada, apareceu um dia, bateu à porta e entrou.

    Nada disso. O capitalismo tem uma longa história de intervenção do Estado na economia.
    No capitalismo o Estado intervem sobretudo para criar condições de desenvolvimento ao capital na suposição de que o que é bom para o capital é bom para o povo. Quando a polícia carrega sobre grevistas o Estado está a intervir na economia, está a tomar parte na relação de forças, está a proteger a propriedade privada do capital.

    Quando Passos Coelho baixa salários, aumenta horas de trabalho, intervem directamente na economia. O que acontece com o pessoal de direita é que para vocês o capitalista é o homem superior, é o individuado a quem devemos prestar atenção e ver o que precisa. Já os trabalhadores são tidos como uma humanidade um pouco inferior, que se pode tratar a eito -que serve para servir e consumir – que os trabalhadores, enfim, não têm nada que se meter na política, senão para cumprir a formalidade de votar, daí o ódio aos sindicatos.

  10. Ramone

    Já agora, julgo que devem saber que para Marx o capitalismo teve um momento em que foi libertador. No Manifesto Comunista Marx faz uma descrição acutilante do processo libertador do capitalismo em relação a formas anteriores que eram ainda mais opressivas.
    O que tem acontecido é que o capitalismo, que começou por ser um momento dos regimes políticos mais liberais, inverteu a sua relação com estes regimes, e são agora os regimes liberais que são um momento do capitalismo – e isto não aconteceu sem intervenção dos partidos liberais sobre o Estado e a economia.

    Mas aconteceu um outro movimento dentro do próprio capital. O capital financeiro começou por ser um momento do capital industrial, no entanto o desenvolvimento do capitalismo está a levar a uma inversão desta relação, onde, portanto, o capital industrial passa a ser um momento do capital financeiro que, dessa forma, passa a alfa e ómega do capitalismo.

    Uma vez que o capitalismo já tinha subsumido a democracia liberal acontece agora que o financeiro subsumindo o capital industrial, se tornou o senhor dos povos, das economias e dos regimes políticos liberais. Quando depois de uma reunião ao mais alto nível dos governantes da UE se diz ter de se esperar pela reação dos mercados financeiros para avaliar o trabalho que foi feito, julgo que se percebe o que estou a dizer.

  11. O regime de Pinochet, com as suas políticas de Chicago, não foi a vanguarda do liberalismo e balão de ensaio para políticas de choque de desmantelamento de um Estado forte?
    Lá que não tenha sido possível ir muito longe e redundar num verdadeiro caso de sucesso é outra história. (Cuba também era, até aos anos 90, bastante mais “avançada” em educação e saúde que qualquer outro país “capitalista” da sua região).

    É, portanto, vergonhoso que vocês não vejam nas cadeias do Pinochet uma condição necessária para o liberalismo. Dá-vos jeito que exista uma Cuba pobre e uma Coreia do Norte pobre, para agitarem diariamente o fantasma do comunismo falhado. E o desespero com que o vão fazendo cada vez mais começa a ser um sinal dos tempos. Ainda bem.

  12. GriP

    Concluí-se portanto que o capitalismo só funciona com intervenção do estado…, deve ser um daqueles capitalismos “a la Krugman”

    Ramone, deixe-se de baboseiras.

  13. Ramone

    GriP,

    O que se conclui é que o capitalismo é insaciável. É isto o motor do seu desenvolvimento. Mas isto também indica que o capitalismo devora tudo, inclusive a independência do Estado em relação ao capital. É por isso que para você e para os da sua linha de pensamento as crises nunca são do capitalismo são sempre devidas a algum outro factor que é suposto então ser a oposição ao verdadeiro capitalismo e que portanto deve ser devorado. Como as crises, no entanto, continuam a acontecer independentemente do que vocês digam do capitalismo, o resultado é a da expansão infinta desta devoração.

  14. Anónimo

    A verdade é que não é preciso ir mais longe que este blog para se testemunhar ao apaziguamento de ditaduras. Ora façam uma busca por Pinochet lá em cima no motor de pesquisa. Alguns posts são lamentáveis e ao nível de certos esquerditas que desculpam a Coreia do Norte.

  15. Pinto

    Por,
    Pinto pode-me forncer algum link com isto, não que duvide, mas gostava de ler

    Para o “por”:
    I Congresso da União Nacional na Sociedade de Geografia. Salazar discursa sobre O Estado Novo Português na evolução política europeia: a economia liberal que nos deu o super-capitalismo, a concorrência desenfreada, a amoralidade económica, o trabalho mercadoria, o desemprego de milhões de homens, morreu já.
    Salazar, 1934.

