China Vs América

O que gostaria de propor com este artigo era testar uma hipótese: a Liberdade Económica (WikiÍndice) é um dos mais importantes factores que determina a Produção Económica e, portanto, o Crescimento Económico.

Caso em Estudo: China Vs EUA

1. Vamos começar por apresentar o PIB Chinês:

Reparem no ponto onde começam as reformas económicas e onde a Economia dispara… (informações históricasgráfico mais recente;  Wikipedia).

Facto 1: A China disparou desde que adoptou uma Economia de Mercado. Ou mais explicitamente: ter crianças a trabalhar e não respeitar normas ambientais, sociais e de trabalho infantil – como regimes socialistas fazem habitualmente na prática – não ajudou a China a crescer. Mas quando liberalizaram a posse das quintas, o resultado foi este. Curioso…

2. Vejamos agora o crescimento Americano (com outras economias para comparação)

Um ritmo muito menor de crescimento que o Chinês (como aqui incluí menos anos, é útil ter a China neste gráfico para comparação realista), mas ainda assim um PIB muito superior com apenas uma fracção da população (300M em vez dos 1300M Chineses). Estranho?

Facto 2: A partir do momento em que a Administração Americana começou a nacionalizar a Economia, entrou-se numa estagnação duradoura que, ao contrário da Depressão de 1920-1921 se prolongou no tempo.

(informações oficiais BLSNúmeros deprimentes SSDiscussão SS-BLSComponentes da DívidaProd/Import de PetróleoOptimistasWikipedia)

3. EUA e China no mesmo gráfico (na “The Economist”, segundo o blog China Mike)

Facto 3: A China tem uma moeda em valorização e mesmo assim está a crescer ao ponto de se acreditar que vá ultrapassar os EUA como maior Economia mundial em menos de 10 anos.

4. De acordo com o Ranking da Heritage, Os EUA têm uma Liberdade Económica de 78 – 9º posto, com uma variação de -0,2% face ao ano anterior -, enquanto que a China tem uma liberdade económica de 52 – mas mais 1.0% que no ano anterior.

Facto 4: A China é muito menos Livre que os EUA, mas a Liberdade Económica Chinesa está a aumentar a bom ritmo enquanto que os EUA estão a regular e a nacionalizar sectores importantes da Economia a um ritmo forte que torna a economia Americana cada vez mais e mais parecida com a descrita em Atlas Shrugged.

 

Afirmações minhas, baseado nas evidências apresentadas anteriormente:

I – Ponto actual: Os EUA são mais produtivos – e logo mais ricos – porque são Economicamente mais Livres do que a China.

II – Variação: A sociedade que se está a “Socializar” – ou seja, a diminuir a Liberdade Económica – está a ter dificuldades económicas, enquanto a que sociedade que se está a Liberalizar está a crescer a bom ritmo.

III – Encontro: A China pode até atingir os EUA em termos de PIB, pois tem mais população. Mas como não me parece que atinja o mesmo nível de Liberdade Económica, creio que nunca atingirá o nível de PIB per capita dos Americanos. Ao crescimento actual seguirá um crescimento menor e a ritmos decrescentes, conforme descrito pela função de Verhulst.

Como diria Adam Smith:

“Little else is requisite to carry a state to the highest degree of opulence from the lowest barbarism but peace, easy taxes, and a tolerable administration of justice: all the rest being brought about by the natural course of things.”

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21 pensamentos sobre “China Vs América

  1. Paulo Pereira

    Será que o deficit comercial crónico de 4% ao ano terá a ver alguma coisa com um menor crescimento do PIB dos EUA ?

    Ou será que não ?

    Uma duvida macroeconómica para resolver !!!!

  2. neotonto

    “Ou será que não ?

    Uma duvida macroeconómica para resolver !!!!

    Ja pus a estes neos en apuros…

    Deixe lá de aproximarse que nao vai ter resposta de estos economistas-profetas e intente chegar a próxima década 2020-30 e entao a ir iremos ver o que se pasa e qual a resposta a suas duvidas macroeconomicas.

    Espere. Nao tenha prisa. O futuro sempre termina por chegar a sobretudo por ir apretando…A quem?

    Pelo momento tal como dizem actualmente que a uma parte da Sub-Europa nomeados os PIGS

  3. lucklucky

    Farm privatization é um eufemismo. Em 1978 foi quando a fome em Xiaogang fez as pessoas separarem-se em vez de se “unirem” e adoptaram a Propriedade Privada ou em segredo.

