Da ‘alegria’ com a diminuição dos vencimentos dos funcionários públicos

Pela Maria João Marques

A maluquinhos avulsos que se manifestam por caixas de comentários revoltando-se contra o regozijo dos que não trabalham para o estado pela suspensão dos subsídios de Natal e de férias aos funcionários públicos, aproveito para fazer uma declaração de interesses, apoiando como apoio esta medida do governo. Apesar de trabalharmos desenfreadamente para vendermos o mais possível  fora deste país doente, a minha empresa vende também em Portugal. Este ano, com todos os aumentos de impostos, temos tido um abrupto decréscimo das vendas por cá – e não vai haver Natal. Para o ano teremos mais impostos e a diminuição do rendimento disponível dos funcionários públicos. Os nossos clientes, cá, vão vender menos, nós teremos destino semelhante. Tudo isto depois de uma década em que estivemos permanentemente fazendo por sobreviver – e sobrevivendo bem, diversificando mercados e produtos – a um estado que tudo fez para nos complicar a vida (os aumentos temporáriosde impostos iniciaram-se em 2002 e regulamentação e burocracias nem vale a pena referir – o SIMPLEX é uma miragem que nem chegou às camadas exteriores das imbecilidades regulamentares portuguesas). Logo, para mim, que não sou directamente afectada pela diminuição dos vencimentos dos funcionários públicos, esperam-me dois anos que de súbito se aguçaram.

 

Agradece-se, assim, que os maluquinhos avulsos se restrinjam às caixas de comentários; se alguém tem a ousadia de me afirmar presencialmente da minha alegria com o OE2012, é provável que ouça algumas palavras azedas. Mais ou menos as mesmas que ensaiei quando fui obrigada a questionar-me se a poupança – muito necessária – com os vencimentos da função pública teve como fim a consolidação orçamemental ou apenas permitir que o governo gaste o valor poupado com os funcionários públicos noutro lado, naqueles subsídios que tem dito, para meu alívio e com a minha concordância, não ir distribuir.

7 pensamentos sobre “Da ‘alegria’ com a diminuição dos vencimentos dos funcionários públicos

  1. lucklucky

    E chega o primeiro ataque directo contra a liberdade de expressão feita pela classe política europeia. -esperado diga-se para quem não tem ilusões sobre quem é aquela gente e que a União Europeia é um projecto de tirania de uma classe política –

    Com os jornalistas domados, basta olhar para os “correspondentes” os poucos incómodos que restam são silenciados. Quando a censura chegar à net não se admirem.

    http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=2070017&success=1

    “A União Europeia (UE) quer proibir as agências de ‘rating’ de avaliar Estados, noticia hoje o matutino alemão Financial Times Deutschland, que teve acesso a um projecto ainda confidencial do comissário europeu para o mercado interno, Michael Barnier.
    No projecto de reforma da lei sobre as agências de ‘rating’, Barnier propõe que a nova agência europeia de supervisão de títulos bolsistas, a ESMA, passe a ter o direito de “proibir temporariamente” a publicação de avaliações sobre a solvibilidade financeira dos Estados.”

    E são tão inteligentes que o mercado vai logo colocar em lixo quando alguém entrar em período de censura. Ou também o conhecimento do período de censura vai ser censurado pelo lápis azul?

  2. JS

    LLucky “…quem é aquela gente, e que a União Europeia é um projecto de tirania de uma classe política…”. Exactamente.
    Políticos -com prementes interesses pessoais de re-eleição nos seus Países- rodeados de funcionários públicos, “Comissários”, saltitando, eles mesmos, em busca desesperada de re-nomeação foi, é, a formula do desastre chamado “União Europeia”. RIP.
    Já estamos na fase do “salve-se quem poder” ?. Afinal até já o “hamlético” Prof. Cavaco Silva bate no ceguinho.
    Obs.- Hamlético: adj. || que diz respeito a Hamlet, personagem do dramaturgo inglês Shakespeare e príncipe lendário dinamarquês. || Próprio de Hamlet; trágico, tétrico. F. Hamlet, n. pr (Dicionário Aulete).
    .

  3. Alexandre

    Por acaso desconfio que os os seus “dois anos que de súbito se aguçaram” lhe causaram tanto transtorno como para aqueles acerca do qual está tão alegre. É isto o tal egoismo ético?

  4. Os funcionários públicos são todos uns malandros. Só não percebo como é que isto está como está porque, apesar dessa malandragem, a abnegação e o esforço hercúleo dos privados devia puxar isto para cima e compensar a vadiagem do funcionalismo público. Eu, por exemplo, chego à escola e digo logo aos alunos para fazerem um desenho e sento-me a beber uma mine e a comer uma sande – levadas de casa, claro, que não estou para encher os bolsos a snacks privados.

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