dumbfounded

“Era melhor ter pago os depósitos e fechado o BPN”, António de Sousa (Presidente da Associação Portuguesa de Bancos).

Pois é, tinha sido bem melhor, mas na altura havia outras considerações!

Greenspan-speak

“(…) A transferência [dos Fundos de Pensões dos bancos] é “actuarialmente equilibrada, protegendo os interesses dos contribuintes. A operação, de carácter extraordinário, tem alguns benefícios substanciais que vão para além do cumprimento do objectivo do défice orçamental. Permite mobilizar montantes consideráveis de activos, num momento de grande dificuldade de acesso ao financiamento. De forma mais genérica, este encaixe vai permitir o pagamento de dívidas de administrações públicas, contribuindo assim para o processo de diminuição do rácio de transformação dos bancos portugueses e o financiamento da economia.”, Vítor Gaspar, esta manhã após a aprovação do OE2012.

O antigo Presidente da Reserva Federal, Alan Greenspan, era conhecido pelas suas declarações enigmáticas, que até deram azo ao termo “Greenspan-speak”. Ora, o nosso Ministro das Finanças parece querer seguir-lhe as pisadas!

“Só com ilusão monetária”

“(…) Reza a teoria de que, na ausência de crescimento nominal do PIB igual ou superior à taxa de juro média da dívida de um mesmo País, essa dívida se torna insustentável. Assim, tendo em conta que neste momento, com uma recessão de 2% prevista para o balanço deste ano e uma taxa de inflação de 4%, a economia portuguesa suportaria no seu stock de dívida uma taxa de juro média de 2% ou pouco mais (…) O problema é que, na minha estimativa, e para que tudo fizesse sentido do ponto de vista teórico, Portugal necessitaria hoje de uma taxa de inflação cerca de dez pontos percentuais superior àquela que na realidade existe. Ou seja, Portugal precisaria de uma taxa de inflação próxima de 15% ao ano. E a título de curiosidade, a Grécia necessitaria de 35%, a Irlanda e a Itália de 7% e a Espanha de 6%.”, no meu artigo desta semana no jornal Vida Económica (“Só com ilusão monetária”).

imberbe

“Sempre cáustico em relação ao estado do sector, Marinho Pinto afirmou que ‘a Justiça em Portugal não funciona’ (…) Criticou ainda a Justiça ministrada por magistrados “com 26, 27, 28 ou 29 anos”, sublinhando que lhes falta “experiência de vida e maturidade” para poderem ajuizar com rigor. ‘Muitos nem sequer namoram, como podem, por exemplo, entender um divórcio?’, questionou”, no Diário Económico online.

O actual Bastonário da Ordem dos Advogados é alguém por quem, confesso, tenho cada vez menos consideração. Mas, enfim, também é verdade que tenho cada vez menos consideração por (quase) todos os bastonários deste País…Contudo, o Dr. Marinho Pinto, de vez em quando, lá vai balbuciando umas coisas com as quais concordo e a crítica de cima, segundo a qual não é aceitável que jovens sem experiência de vida possam ser juízes, é uma delas. De facto, é hoje frequente que miúdos saltem, quase que directamente, das faculdades para o Centro de Estudos Judiciários e daí para a barra dos tribunais. Como se não bastasse a falta de especialização da Justiça, acrescenta-se-lhe, deste modo, a falta de experiência, resultando desta combinação um “mix” explosivo. E de facto é de questionar a capacidade de julgamento de pessoas que, nessas tenras idades, não tiveram ainda tempo para assumirem responsabilidades ou compromissos sérios, financeiros ou familiares. Não tiveram, sequer, tempo para completar o necessário período de rodagem que qualquer profissão exige, sobretudo quando se está em cargos com funções decisórias. Falta-lhes, como diz e bem o Dr. Marinho Pinto, a experiência de vida e a sensatez que só o tempo ensina. Enfim, pior que ir a tribunal, imagino, é ir a tribunal e ser-se julgado por um puto. Você gostaria?