    Só mais tarde é que se deu a “privatização” que nunca foi bem privatização. Os agricultores ainda não podem vender terra embora podem alugar.

    http://www.correiointernacional.com/archives/587

  4. Ricardo Campelo de Magalhães

    Paulo Pereira,
    O défice é uma consequência, e não uma causa, do diferencial de produção entre as 2 economias envolvidas.
    Este artigo é sobre uma das causas dessa diferença, não sobre eventuais consequências.

    Tonto,
    Antes de mais, aprenda a escrever: “pus”, “en”, “aproximarse”, “pasa”, “prisa” e outros dislates mostram pouco cuidado com o que escreve.
    Depois, não seja vago e concretize as suas acusações: não culpe o sistema, aponte casos concretos. Esse estilo “futeboleiro” certamente não lhe dá credibilidade nenhuma.
    E já agora, eu tenho vida e não posso estar sempre colado ao blog, pelo que há sempre um diferencial entre o tempo de colocação do artigo e o tempo para responder a eventuais dúvidas (como a do Paulo Pereira, que é um exemplo de como é colocada uma dúvida). Lamento, mas não vou abdicar da minha vida profissional por si.
    E já agora, sou um Economista, pelo que percebo de macro-economia a um nível que não sei se será o seu caso.
    E por fim, se quer respostas respeitosas, escreva como se quisesse ser respeitado e ficará espantado como as pessoas o passam a tratar melhor.

  5. Ricardo Campelo de Magalhães

    Sortudo,
    Exactamente. E surpreendente como em muitas áreas (por exemplo, na prestação de cuidados de saúde) já é mais fácil abrir uma empresa privada na “comunista” China do que nos “capitalistas” EUA.

  6. Paulo Pereira

    Ricardo Campelo de Magalhães ,

    O deficit comercial é para um país com a capacidade industrial dos EUA uma escolha politica, porque os EUA poderiam ter imposto tarifas alfandegárias ou quotas de importação, até que o deficit comercial fosse zero.
    Ou então poderiam isentar de IRC e de TSU as empresas de bens transacionáveis, ou outras medidas de politica industrial, como financiamentos á exportação, etc.

    Mas como os EUA pagam as importações com “papelinhos verdes sem valor intrinseco” a maioria da população está-se marimbando para o PIB ser menor.

    Só os desempregados poderão estar revoltados contra essa decisão politica.

  7. Ramone

    “II – Variação: A sociedade que se está a “Socializar” – ou seja, a diminuir a Liberdade Económica – está a ter dificuldades económicas, enquanto a que sociedade que se está a Liberalizar está a crescer a bom ritmo.”

    O que você chama socialização é, a meu ver, acima de tudo o refluxo do aumento de concorrência aos EUA pelo resto do mundo. Ou seja, a partir do momento em que a Europa é menos dependente dos EUA, a partir do momento em que a China emerge no cenário da economia de mercado os EUA perderam muito da sua posição de domínio que, de facto, viabilizava sem grandes problemas a liberalização da economia, uma vez que havia um vasto mercado dependente dos EUA que alimentava as suas indústrias de tal modo que as necessidades das populações podiam ser providas directamente por uma baixa taxa de desemprego.

    Agora, com a concorrência crescente, a liberalização da economia já não garante nada. Os governos americanos, julgo, acima de tudo não sabem bem o que fazer visto que estão numa situação relativamente nova.

    Liberalizar a economia hoje já não garante a diminuição do desemprego de modo que dessa liberalização pode ocorrer a junção à elevada taxa de desemprego com uma diminuição das receitas fiscais. Até porque se o EUA baratearem a mão-de-obra o mesmo pode depois acontecer na Europa, e se os EUA baratearem a mão-de-obra para níveis chineses, aí poderão conquistar mercado mas esse barateamento iria depois reflectir-se sobre as empresas que dependem do mercado interno de modo que a absorção de mão-de-obra pelas indústrias exportadoras seria contrabalançada por falências e despedimentos nas empresas voltadas para o consumo interno.