  16. Pinto

    Ramone,
    Quando a polícia carrega sobre grevistas

    Quando? Onde? A única coisa que vi foi a ausência de autoridade sobre grevistas que impediram os seus colegas de trabalhar. A greve é um direito. Embora às vezes parece que seja um dever.

    Quando Passos Coelho baixa salários, aumenta horas de trabalho, intervem directamente na economia

    1) Quando Passos Coelho baixa os salários aos funcionários públicos está a gerir as contas da administração pública que não tem dinheiro suficiente para pagar aos seus funcionários. Essa é uma função do Governo.
    2) O Passos Coelho não aumentou horas de trabalho aos privados. Alterou apenas uma lei que regulamenta e condiciona os contratos entre privados. Dito de outra forma, a entidade que emprega não está limitada às 8 horas mas antes a 8,5 horas. Se a entidade empregadora contratualizar uma hora por dia pode fazê-lo. Se quiser contratuzalizar 9 horas já não pode.

  17. A. R

    O ramone é uma espécie de Pavlik Morozov. O Pavlik morreu novinho e ficou com o busto para servir de inspiração à classe dos jovens proletários. O ramone não cresceu: continua infantil e básico como todos os comunas. Criam uma realidade à medida dos delírios estalinistas e depois age em função dela.

  18. Ramone

    “O Passos Coelho não aumentou horas de trabalho aos privados. Alterou apenas uma lei que regulamenta e condiciona os contratos entre privados. Dito de outra forma, a entidade que emprega não está limitada às 8 horas mas antes a 8,5 horas. Se a entidade empregadora contratualizar uma hora por dia pode fazê-lo. Se quiser contratuzalizar 9 horas já não pode.”

    Pinto,

    Desculpe mas isto é intervenção do Estado na economia – vai é no sentido de regular a mão-de-obra. Em geral as políticas de direita passam por aqui: regulação para o trabalho desregulação para o capital.

  19. Pinto

    Ramone,
    Desculpe mas isto é intervenção do Estado na economia

    Não intervir passaria simplesmente por não regular nada deixando que empregador e empregado celebrassem o contrato nos moldes que entendessem. E se entendessem por mútuo acordo que o empregado trabalharia 16 horas por dia, o Estado não interferiria nessa vontade mútua entre privados. Isso seria o liberalismo no seu esplendor. Ou “extrema-direita fascista” segundo alguns cerebelos mais “especializados”.
    Confundir liberalismo com extrema-direita e rotulá-lo de fascismo tem um nome: I G N O R Â N C I A. Com as letrinhas todas.

  20. Pinto

    Ramone,
    Em geral as políticas de direita passam por aqui: regulação para o trabalho desregulação para o capital

    Mas o que raio foi regulado que não estava até então?
    Pensar um pouco nas coisas antes de se comentar é pedir muito?

  21. Ramone

    Pinto, pergutaram aos trabalhadores se estariam disponíveis para oferecer mais tempo de trabalho à borla?
    Não. Decidiram unilateralmente oferecer trabalho gratuito do povo ao capital. Por muitas voltas que dê, o resultado objetivo é este. O capital pode aceitar ou não essa meia hora a mais, consoante o seu arbítrio, já ao trabalho foi-lhe imposto o arbítrio do capital.

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  24. Tiradentes

    Os piores aspectos das ditaduras de esquerda são sempre justificáveis com os piores aspectos das ditaduras de direita. O materialismo dialectico aplicado à argumentação serve para isso mesmo. Já o inverso não é possível para os seus utilizadores na medida em que os piores aspectos de uma ditadura de direita nunca podem ser comparados com os “erros” das ditaduras da esquerda.
    O título faz todo o sentido porque o PCP defende exactamente isso: Até o seu lider parlamentar chamou à Coreia do Norte uma democracia faz pouco tempo.
    Os Pintos/Ramones desta vida estariam sim bem posicionados nos comités de bairros fábricas a purgar “fássistas”, reaccionários, bandidos armados e outros sabotadores que seriam todos os outros que não compreenderiam as suas belas intenções e os meios necessários para chegar até elas, pelo que a mole humana corrupta/burguesa/direitista seria toda ela educada nos seus campos de reeducaçao ou eliminada no Campo Pequeno.

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