Desmistificando os argumentos da esquerda

Bem sei que é uma actividade cansativa e para a maior parte dos leitores dO Insurgente repetitiva, mas é relevante ir desmontando os argumentos falaciosos e inconsistências da esquerda em relação à crise da dívida soberana. Pego agora neste artigo do Sérgio Lavos, mas podia pegar em qualquer outro post do Arrastão nos últimos meses:

Não serão antes, lá como cá, os investimentos dos sucessivos governos (sobretudo a direita que esteve no poder antes de Papandreu) em material bélico em obras públicas desnecessárias, em projectos megalómanos alimentados pelo dinheiro dos créditos generosamente concedidos pela Goldman Sachs e outras instituições financeiras alemãs e francesas?

Suponho que por projectos megalómanos, o Sérgio Lavos se refira a todas aquelas obras que a esquerda tende a defender, como o novo aeroporto de Atenas. São as obras que criam empregos e de onde se origina, através do miraculoso multiplicador Keynesiano, o crescimento económico. Saúdo a mudança de opinião. Aguardo por consistência nos próximos posts.

O cidadão comum, mesmo o que se serve da falta de vigilância do Estado, pouco deve ter contribuídio para o crescimento da dívida.

Mais uma vez, errado. As despesas com segurança social, educação e saúde constituem 60% do orçamento de Estado Grego. Despesas com a defesa são apenas 7% (excluindo pagamento de juros; fonte).

Vejamos: 20% da população vive abaixo do limiar da pobreza

Ou, para ser mais exacto, 20% da população Grega declaram rendimentos que os colocam estatisticamente abaixo do limiar da pobreza.

Quanto mais pobre é um país mais economia paralela existe. Tão simples como isso.

Não, não é tão simples quanto isso. A relação não é directa. A dimensão da economia paralela depende de três factores principais: carga fiscal, a burocracia e o poder da regulação. Quanto maiores estes três factores mais pobre será a economia em termos reais (declarada mais paralela). A isto, acrescenta-se o facto de quando maior for a economia paralela, mais pobre o país parecerá estatisticamente.

Sobreviver, muitas vezes, implica passar a perna a um Estado que está mais preocupado em agradar aos “mercados” ou a não irritar o poder económico e, sobretudo, financeiro.

Interessante a primeira parte da frase, digna de um bom anarco-capitalista. Quanto à segunda parte, um estado que mantenha contas equilibradas não precisa dos mercados e do poder financeiro para nada. A necessidade de agradar aos mercados acontece porque o estado depende do dinheiro das poupanças dos investidores.

A riqueza da Alemanha depende tanto do rigor e da competitividade das suas empresas e trabalhadores como das exportações que fazem para países como a Grécia e Portugal

Não, não depende. Esta é uma das grande falácias do discurso da esquerda. Grécia, Portugal e Irlanda juntos representam 3% do total de exportações da Alemanha.

27 pensamentos sobre “Desmistificando os argumentos da esquerda

  1. neotonto

    Uma coisa vai resultar bem clara.

    O Gobierno de “direitas” da Irlanda convirtiu o tigre celta de 30 anos de progresso em um gatinho zarraspastroso.

    Mesmo em Grecia e Italia.

    O mesmo vai acontecer em Portugal (um governo de direitas e na Espanha onde ja se prevé que o Sr. Rajouy em breve) sustuirá ao Sr. Zapatero.

    Ou seja e conclluindo. A direita PIIGeuropea mandou para o lixo aos paises da cultura PIIGS, onde lá vao ficar por décadas.

    Isso e obra feita. A única incognita aquí só e tratar de descifrar quais destes paises vao acudir a “corralitos” e quais nao vao necesitar. Apostemos…

  2. PT

    Não sei porquê, parece-me que “paleotonto” era um nick melhor. Ou seria “paleovermelho”? Na volta, este senhor é o Otelo, que após uns tempos de refrescamento ideológico na Venezuela veio de lá a escrever em portunhol e com ideias revolucionárias…

  3. neotonto

    Paleotonto…fica melhor mas… para vc !!!!.

