“(…) Esse valor [26 mil milhões de euros em responsabilidades assumidas para o horizonte conhecido das PPP] deve ter um grau de confiança de 75% a 80%, porque é baseado nos cenários base dos contratos. Isto é, se o tráfego for o previsto, é esse o valor, se for diferente, pode ser mais ou menos. Há pressupostos que não podemos controlar, como por exemplo o volume de tráfego, mas também há pressupostos que controlamos mal, como as renegociações. Há projectos que já foram renegociados 3, 4, 5 ou mais vezes, e cada vez com mais encargos para o Estado. Há contratos que eram muito bons no momento da adjudicação, mas que passados sete anos, o contrato tornou-se irreconhecível (…) O recente relatório da Direcção Geral do Tesouro tem um capítulo sobre avaliação de riscos, que nunca tinha sido apresentado. Mas falta um sobre a análise das renegociações (…) há 20 pessoas no Estado que poderiam fazer essa análise, não sei porque precisam de uma consultora internacional quando muitas têm conflitos de interesse pelo seu envolvimento no aconselhamento dos promotores e dos bancos nestes negócios (…) O objectivo primeiro tem de ser defender o valor do serviço público para o utilizador e minimizar os encargos para o contribuinte (…) Na Austrália, por exemplo, fizeram vários túneis e estradas em que o tráfego foi muito inferior ao previsto: as empresas foram à bancarrota”, Mariana Abrantes de Sousa, especialista em PPP, numa magnífica entrevista hoje concedida ao Jornal de Negócios (páginas 32 a 34). Destaque meus.
A paralisia deste governo no tema da roubalheira que são as PPP’s demonstra a sua incapacidade e inutilidade .