  8. Ricardo Campelo de Magalhães

    Paulo Pereira (comentário 7),
    “O deficit comercial é para um país com a capacidade industrial dos EUA uma escolha politica, porque os EUA poderiam ter imposto tarifas alfandegárias ou quotas de importação, até que o deficit comercial fosse zero.
    Ou então poderiam isentar de IRC e de TSU as empresas de bens transacionáveis, ou outras medidas de politica industrial, como financiamentos á exportação, etc.”
    Claro. É tão fácil que não sei porque eles não o fazem.
    Paulo, esse raciocínio é tão enganador como aquela que diz que “todos os problemas se resolvem pela impressão de dinheiro”.
    Se os EUA aumentassem as tarifas, a guerra comercial que se seguiria iria levar a resposta e contra-resposta até uma redução significativa do comércio como em 1929 o que, como poderei esmiuçar se pretender, é muito mais danoso do que uma balança comercial deficitária.
    Os EUA têm que criar condições para aumentar a produção via aumento da criação de valor, não por lançamento de impostos…

    “Mas como os EUA pagam as importações com “papelinhos verdes sem valor intrinseco” a maioria da população está-se marimbando para o PIB ser menor.”
    Verdade. Por sua conta e risco.

    “Só os desempregados poderão estar revoltados contra essa decisão politica.”
    Verdade que os desempregados são os mais afectados, mas na verdade todo o mercado de trabalho sofre com a fuga de capitais e empregos dos EUA. Afinal, se os de baixo deixarem de fazer pressão para a subida dos salários, os altos quadros também vão beneficiar. E se estes beneficiarem, beneficiam os acima destes. Estamos todos no mesmo barco, tenhamos ou não noção disso. Outro exemplo: se o sistema de auto-estradas colapsar, por mais rico que se seja vai-se ser prejudicado. Fui claro neste ponto…?

  9. Paulo Pereira

    O meu raciocinio não é enganador. Nenhum país lucra em ter superavits ou deficits comerciais crónicos.
    O sistema de livre comercio internacional sem controle não é capaz de resolver estratégias mercantilistas exageradas como as da China, Alemanha e Japão, por exemplo.

    Os deficits crónicos reduzem a capacidade industrial e levam ao empobrecimento gradual.
    Os superavits crónicos significam que os salários desses países estão subvalorizados cronicamente

    É uma ilusão que vem da moeda-ouro, a ideia de superavits elevados serem necessários para o crescimento económico sustentado.

  10. Ricardo Campelo de Magalhães

    Paulo Pereira (c11),
    “Nenhum país lucra em ter superavits ou deficits comerciais crónicos.”
    Bem, isso claramente depende do activo com que o superavitário for pago.
    Se for em títulos de dívida, realmente não vale de muito.
    Agora, se eles venderem esses títulos e comprarem matérias-primas ou grandes empresas da economia deficitária, aí o caso pode mudar de figura.
    Atenção a essas afirmações definitivas.

    “O sistema de livre comercio internacional sem controle não é capaz de resolver estratégias mercantilistas exageradas como as da China, Alemanha e Japão, por exemplo.”
    Claro que é capaz de resolver os desequilíbrios, SE (ok, é um grande se!) as moedas forem autorizadas a ajustarem-se, valorizando a do superavitário até haver equilíbrio da balança. Eu sei, no mundo real os Bancos Centrais não deixam isso acontecer. Mas a culpa é dessas instituições intervencionistas que há por todo o mundo, não do sistema matemático capitalista que está por trás.

    “Os deficits crónicos reduzem a capacidade industrial e levam ao empobrecimento gradual.”
    Sim.

    “Os superavits crónicos significam que os salários desses países estão subvalorizados cronicamente.”
    Sim.

    “É uma ilusão que vem da moeda-ouro, a ideia de superavits elevados serem necessários para o crescimento económico sustentado.”
    Dos Mercantilistas, quer o Paulo dizer. Nesse caso, Sim.

  11. Paulo Pereira

    ““Nenhum país lucra em ter superavits ou deficits comerciais crónicos.”
    Bem, isso claramente depende do activo com que o superavitário for pago.
    Se for em títulos de dívida, realmente não vale de muito.
    Agora, se eles venderem esses títulos e comprarem matérias-primas ou grandes empresas da economia deficitária, aí o caso pode mudar de figura.
    Atenção a essas afirmações definitivas.”

    Concordo.

    Aqui está uma boa razão para os EUA ou Portugal instituir politicas anti-mercantilistas exageradas.

