Falência da RTP

A Rádio e Televisão de Portugal (RTP) é uma instituição sem valor! Considerem o que oferece aos consumidores, o respectivo custo para os contribuintes (no próximo ano, 591 milhões de euros) e as alternativas – exponencialmente mais baratas – disponíveis no mercado.

Fala-se agora da privatização de um dos canais mas nenhum empresário pagaria, no seu perfeito juízo, sequer 1 euro por aquela estrutura (des)organizacional. Apenas as licenças de emissão têm valor.

A insolvência da RTP é, portanto, a única verdadeira solução para acabar com este sorvedouro das finanças públicas. E os custos desta operação? Façamos uns simples cálculos com base no artigo do Correio da Manhã e no Relatório e Contas de 2010 (pdf).

  • Indemnização compensatória para próximo ano: 91,6 milhões de euros.
  • Contribuição audiovisual (incluída na factura da electricidade): 155 milhões de euros.
  • Empregados: 2.412 (dos quais 2.241 com contrato de trabalho sem termo).
  • Gastos totais com remunerações: 78,3 milhões de euros (salário médio mensal = 2.318,86 euros).

Assumindo que, em média, cada empregado já trabalha na RTP há 20 anos e que, em caso de insolvência, receberia indemnização de 2 meses por cada ano de trabalho (mínimo exigido por lei é 1 mês), o custo total para os contribuintes seria de 223,7 milhões de euros. Ora o custo com a indemnização compensatória e contribuição audiovisual será de 246,1 milhões de euros. Isto só no próximo ano.

Claro que os contribuintes ainda teriam de, por mais uns anos, continuar a pagar a dívida da RTP, à qual o Estado deu o seu aval. Mesmo assim, a poupança futura é evidente!

Muitos acusariam o Governo de enviar para o desemprego mais de 2 mil trabalhadores. Esquecendo por momentos que, no cenário acima, cada trabalhador receberia, em média, 92.755 euros de indemnização, uma parte seria contratada pelas empresas privadas que comprassem as licenças de emissão da RTP. Os restantes teriam infelizmente de procurar novas profissões, dado que o mercado estaria a assinalar que, afinal, na actual função, não acrescentam qualquer valor.

Porém, o ponto importante para defensores da manutenção da RTP é a perda do “serviço público”, um conceito de muito difusa definição. Concordo, por exemplo, com o Carlos Guimarães Pinto quando disse que a TVTuga tem, por uma ínfima parte do custo, um papel muito mais importante na divulgação da língua portuguesa do que a RTP internacional”. Este é um tema que merece post próprio, mas por que raio deve a escolha de alguns “intelectuais” sobrepor-se às escolhas de cada um de nós? Porque são eles mais merecedores de segurar o meu “controlo remoto”?

Chegamos finalmente à questão levantada pelos privados que já actuam no mercado (SIC e TVI): não há suficientes receitas publicitárias para o mercado incluir novos concorrentes. E nós com isso? Cabe a quem quiser entrar no mercado fazer os necessários cálculos financeiros sobre a viabilidade dos seus projectos. Também, a SIC e/ou TVI só perderá receita se a nova concorrência fornecer aos telespectadores melhor programação! Ou seja, o que seria, sob qualquer perspectiva, bom para milhões de consumidores não é aceitável para alguns barões dos media. Pois…

5 pensamentos sobre “Falência da RTP

  1. Dervich

    “Considerem o que oferece aos consumidores,(…) e as alternativas – exponencialmente mais baratas – disponíveis no mercado.”

    Em canal aberto? Quais? Estas aqui?

    http://www.salvadorcomh.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=3878:reality-shows-as-novelas-do-seculo-xxi&catid=42:papo-cabeca-&Itemid=41

    591 milhões de euros ?! É muito? Pode ser muito ou pode ser pouco, depende…

    Assim de repente parece-me que a RTP poderia trabalhar por 10 anos para acumular a mesma dívida do BPN e com resultados bem menos nocivos do que os pregados por uma cáfila de bandidos que ainda se andam aí a rir às nossas custas…

  2. Zebedeu Flautista

    Completamente de acordo. Se o Estado quer subsidiar informação e cultura então que forneça internet gratuita a todos. Ficava mais barato e era mais livre no plano intelectual pelo menos. Quanto aos barões da SIC/TVI azar. Deixem de pagar 50 mil euros mês as tias para contar desgraças aos velhos nos programas da tarde.

  3. Tiago

    «Concordo, por exemplo, com o Carlos Guimarães Pinto quando disse que a “TVTuga tem, por uma ínfima parte do custo, um papel muito mais importante na divulgação da língua portuguesa do que a RTP internacional”.»

    Porque é que têm que estragar uma ideia que até faz algum sentido (o fecho da RTP) com afirmações ridículas com essa?

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