Sancionar Promover Estabilidade

Não percebo a surpresa e chacota com que têm sido recebidas as declarações de hoje de Seguro, como se as mesmas fossem inéditas ou inesperadas. Nem a ideia de criar «sanções para quem tem excedentes e não os coloca ao serviço da economia/não ajuda as exportações de economias em situação mais difícil» é nova – faz parte do núcleo duro das ideias de Keynes – nem me parece que a defesa de uma «governação económica e orçamental» da UE a par de um «reforço do papel do Banco Central Europeu» estejam no campo do fantasioso.

Há diferença substancial entre os princípios subjacentes às declarações de Seguro e os que regem o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira? Ou o socialismo à escala global deixa de ser ridículo quando está institucionalizado? As instituições sempre têm mais jeito para inventar paráfrases e sinónimos respeitáveis.

7 pensamentos sobre “Sancionar Promover Estabilidade

  1. Paulo Pereira

    Na verdade parece que o Seguro foi buscar a ideia a Keynes e às suas propostas para o acordo de 1944.

    Apesar de discordar de hoje em dia existir necessidade de um mecanismo desse tipo, é uma boa base de discussão, nomeadamente qual a melhor forma de todos os países poderem enriquecer sem estratégias de mercantilismo exagerado, como faz a Alemanha e a China, por exemplo.

  2. Zebedeu Flautista

    Ferias “forçadas” para os países do Club Med. Nós ficamos com os alemães pois somos o mais pequenino e os outros levam com os Chineses que cospem no chão.

  3. Ricardo Campelo de Magalhães

    É sempre surpreendente. Errar e não aprender, consecutivamente, assim sem olhar para trás e com cara séria,… deixar-me-á sempre surpreendido.

  4. elisabetejoaquim

    Se assim fosse teríamos de nos surpreender com a maioria das instituições que governam a nossa vida: partilham os mesmos princípios socialistas e também falharam ou estão a falhar. Termos hoje o FMI e não uma instituição como a que Seguro descreve é uma contingência, não vejo que haja uma diferença tão substancial entre ambas as instituições que nos permita ficar surpreendidos pela segunda e não pela primeira.

  5. Também não percebi qual a surpresa pelas palavras tontas do Tozé Seguro. Como bom socialista que é, despreza a poupança e acredita que o motor de uma economia é o consumo e nunca a poupança (=investimento). O grande problema de Portugal é que o mindset da nossa sociedade está todo formatado nas teses keynesianas. A malta tende é a esquecer-se que foram as teses keynesianas do crédito fácil e manipulação artificial das taxas de juro durante demasiado tempo que criaram a bolha que nos levou a este estado pantanoso em que a Europa (e Portugal em particular) e os EUA se meteram.

  6. Pingback: Em defesa da consistência intelectual de António José Seguro « O Insurgente

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