GDP is nonsense

GDP: nonsense on stilts:

Economic growth, or just growth, is today’s holy grail, on every politician’s lips .. Yet there are two glaringly obvious reasons why the whole concept of GDP is pure piffle.

Mathematical accuracy is impossible ..

But far more important is the nature of GDP itself. In particular, to what extent does it measure current consumer standards as opposed to prosperity in future? These two are entirely at odds with each other, because future prosperity is governed largely by the role of capital goods. But an increase of capital (i.e. savings and investment) means that current living standards are held back in the short term. So guess what: GDP statistics take little or no account of saving, the sine qua none for long term growth!

Ludwig von Mises, the great Austrian School economist, said that any macro-economic concept of national income is a mere political slogan devoid of any cognitive value. In fact it is worse than that because the GDP concept totally obliterates what is actually going on in a market economy.

Murray Rothbard, another king of the Austrian School, argued that all government spending should be subtracted from private spending as depredation on private production, and then we should subtract the resources drained from the private sector, to arrive at ‘Private Product Remaining in Private Hands’. Which brave economist will sign up to calculate this? Whatever, we must wean ourselves off GDP and all its works.

Libertarianism and Humility

On August 14, 1990, at the International Society for Individual Liberty’s 5th World Libertarian Conference, Milton Friedman took a step back from the details of public policy issues and discussed basic libertarian beliefs and values. “I have no right to coerce someone else,” he said, “because I cannot be sure that I’m right and he is wrong.”

Você é mais rico do que você pensa…

Talvez o leitor não se aperceba, mas… você é mais rico do que pensa. Ora veja:

Imaginemos alguém rico e com todas as mordomias da época… por exemplo… Karl Marx.
Pensem no dia-a-dia dele. Por mais dinheiro que Engels lhe desse, tinha de acordar num colchão mais fraco do que o de um sem-abrigo que viva hoje no Porto. As suas casas de banho não tinham água corrente. O seu pequeno almoço só incluía fruta da época. Não podia ouvir senão música tocada ao vivo, o que reduzia as suas escolhas em géneros musicais a muito menos do que o caro leitor pode hoje ouvir sem custos em segundos e com o benefício do vídeo. Só podia corresponder-se por carta. Dificilmente poderia deslocar-se a grandes distâncias, e nunca em menos de semanas. Andava muitas vezes por ruas que cheiravam mal por falta de saneamento. Não podia usufruir de televisão, cinema, internet, telefone, telemóvel, câmeras, … Bolas, nem uma aspirina ele podia tomar! Quase que se torna compreensível porque andava sempre de mal com o mundo!

Como refere o vídeo, eu não aceitava 1 milhão de Euros para aceitar a penalização de nunca mais usar a internet. Digo mais: todo o dinheiro que o Marx alguma vez recebeu do Engels não me pagava eu aceitar essa condição.

Assim, mesmo em crise, a sociedade ocidental dá-nos condições que nem aos super-ricos estavam acessíveis nos séculos anteriores! E em quantidades inimagináveis.

A eficiência, a cooperação espontânea, a complexidade das cadeias de valor, o valor acrescentado crescente de toda esta estrutura, a auto-coordenação implícita mesmo num simples lápis, a mim deixam-me como se a ouvir Bach, a ler Camões ou a ver o pôr-do-sol na Ilha da Páscoa.

Para alguém criado próximo da Natureza, a economia faz-me lembrar a floresta. O seu fervilhar, a luta pela sobrevivência empresarial, as suas reacções complexas e individuais mas coordenadas aos factores externos, os resultados de anos de evoluções baseados em pequenos nadas de seres que baseados no seu próprio interesse tomam as melhores decisões para a adaptação do todo a sempre novas circunstâncias, é lindo e, de um certo modo, poético.

E no fim, o resultado é que os organismos não só sobrevivem, mas se adaptam e mesmo prosperam, ocupando os espaços disponíveis, fazendo o espaço borbulhar de vida, crescendo e adaptando-se e proporcionando ao observador atento momentos de interior satisfação.