    Entretanto para o meu gosto “neotonto”. E olhe que ainda que seja o porqueiro de Agamenón quem diz as verdades o dito bem refere que : “As verdades sao verdades digalas o Agamenón ou seu porqueiro”.

    Mas sao outros os que estáo atrincherados em mentiras…Disfrutem delas!

  4. Paulo Pereira

    Como já aqui escrevi várias vezes, Keynesianismo implica defender uma Balança Corrente equilibrada no médio prazo (no longo estamos todos mortos !).

    Por isso Keynes nunca teria apoiado a adesão a uma moeda totalmente rigida como é o Euro o que teria evitado o despesismo incontrolado Grego.

  5. Ricciardi

    De facto, o comentador Paulo Pereira tem razão. O Keynes tem sido muito mal usado ultimamente pelos ideologos liberais. A condição base de policas keynesianas assentam no contrario do que tem sido dito. Desde logo supõe defice e endividamento pré-crise equilibrados e, pressupõe retoma do equilibrio findo o periodo que os investimentos se destinavam a combater.

    Mas, enfim, adiante. O essencial é perceber que a diabolização de medidas contrarias à crença individual é absolutamente anti-económica por ser irracional. O keynesianismo tem méritos em determinadas situações e não noutras. E a mesma coisa, pelos motivos contrarios, diria dos anti-keynesianos. Quer dizer, há alturas em que é certo cortarmos a despesa e há alturas em que o certo é prolongar temporariamente a dinamica da economia através de investimento sempre selectivos.

    A má interpretação das coisas, levou a que, por exemplo, Socrates tivesse dito uma vez que interessava era gastar. Não interessava aonde, pensava ele. Ora isto não tem nada a ver com keynesianismo. Mas a má interpretação das actuais policas em função do que se está a passar levará tambem a erros crassos.

    Não é possivel, dada a conjuntura especifica actual, combater o defice de TODOS os paises ao mesmo tempo através da redução massiva na DESPESA. Não é, por razões lógicas. Todos estamos de acordo que a redução da despesa provocará decrescimo na receita colectavel, uma vez que o PiB encolherá. Sendo assim os ajustamentos na despesa para equilibrar o defice serão sempre menores do que a receita futura, porque o aumento de um um induz a redução do outro. Alguns pensam que isto é transitório e que, depois da despesa estar controlada, que haverá espaço para crescer. Estamos a falar, portanto de fé, de crença e não de factos. O que eu acho é que medidas destas resultam se e só se a austeridade se resumir a um ou outro país. Agora, se todos reduzirem os seus consumos as exportações dos outros serão afectadas a prazo. Ainda nos tem safado o facto de a Alemanha e a França e a Espanha não tenham ainda iniciado verdadeiramente um plano de austeridade, porque quando o tiverem que fazer (e está perto) tudo se desmorona como um baralho de cartas.

    Portanto, parece-me que dada a conjuntura, a unica forma viavel de ganharmos uns bons 5 anos de consolidação mais suave e que não agrave tanto a receita expectavel, seria mesmo produção de moeda pelo BCE. Aliás é isso que, os EUA, a CHINA, a UK e varios outros paises vão exigir à sra. Merkel ou já estão mesmo a exigir.

    Os paises superavitarios em termos comerciais tambem tem responsabilidades. Quer dizer, só o são porque alguem compra os seus produtos; neste caso os deficitários. E eles sabem que, os deficitários só podem melhorrar se os superavitários aumentarem os seus próprios niveis de consumo/importações daqueles. É este equilibrio que urge ser feito sob pena de a europa ficar num marasmo durante pelo menos duas decadas.

    Esse equilibrio, se não for efectuado pelos superavitarios terá de ser forçozamente imposto pelos defictários atraves de barreiras à entrada e dumping cambial.

