Egipto: um legado primaveril

Destruição de 200 mil livros e peças arqueológicas. Nada como incendiar os símbolos de uma cultura livre.

10 pensamentos sobre “Egipto: um legado primaveril

  1. JSP

    Aquilo é pancada dos tipos.
    Pessoas bem informadas garantem-me que , aqui há uns anitos, se passou o mesmo em Alexandria…

  2. Mas não foi o islão que garantiu a sobrevivência da filosofia grega, da cultura e mesmo da humanidade enquanto a Europa vegetava nas trevas e pululava de personagens da cepa de Conan, o Cimério?

  3. ruicarmo

    Pode sempre apelar às “trevas” vividas na Europa, para justificar os actos bárbaros de 2011 no Egipto. A avaliar por este e por outros acontecimentos muito mais recentes e dispersos um pouco por todo o mundo isso “já foi chão que deu uvas”.

  4. lucklucky

    Nem vou discutir o que foi a Idade Média basta isto:
    João, não foi o tetratetraavô do ladrão que assaltou a sua casa que foi herói na batalha de Aljubarrota? Absolvido.

  5. Anti-gatunagem

    João,

    O problema na Europa foi a invasão do império romano pelos bárbaros, povos que não sabiam ler nem escrever e que achavam que dominar militarmente o império romano lhes garantiria, só por si, o acesso ao nível de vida e de cultura que caracterizava esse império e o distinguia dos outros povos, seus contemporâneos.
    Eram assim uma espécie de socialistas e jotinhas da altura, “a malta toma conta do poder e depois é só curtir”. Não foi. Foi a idade média, centenas de anos de regressão e de trevas, com a escrita, a leitura e o pouco que sobrou do saber e da cultura, restringidos aos mosteiros e aos judeus.

    O islamismo surge entre povos com antigas tradições de comerciantes e viajantes, animistas, onde as diferenças religiosas eram frequentemente pretexto para guerras entre vizinhos (que como se vê hoje não acabaram e a quem hoje nunca faltam pretextos, mesmo religiosos, mesmo dentro da mesma religião, o islão). Tinha o intuito de os unir entre si e o gravíssimo enviesamento de pretender dar um inimigo externo e comum ao islão, que faz uma hierarquia subalterna dos outros povos e religiões, diz que é mais grave incomodar um muçulmano do que matar um infiel e autodenominando-se como religião de paz, tem o conceito de que apenas quando o islão conquistar todo o mundo a paz poderá existir; só poderá haver paz dentro do islão e sem nada fora do islão, a tal “religião de paz” – um conceito arrepiantemente totalitário.

    Os povos de viajantes e comerciantes tiveram sempre de ser mais tolerantes às diferenças (pelo menos se quisessem mesmo poder fazer negócios) e as viagens trouxeram-lhes acesso a outras fontes de saber e de cultura e a oportunidade de as recolherem e difundirem em outras paragens (é por isso que ainda hoje chamamos, mal, algarismos árabes, aos algarismos que ainda hoje usamos e que foram inventados na Índia, incluindo o 0 e que designamos, pelo nome árabe, várias obras da antiguidade clássica que, depois de perdidas na Europa, foram reintroduzidas cá pelas suas traduções árabes, que continham já aprofundamentos, desenvolvimentos, de origem árabe dessas mesmas obras).

    O que é triste é que, neste povos com uma tradição de abertura e de tolerância, o islamismo veio introduzir um conflito interno, religioso, com essa forma de estar, que se pode muito bem ver retratado num livro extraordinário, Samarcanda, de Amin Malouff, ou num filme belíssimo como O Destino, de Youssef Chahine (1997), por exemplo.

    O que é triste é que esse conflito interno tem vindo a ser ganho pelos fanáticos religiosos e foi isso que fez com que aquela cultura, que a dada altura, foi um farol da civilização, seja hoje uma coisa estéril e decadente, onde se incendeiam bibliotecas, porque (mesmo que, eventualmente, possa até nem ter sido o caso na Alexandria antiga) toda a verdade está no corão e por isso todos os outros livros são superflúos se disserem o mesmo que o corão (eu sei do “al…”, mas não me apetece!) e sacrílegos se o contradisserem e onde os poucos guardiães de saber e cultura são frequentemente perseguidos e assassinados, com o silêncio cúmplice duma europa caduca.

    Estes assaltos e destruição de importantíssimos marcos de cultura pré-islâmica local, têm acontecido em todos os países onde o islamismo tem assumido arrebanhado o poder político. Vamos lá ver se não vão querer fazer às pirâmides e afins o que fizeram aos budas ou ao museu em Baghdad.

  6. joao carlos

    deixem-nos andar entretidos a matar-se uns aos outros. Quando pararem é para se voltarem contra os cristãos e judeus…sempre foi e será assim.

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