“(…) 73,8% responderam afirmativamente à questão: “Portugal deverá continuar no euro?”, enquanto 20% disseram que não e apenas 6,2% manifestaram dúvidas ou disseram não saber ou recusaram responder. Apesar desta maioria clara de apoio à permanência na zona euro, só 36,5% disseram concordar “com as políticas de austeridade exigidas pela União Europeia”, enquanto pouco mais de metade (52,5%) responderam não a esta questão.“, no Diário Económico online (destaques meus).
Em suma, uma cópia chapada do que, há semanas, disseram os gregos em resposta às mesmas perguntas!
Esqueceram-se de perguntar se concordavam com o perdão de 50% da divida, tal como os alemães conseguiram para os gregos.
As pessoas pensam nos interesses delas. Querem dinheiro mas não querem trabalho. É e será sempre assim.
Prova está que não se pode andar que não se pode andar com “interesses nacionais” quando se fala (ou acaba-se por) de defender tal ou outra minoria. Deixai as pessoas em paz, e que ninguém lesa os interesses/liberdade de ninguém. É esta a máxima a que devia obdecer o Estado.
Esta e outras sondagens do género realizadas em diferentes paises, pelo menos mostram que a generalidade dos cidadãos europeus não deseja que o seu pais deixe o Euro.
Portanto, ao contrario do que alguns disseram e dizem, o objectivo da manutenção do (e no) Euro, embora possa ser naturalmente tecnicamente discutivel, não é de modo nenhum contrario a uma “vontade popular” !
Mas é verdade que mostra também uma contradição entre este objectivo e a rejeição das “políticas de austeridade exigidas pela União Europeia”.
O pessoal gostava era de ter a manteiga e o dinheiro que é preciso para comprar a manteiga …
Ou seja, esta contradição revela a esperança de muitos de que os paises mais ricos da Europa acabem por pagar a nossa conta. Pedir não custa, nunca se sabe, até podem aceitar !…
Mostra ainda que por, detras do senso comum de que, apesar de tudo, o Euro é preferivel ao regresso a um passado de moedas nacionais, um numero significativo de pessoas continua a não perceber que as vantagens da moeda unica teem como condição indispensavel politicas publicas exigentes e empenhativas.
Mesmo assim, é digno de nota o facto de mais de 1/3 dos sondados concordarem com as politicas de austeridade exigidas pela Europa…
Como resolver e ultrapassar este tipo de contradição ?
A democracia representativa, através da escolha de instancias de mediação institucional, sempre se revelou como o meio mais democratico e mais eficiente.
No fim de contas, quando chamados a votar, uma maioria de cidadãos acaba por escolher partidos e programas politicos que colocam em primeiro plano uma das opções contraditorias.
Na circunstancia, até ver, tem sido claramente a manutenção no Euro.
A contradição formal resolve-se mas, obviamente, não se resolve o problema da definição e da aplicação de politicas governamentais que devem procurar responder ao objectivo principal sem poderem evitar solicitar aos cidadãos sacrificios que ninguém aprecia e que nem todos compreendem e aceitam.