    Rb

  6. Vasco

    A Alemanha já iniciou o seu plano de austeridade há 10 anos, mais coisa menos coisa…
    Na Alemanha existe memória no que toca a imprimir moeda…

  7. Paulo Pereira

    A Alemanha só pode ter tido uma austeridade relativa porque os outros paises da U.E. importam tralha da Alemanha (70% das exportações alemães).
    A solução é não importar tanta tralha da Alemanha, que assim eles entendem o que é a contabilidade.

    A Alemanha esqueceu-se da austeridade de 1929 a 1933 que levou os Nazis ao poder, ou se calhar alguns alemães não se esqueceram.

  8. lucklucky

    Onde está o meu Porsche Paulo Pereira? E o dos meus vizinhos.

    Que eu saiba a Dívida foi para pagar Salários de Funcionários Publicos e Pensões mais o resto do Estado Social. Não tralha Alemã.

    Se afinal foi para comprar tralha alemã quero saber onde está o meu Audi. Os mais de 178 mil milhões de Euros fora o escondido de Dívida do estado dá mais de 40000 euros por quem trabalha neste país.

  9. Carlos Guimarães Pinto

    “A solução é não importar tralha da Alemanha”
    Paulo Pereira, alguém obriga os restantes Europeus a comprar “tralha” da Alemanha?

    “A Alemanha esqueceu-se da austetidade de 1929 a 1933 que levou os nazis ao poder”
    E o que levou à necessidade de austeridade?

  10. eu só sei é que o BCP vale 0,10 cent….que os valores do desemprego na Grecia subiu arrepiantemente…quem será o Papademos Português? Vitor Constãncio ? António Borges ? António Horta Osório ? é melhor é entregar mas é o país às hierarquias militares…

  11. Carlos C.

    Eu corrigiria a frase d’O Arrastão com:
    “Sobreviver, muitas vezes, implica passar a perna a um Estado que está mais preocupado em agradar A SI PRÓPRIO e a FINANCIAR-SE E ENGORDAR”

  12. Paulo Pereira

    LL,

    Você confunde a questão portuguesa, de incompetência extrema, irresponsabilidade e compadrio, com a questão geral macroeconómica : Spending = Income

    Foi a ideologia Neotonta ilógica, seguida por Portugal, Espanha, Grecia, Itália que aderiram a este Euro fantasista mas que aceitam deficits comerciais durante anos a fio que permite hoje há Alemanha estar na posição de credor de grande parte da Zona Euro.

    A Zona Euro é o auge do Neotontismo e como tal vai ser o auge da crise económica.

  13. Fernando S

    Paulo Pereira : “Foi a ideologia Neotonta ilógica, seguida por Portugal, Espanha, Grecia, Itália que aderiram a este Euro fantasista mas que aceitam deficits comerciais durante anos a fio que permite hoje há Alemanha estar na posição de credor de grande parte da Zona Euro.”

    A adesão destes paises ao Euro não implicava necessáriamente déficits comerciais desfavoráveis relativamente a outros, como a Alemanha.
    Os ditos déficits comerciais resultaram sobretudo da circunstância de estes paises, ao contrário da Alemanha e de outros, não terem tirado partido das vantagens de estarem numa zona monetáriamente estável para melhorarem as respectivas competividades, tanto nos mercados internos como nos externos.
    Sabemos que a degradação da competividade destes paises resultou de um modelo económico assente no despesismo e no intervencionismo do Estado que favoreceu actividades protegidas do sector de bens não transaccionáveis, com destaque para os serviços e investimentos públicos, em prejuízo de actividades productivas do sector de bens transaccionáveis, incluindo os bens que poderiam ter substituído importações e, sobretudo, os bens susceptíveis de serem exportados.
    Este modelo, para além de ter aumentado os déficits orçamentais e o endividamento do Estado, foi o principal responsável pela persistência e agravamento dos déficits comerciais.
    Outros países, como a Alemanha, apesar de terem à partida vantagens competitivas ligadas a niveis de produtividade mais elevados, tiveram o cuidado de manter as finanças públicas sob contrôlo e de fazer uma série de reformas estruturais que impediram um aumento dos custos unitários de produção mais forte do que o crescimento da produtividade.
    Esta foi a razão principal para a crescimento dos desequilíbrios comerciais entre os paises mais “formigas”, como a Alemanha, e os países mais “cigarras”, como Portugal.
    O Euro não tem nada a ver com isto.
    A única coisa é que, estando dentro do Euro, os países “bandalhos” não puderam utilizar o mecanismo das desvalorizações competitivas da moeda nacional no sentido de equilibrar contas externas sem terem de fazer o necessário para melhorar a produtividade nacional (incluindo aqui o contrôlo das contas públicas).
    Mas ainda bem que não o puderam fazer porque, como a história anterior mostrou à saciedade, este cenário teria acentuado ainda mais o grau de sub-desenvolvimento e de empobrecimento das respectivas economias e populações.

