erro histórico

“O Governo português decidiu aderir ao Mecanismo das Taxas de Câmbio (MTC) do Sistema Monetário Europeu (SME). É uma decisão histórica, afirmam os responsáveis governamentais. Na minha opinião, é um erro histórico também (…) Primeiro, o escudo tenderá a permanecer artificialmente sobrevalorizado, afectando negativamente a competitividade externa da economia portuguesa (…) Segundo, o custo real do crédito tenderá a aumentar (…) A conjugação destas duas consequências da adesão produz a terceira: aumento das falências das empresas. E esta produz a quarta – desemprego. A mais longo prazo, as anteriores produzem a quinta – emigração.”, Pedro Arroja, no jornal Vida Económica (em “A adesão”, nº 300, 10 de Abril de 1992). Destaques meus.

No dia em que o Jornal de Negócios dedicou a sua capa ao tema “E se o Euro acabar?”, pareceu-me justo recordar as sábias palavras de um dos dois economistas portugueses, euro cépticos, que à data das adesões ao Sistema Monetário Europeu (primeiro) e ao Euro (depois), mais escreveram contra essas mesmas decisões…tinham razão, mas ninguém lhes deu atenção.

E, pronto, agora sim, nostálgico e (enquanto filho) orgulhoso, este é que foi mesmo o último post de 2011!

9 pensamentos sobre “erro histórico

  1. lucklucky

    Errado. Não têm razão. Tudo o que aconteceu iria acontecer com o Escudo.

    Mas quem pensa que tudo é finança pensará sempre em última analise que é na contrafacção de moeda que está a solução.

    A única diferença que vejo é o país sem o Euro não teria a protecção das agências de rating para criar tanta dívida.

  2. Zebedeu Flautista

    Como é que com o Escudo acontecia igual? Havia menos BMWs, menos férias para o cú de judas, menos LCDs, menos sucata importada do Oriente e claro menos dívida publica. Não era necessário imprimir moeda para 200 escudos valerem menos que um euro. Claro que provavelmente se iria recorrer a contrafacção em momentos de aperto mas isso não é liquido.
    Liquido é que agora estamos falidos, os empregos criados no terciário a diminuírem, o capital necessário para o secundário no …. mas foi uma década bonita.

  3. Fernando S

    O Euro tem as costas largas … Por sinal, o custo do crédito até baixou … e foi por isso mais facil o endividamento.
    Mas o que levou o pais para a situação actual não foram a ausencia de inflacção e a abundancia de financiamento que o Euro proporcionou mas sim as politicas despesistas e o adiamento de reformas liberalizadoras da economia por parte de sucessivos governos nacionais .
    Claro que com o Euro não foi possivel financiar o aumento da divida publica e compensar a fraca competitividade das empresas com expansão monetaria e desvalorização da moeda. E ainda bem. Este teria sido o verdadeiro “erro historico” : estariamos hoje fora da crise do Euro mas bem mais pobres.
    Não se trata agora de mudar de moeda para melhor a manipular a nivel nacional mas sim de mudar internamente de modelo de governação economica : menos Estado e mais liberdade concurrencial.

  4. Ricardo Campelo de Magalhães

    A malta por aqui pede muito o fim do Euro, mas entre uma política monetária de Lisboa e uma de Frankfurt, eu acho que prefiro 2 segunda…

  5. lucklucky

    “Como é que com o Escudo acontecia igual?”

    Que tal olhar para a História recente? Não aconteceu igual nos anos 80 ou só com o Euro é que se pode ir parar á bancarrota?

    P.S: Eu não sou favorável à existência do Euro uma vez que é um instrumento contra Liberdade.
    E não porque tenha muito que ver com a crise excepto ter facilitado o endividamento uma vez que tinhamos protecção dos reguladores de mãos dadas com as agências de rating

    “Havia menos BMWs, menos férias para o cú de judas, menos LCDs, menos sucata importada do Oriente e claro menos dívida publica.”

    O que é que você tem contra o que as pessoas compram livremente e acham útil? Nem para elas nem para mim é sucata. Se para si o é e está no seu direito ter essa opinião não compre.

  6. Zebedeu Flautista

    “Que tal olhar para a História recente? Não aconteceu igual nos anos 80 ou só com o Euro é que se pode ir parar á bancarrota?”

    Claro que se pode ir parar a bancarrota no entanto antes disso a moeda desvaloriza automaticamente e em principio a coisa aguenta.Já sei que é crime de lesa majestade mas nos países do Sul desvalorizar era comum. Agora estamos agarrados ao euro que acaba por funcionar de facto como padrão ouro com o inconveniente do mercantilismo alemão.

    “O que é que você tem contra o que as pessoas compram livremente e acham útil? Nem para elas nem para mim é sucata. Se para si o é e está no seu direito ter essa opinião não compre.”

    Não tenho nada contra. Cada qual faz com o seu dinheiro o que quer. Mas é mentira que se tivéssemos mantido o escudo e não se tivesse aumentado a competitividade, as exportações, progressivamente se teria menos acesso ao que vem do exterior? Com o euro andou tudo a tentar mamar dos não transacionaveis ou encostado ao Estado. Fora do euro havia mais incentivo para investir em transacionaveis.

    Eu até sou a favor do euro mas se não se avançar para um orçamento federal com discriminação positiva das zonas mais pobres, não necessariamente enviar verbas mas criar por exemplo benefícios fiscais e infraestruturas para empresas só nos resta sair e levar com a austeridade toda duma vez.

  7. Luís

    O problema, penso, está apenas num lado: Estado, Estado e mais Estado. Os socialistas dizem que os privados são piores porque têm uma dívida em percentagem do PIB mais elevada, ora isso é falso. Primeiro, importa salientar que parte dessa dívida deve-se às PPP’s: há privados que se endividam para construir hospitais ou estradas, obras essas que serão pagas por todos nós mais tarde; e essa dívida é contabilizada como privada. Por outro lado, o Estado motivou a compra de casa própria ou segunda habitação de diversas formas. E como se sabe, boa parte da nossa dívida privada deve-se ao sector imobiliário. O Estado não aboliu as rendas congeladas ou «antigas» na habitação e no comércio, e por outro lado afugentou as pessoas dos centros urbanos, instalando parquímetros ou deslocalizando desnecessariamente serviços públicos para as periferias, em nome da política das «novas centralidades». Depois, as câmaras dependiam muito das receitas das novas licenças para fazer obra e festarolas. Instalou-se um ciclo que envolvia o poder local, a Banca e as empresas «amigas». Num sistema mais liberal, arrendar seria mais barato, teria havido menos endividamento e menor crescimento da área urbana (que tem um custo, quanto maior mais se gasta na manutenção de infra-estruturas, o ideal portanto é a concentração e que não haja áreas urbanas sem aproveitamento).

  8. lucklucky

    “Claro que se pode ir parar a bancarrota no entanto antes disso a moeda desvaloriza automaticamente e em principio a coisa aguenta.”

    O que é aguentar? 30% de juros? 25% de inflação? A recessão na casa das pessoas? E os políticos a fazerem o jogo de sempre? Porque é que o Brasil mudou?

    “Mas é mentira que se tivéssemos mantido o escudo e não se tivesse aumentado a competitividade, as exportações, progressivamente se teria menos acesso ao que vem do exterior?”

    Não. Que é que importamos que seria produzido aqui baixando o preço da moeda?
    Queijo? Couves?
    Além de que seria um impostos sobre as empresas que necessitam tecnologia. Vejamos quanto é que custaria mais a assinatura de TV e Net caso os ISP/TV’s tivessem de importar componentes mais caros devido à desvalorização?

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