democracia suspensa

“What started as a financial crisis is now a full-blown political crisis in two euro-zone states. If the euro zone is to survive, it is now clear it will only do so by increasing its democratic deficit. The economic policies of Southern Europe will in future be dictated by a Brussels-based technocratic elite, which voters will be asked to rubber-stamp on pain of economic ruin. What is also clear is that the one thing that has always seemed vital to any lasting solution to the crisis—large-scale fiscal transfers from Germany to the periphery and a willingness to underwrite future debt—looks less likely than ever. The euro will outlive its six-week deadline, but it’s long-term survival remains in serious doubt.”, hoje no Wall Street Journal (destaque meu).

O primeiro passo parece ter sido a suspensão da democracia na Grécia…ao voltar atrás na decisão de referendar a ajuda financeira, associada à qual vem a austeridade tão ferozmente rejeitada pela população, foi o próprio Governo grego, um órgão democraticamente eleito, a suspender a democracia no seu país!

8 pensamentos sobre “democracia suspensa

  1. Fernando S

    “O primeiro passo parece ter sido a suspensão da democracia na Grécia…ao voltar atrás na decisão de referendar a ajuda financeira,…”
    .
    1. A democracia (que até ver na Grécia é representativa) não é governar em função de sondagens ou de pressões de “rua”.

    2. Por sinal, as sondagens até mostram que a maioria dos gregos não concordava com a realização de um referendo, deseja um governo de coligação, e não quer a saida do Euro.

    Embora não concorde, até compreendo a argumentação do Ricardo ao considerar que o melhor para a Grécia seja sair agora do Euro. E não excluo à partida que a evolução da crise na Grécia e na Zona Euro possa ainda fazer com que esta saida venha a ser inevitavel ou até a melhor solução (mesmo que o mais provável neste cenário seja, ai sim, vir a ser imposta do exterior contra a vontade dos gregos).
    O que não compreendo é esta sua obcessão em afirmar que actualmente a vontade democrática dos gregos é a saida do Euro.

    Há efectivamente uma contradição entre a vontade de continuar no Euro e a rejeição das medidas de austeridade.
    Mas, no fim de contas, tudo indica que os gregos percebem, mais ou menos racionalmente, mais ou menos intuitivamente, que a continuação no Euro é preferível à saida, que a ajuda externa é indispensável, e que para tal são inevitáveis medidas de austeridade.
    Como é natural, eles gostariam que estas medidas fossem bem menos drasticas e os procuram pressionar os seus dirigentes políticos e a UE nesse sentido.
    De resto, eventualmente com menos gravidade e dramatização, é o que se passa e pode a vir a passar noutros paises da Zona Euro com situações do mesmo tipo.

  2. Ricardo Arroja

    “O que não compreendo é esta sua obcessão em afirmar que actualmente a vontade democrática dos gregos é a saida do Euro.”

    Caro Fernando,

    Nunca, “jamais” (!), escrevi tal coisa. Pode pesquisar à vontade nos meus textos…

    Escrevi, sim, que os gregos rejeitam a austeridade associada ao resgate e que, por sua vez, é condição essencial para se manterem no euro.

    E, também, escrevi que, em última análise, não querer a austeridade e querer o euro são propostas mutuamente exclusivas, logo, impossíveis de conciliar.

    Agora, “the multibillion euro question” é a seguinte: qual das propostas anteriores reunirá no futuro próximo maior apoio? Eu acredito que será a primeira.

  3. Paulo Pereira

    Uma moeda federal sem divida federal não é possivel .

    A Alemanha deve sair do euro se não aceitar a reformulação do papel do BCE e a unificação de parte das dividas publicas.

  4. neotonto

    Sinn: It must happen quickly. Greek banks will have to close for one week. All accounts, all balances and all government debt would have to be converted into drachmas. Then the drachma would depreciate.

    Ou seja. “CORRALITO” mais esta vez grego !!!!!

  5. Fernando S

    Caro Ricardo,
    Se diz que “jamais” … é porque é assim, não é preciso pesquisar…
    A minha interpretação (pelos vistos errada) vem do facto de o Ricardo falar de “suspenção da democracia” por se ter voltado atras quanto ao referendo, de reconhecer que a recusa das medidas de austeridade implicaria a saida do Euro, e de achar que o melhor para a Grécia é mesmo sair do Euro.
    Mas agora este ponto esta esclarecido.
    E pelos vistos, estamos de acordo quanto ao facto de actualmente os gregos não desejarem sair do Euro (talvez o Ricardo “jamais” tenha escrito isto assim mas é a minha interpretação depois desta sua “mise au point”).
    Mas agora não percebo porque é que o Ricardo, sabendo que a recusa das medidas de austeridade em referendo levaria à saida da Grécia do Euro, e admitindo que esta saida não é actualmente a vontade dos gregos, continua a sugerir que a democracia foi “suspensa” e que a vontade dos gregos não foi respeitada.
    Parece-me é que a democracia representativa funcionou e evitou um impasse politico ainda mais grave.
    Quanto ao futuro e à sua “multibillion euro question”, ainda vamos ver.
    O Ricardo acredita que mais cedo ou mais tarde os gregos acabarão por preferir a saida do Euro às medidas de austeridade para ficar no Euro.
    Eu não sei exactamente o que é que os gregos vão querer e fazer daqui a uns tempos. Vai depender de muita coisa, do que se passar na Grécia e na Zona Euro.
    Espero que o governo grego, seja ele qual for, consiga aplicar as medidas de austeridade previstas e que a situação seja minimamente controlada.
    Se não for, se se agravar e se tornar social e politicamente verdadeiramente explosiva, então, como admiti no meu comentario anterior, pode fazer mais sentido encarar finalmente uma saida da Grécia do Euro (se o Euro ainda existir !…).
    Mas aqui, se me permite, coloco eu uma “multibillion euro question” : nesta eventualidade, serão os gregos a decidir sair do Euro, livremente e democraticamente, ou sera a Zona Euro a excluir a Grécia sem apelo ?

  6. Paulo Pereira

    Este Euro está condenado porque obriga a Zona euro a empobrecer continuadamente.

    Hoje mesmo verificou-se que a produção industrial alemã diminui 4.5% em Setembro.

    O que acho interessante é como os ricos mantêm o apoio aos lideres germânicos que estão a bloquear a reformulação do papel do BCE, quando vão ser os mais prejudicados.

  7. Fernando S

    Caro Ricardo,
    Concordo quando diz que a saída da Grécia do euro não condena o euro ao fim. Se reparar bem eu nem sequer considerei esta eventualidade.
    O receio que existe hoje é o de que uma saida da Grécia do Euro nesta altura possa aumentar ainda mais a desconfiança dos mercados e lançar o “principio do domino” contagiando outros paises “periféricos” e, sobretudo, a Italia.
    De resto, se a Grécia continuar a não implementar as medidas de austeridade recomendadas, então a exclusão unilateral da Grécia do Euro pode ser mesmo a saida mais conveniente.
    Obrigado pelo link. Vou ler com interesse, naturalmente.

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