  14. Paulo Pereira

    Fernando S,

    É óbvio que o despesismo irresponsável que existiu em Portugal só agravou a decisão errada em aderir a uma pseudo-moeda única sem dívida unica, uma fantasia Neotonta , uma experiência de economistas ignorantes.

    Todos os casos anteriores de forçar um câmbio fixo em países com deficits comerciais e sem industria competitiva crónicos fracassaram, porque a lógica impõe-se ás crenças e às fantasias de economistas que não entendem nada de macroeconomia e não estudam a história.

    O comportamento das sociedades não se muda com um decreto . Portugal não ia passar dos deficits comerciais crónicos e uma industria e agricultura débeis, para uma força economica com uma moeda forte . Só incompetentes românticos podiam pensar assim.

    O nosso sector privado de bens transacionáveis não fez mais porquê ?

    Não teve acesso ao crédito barato ? Não teve acesso a mercados em crescimento até 2008 ?

    Os Neotontos vão continuar a apregoar as suas fantasias até ao fim, como a orquestra do Titanic ?

    Pois eu acho que os ricos vão acabar por correr com os lideres puritanos germânicos, os lideres do Neotontismo anti-capitalista na Europa.

  15. Fernando S

    Paulo Pereira : “O nosso sector privado de bens transacionáveis não fez mais porquê ? Não teve acesso ao crédito barato ? Não teve acesso a mercados em crescimento até 2008 ?”

    Efectivamente, graças ao Euro, o sector privado de bens transacionáveis teve crédito mais barato (de resto, tal como o sector privado e público de bens não transaccionáveis), e teve um mercado europeu mais alargado e integrado.
    Mas não basta o crédito e o acesso a mercados para que os produtos sejam competitivos e o investimento suficientemente rentável.
    A verdade é que o sector dos bens transaccionáveis teve também de viver com outras condições mais desfavoráveis (ao contrário do sector dos bens não transaccionáveis) em resultado da politica despesista e intervencionista dos governos.
    Em particular, no caso de Portugal, o despesismo do Estado favoreceu a procura dos bens não transaccionáveis (serviços públicos, construção, sector financeiro, telecomunicações, energias, serviços de consumo corrente, etc, etc), e o intervencionismo do Estado protegeu os mercados destes sectores.
    No conjunto permitiu que estes sectores mantivesse preços altos, que foram pagos pelo próprio Estado (entenda-se, contribuintes), pelos consumidores, e … “the last but not the least” … pelo sector produtor de bens transaccionáveis (por exemplo, o custo da energia). Esta situação protegida permitiu ao sector pagar remunerações mais elevadas aos trabalhadores e investidores. Tornou assim mais atractivo o investimento em actividades viradas para o mercado interno e não sujeitas a concorrência externa.
    Em contrapartida, o sector de bens transaccionáveis teve de concorrer com os produtos estrangeiros, tanto no mercado interno como no externo. Para tal teve de reduzir custos ao máximo e aceitar niveis de rentabilidade mais baixos. A redução de custos foi muitas vezes feita degradando as capacidades operacionais e produtivas das empresas. Uma gestão mais fléxivél dos recursos humanos foi dificultada por uma legislação laboral excessivamente rígida (uma das mais rígidas da Europa). No final, embora o esforço de contenção de preços de custo e de venda fosse considerável, mesmo à custa da qualidade, não foi suficiente para melhorar a competitividade externa e interna dos produtos.
    Mesmo assim, no plano interno, a estrutura de preços relativos entre os dois sectores acabou por ser fortemente desfavoráveis ao sector dos bens transaccionáveis.
    Por outras palavras, o modelo de “desenvolvimento” existente desviou recursos financeiros e humanos das actividades que poderiam ter substituído importações e aumentado exportações.
    O restabelecimento de um certo equilíbrio é indispensável para permitir que o sector de bens transaccionáveis tenha melhores condições de competitividade.
    Mas isto significa romper com o modelo económico das últimas décadas.
    Começando por reduzir as despesas e o peso do Estado e acabando em simultaneo com a discriminação das actividades com maior potencial de crescimento da produtividade e que mais podem contribuir para equilibrar a balança comercial.