  12. Ricardo Campelo de Magalhães

    Eu gosto de nações credoras.
    Produzem e enriquecem.
    Desde que não precisem de todo o tempo que a China demorou a acordar para a vida e a exigir matérias-primas e propriedade do capital das empresas em vez de Dólares e títulos do tesouro, que no fundo são papel sem grande hipótese de serem trocados por algo com valor real…

  13. Paulo Pereira

    A situação que melhor enriquece toda a humanidade é a de balanças correntes equilibradas em todos os países.

    É esse o caminho que deve ser trilhado e não “corridas de ratinhos” .

    Cada país deve ter leis e regulamentos que promovam esse equilibrio, além de taxas de câmbio variáveis.

    Nada justifica hoje em dia politicas exageradas mercantilistas como as da China, Alemanha e Japão.

  14. Ricardo Campelo de Magalhães

    “A situação que melhor enriquece toda a humanidade é a de balanças correntes equilibradas em todos os países.”
    O mercado cambial livre encarregar-se-ia disso.

    “Cada país deve ter leis e regulamentos que promovam esse equilibrio, além de taxas de câmbio variáveis.”
    Que leis? Que regulamentos?
    Protecção dos Direitos de Propriedade, presumo.

    “Nada justifica hoje em dia politicas exageradas mercantilistas como as da China, Alemanha e Japão.”
    China e Alemanha são ambas um bom exemplo de políticas mercantilistas? Como, se têm políticas opostas?

  15. lucklucky

    “A situação que melhor enriquece toda a humanidade é a de balanças correntes equilibradas em todos os países.”

    Verdade!? Então ter 25% de pontes que se desmoronem ao fim de 5 anos porque os países xyz não sabem fazer pontes enriquece toda a humanidade?
    E que tal medicamentos que não curem? Trabants suponho que ainda devam ser produzidos?

  16. Paulo Pereira

    RCD,

    A China e a Alemanha têm a mesma politica de manter os salários baixos (e no caso da Alemanha impostos altos) e largos excedentes comerciais, prejudicando os seus cidadãos, e prejudicando muitos países que não conseguem produzir internamente.

    A industria necessita de economias de escala, de experiência, de logistica , de clusters de fornecedores.

    Um país sem industria (e sem agricultura) está condenado ao empobrecimento gradual e está numa posição estratégica muito debilitada.

    Mas se você admira a China, então deve propor para Portugal politicas económicas identicas.

  17. Ricardo Campelo de Magalhães

    Boa resposta Sortudo =)

    Paulo Pereira (c19),
    Sou RCM… era para mim, não era?

    A Alemanha pratica salários baixos?!? Ora justifique-me lá essa!!!
    Não pode dizer “e no caso da Alemanha…” se está a responder à questão em que são comuns.
    Volto a perguntar: Em que são comuns?!? E não fuja à questão como já fez acima. Responda mesmo: em que são comuns as estratégias chinesa e alemã?

    “A industria necessita de economias de escala, de experiência, de logistica , de clusters de fornecedores.”
    Depende de sector para sector e nenhuma afirmação categórica pode ser assim feita.
    Qual a ligação entre esse assunto e os restantes?

    “Um país sem industria (e sem agricultura) está condenado ao empobrecimento gradual e está numa posição estratégica muito debilitada.”
    Uma frase óbvia mas sem contexto ou relação com o resto da conversa. Porque disse isso?

    “Mas se você admira a China, então deve propor para Portugal politicas económicas identicas.”
    Eu não admiro ninguém. Muito menos EUA ou China. Mas eu alguma vez aconselhei alguma destas estratégias para Portugal? Não salte para conclusões nem me atribua afirmações que eu, propositadamente, não fiz.

    Fica a questão: em que é que a China e a Alemanha se assemelham na sua estratégia económica?

  18. Paulo Pereira

    RCM,

    A Alemanha e a China têm excedentes comerciais crónicos, resultantes de politicas industriais/mercantilistas, que no caso da Alemanha vêm de 1860, pelo menos.
    Se os salários fossem mais altos nesses países, ou os impostos mais baixos , as importações aumentariam e algumas exportações diminuiram.
    Os cidadãos desses paises poderiam assim ter um nivel de vida melhor.
    Como sabe , os salários reais na Alemanha pouco cresceram nos ultimos 15 anos.
    No caso chinês a manipulação da moeda é a forma de manter os salários baixos.

    Se defendemos a Alemanha e a China como paises de sucesso, então deveriamos seguir as suas politicas económicas mercantilistas, o que eu defendo que seja feito até o deficit corrente ficar equilibrado ou ligeiramente positivo.

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