  16. Paulo Pereira

    Fernando S,

    Basta olhar para a historia dos paises em desenvolvimento para perceber que não é possivel, com a fortissima concorrência asiática e outras, concorrer na industria e agricultura , com uma moeda forte.

    Insisir nessa tese é uma fantasia sem qualquer base historica, uma teimosia Neotonta.

    É claro que energia eléctrica mais cara não ajuda nada, mas é um factor minimo na competetividade dos BTS.

  17. Fernando S

    Paulo Pereira #20.: “Basta olhar para a historia dos paises em desenvolvimento para perceber que não é possivel, com a fortissima concorrência asiática e outras, concorrer na industria e agricultura , com uma moeda forte.”

    O Paulo dispara em todas as direcções para ter a certeza de que acerta alguma !…
    No seu comentario #16. diz que por causa do “Euro fantasista” paises como Portugal têm déficits comerciais com “a Alemanha em posição de credor”. Retomando mais uma vez o argumento que aparece em muitos dos seus comentarios segundo o qual o Euro permitiu à Alemanha aumentar as suas exportações para os paises do Sul da Europa. Embora o seu argumento seja falacioso, o que é certo é que antes e durante o Euro uma parte muito significativa do comércio externo dos paises europeus tem sido feita com os próprios paises desenvolvidos.
    Agora muda de direcção e vem falar na “concorrência asática e outras”.
    Decida-se !…

    Claro que a concorrência asiática e de outros paises emergentes coloca problemas a certos sectores produtivos dos paises mais desenvolvidos.
    Mas colocava já antes, e colocaria igualmente mesmo que estes paises tivessem moedas menos fortes. Para certos tipos de bens de produção em massa as diferenças de custos de produção, em particular salariais, são de tal maneira importantes que nenhuma moeda desvalorizada conseguiria anular. Há muito se percebeu que nestes casos os paises desenvolvidos, incluindo Portugal, não podem em circunstância alguma concorrer com os asiáticos. Não têm sequer interêsse em procurar fazê-lo (até porque a importação de certos bens a baixos preços é também do interêsse destes paises).
    Os paises desenvolvidos têm antes a possibilidade de se imporem em sectores e com bens com características próprias e dificilmente reproduziveis e com maiores graus de desenvolvimento e sofisticação tecnológicas. O que é certo é que estes países têm de desenvolver estes outros factores de competitividade e, para tal, têm de liberalizar e flexibilizar os respectivos sistemas económicos.

  18. Fernando S

    Paulo Pereira #20.: “É claro que energia eléctrica mais cara não ajuda nada, mas é um factor minimo na competetividade dos BTS.”

    Provávelmente escapou-lhe que referi o custo da energia apenas como um exemplo, entre outros, de fornecimentos do sector de bens não transaccionáveis ao sector de bens transaccionáveis a preços mais elevados do que seriam se houvesse menos protecção e mais concorrência naquele sector.
    Claro que há outros factores mais significativos que prejudicaram a competitividade do sector de bens transaccionáveis : a elevada carga fiscal, a rigidez do mercado de trabalho, a burocracia da administração, a prioridade dada por investidores e financiadores a actividades com menos risco e mais rentabilidade interna, etc, etc. Tudo desvantagens que, como referi num comentário anterior, resultaram do modelo económico então vigente.

  19. Fernando S

    Paulo Pereira #18.: “É óbvio que o despesismo irresponsável que existiu em Portugal só agravou a decisão errada em aderir a uma pseudo-moeda única sem dívida unica,…”

    Folgo em ver que o Paulo Pereira reconhece aqui que “o despesismo irresponsável que existiu em Portugal” foi algo de negativo.
    Mas acontece que, ao contrario do que diz o Paulo Pereira, este despesismo não “agravou” hipotéticas dificuldades ligadas à existencia de uma moeda forte. Este despesismo foi a causa principal dessas dificuldades. Como é obvio, numa zona monetaria estavel, a competitividade face ao exteriro depende unicamente dos ganhos internos de produtividade. O despesismo do Estado, e o intervencionismo que lhe está associado, tornaram impossíveis esses ganhos de produtividade e competitividade.

    Não deixa de ser curioso que o Paulo Pereira reconheça a “irresponsabilidade” do despesismo do Estado mas continue a defender politicas de tipo mais ou menos keynesiano para ultrapassar a actual crise (refiro-me aqui a outros comentários seus).
    Ou seja, de uma acentada : mais despesas e investimentos públicos para sustentar o consumo e a procura ; salários mais elevados para sustentar o consumo e a procura interna ; redução de impostos sobre os consumidores e as empresas para sustentar a procura e promover o investimento privado ; uma politica monetária expancionista com crédito fácil e barato ; intevenções discricionárias e proteccionistas do Estado no sentido de reduzir importações e aumentar as exportações ; etc, etc.
    Na verdade este amontado de medidas apenas em parte é verdadeiramente keynesiano. Corresponde mais a uma versão “vulgar” do keynesianismo que mistura despesismo público, laxismo monetário, intervencionismo e uma certa dose de proteccionismo. Uma caricatura do keynesianismo original e do post-keynesianismo.
    O que é espantoso é que o Paulo Pereira defenda uma política expansionista com mais despesa pública e menos impostos numa altura em que os Estados estão altamente endividados. Como é possível ?
    Felizmente, o Paulo Pereira tem uma solução milagre que resolve esta dificuldade contabilística : a moeda fiduciária. Basta que o Banco Central Europeu deite cá para fora todo o dinheiro que vai ser preciso para financiar todas as dividas, todas as despesas, todos os consumos, todos os investimentos… Com um bónus que seria a subsequente desvalorização do Euro permitindo então a recuperação da competitividade externa de todas as economias europeias !!…

  20. Pingback: Top posts da semana « O Insurgente

  21. Paulo Pereira

    Fernando S,

    Você dispara em todas as direções a ver se acerta alguma, mas a contabilidade e a história são dificeis de contrariar :

    a) A história mostra que é altamente improvável que um país com moeda forte e empresas industriais fracas se desenvolva, ainda para mais nesta época de concorrência asiática feroz, que usam a arma da moeda fraca. Insistir nessa tese falsa é uma demonstração de neotontismo militante.

    b) Você usa moralismos despropositados na análise económica. O sector privado é o que temos e é esse que temos de ajudar a crescer, através de politicas industriais do tipo alemão, e não esperar que os nossos empresários carregam sozinhos o país às costas porque isso não vai acontecer e vamos empobrecer .
    O estado inventou-se para melhorar a eficácia da sociedade e por isso tem de intervir na economia ajudando o sector privado, da mesma forma que os nosso concorrentes o fazem.

    c) Mais moralismo no que toca à intervenção dos bancos centrais !. Foram inventados para intervirem, se não mandem os economistas que lá estão para a rua , de forma a que criem empresas industriais e diminuam o nosso deficit corrente.

    d) A minha critica á Alemanha não é de ordem moral (também poderia ser atendendo ao seu passado destruidor) mas apenas racional : A Alemanha está com a sua teimosia neotonta puritana e moralista , a destruir a economia europeia , simplesmente por estupidez e ignorãncia dos seus economistas e alguns lideres politicos.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.