Circo de Outono

Más tarde, en París, puse la televisión por pura casualidad. Allí estaba Olof Palme asegurando en perfecto francés que la historia de los impuestos se había exagerado demasiado, que no era un efecto de la política fiscal de la socialdemocracia, y que era amigo mío. En ese instante lo desprecié.

Ingmar Bergman, Linterna Magica

Na sua juventude e princípio da idade adulta, Ingmar Bergman foi um admirador do nazismo e seguiu as proezas militares de Hitler com especial carinho. Quando, no final da guerra, enfrentou os testemunhos dos sobreviventes e as fotografias de Bergen-Belsen, Bergman ainda se defendeu, conjecturando propaganda nas palavras e montagem nas fotos, antes de render-se à realidade: havia sido cúmplice de uma ideologia criminosa.

Mais tarde, converteu-se à social-democracia, e foi um fiel súbdito do Estado Social e da doutrina da elevada taxação do contribuinte durante três décadas. Mas em 1976, após ser injustamente perseguido e humilhado pelo governo sueco devido a um problema tributário, Bergman exilou-se na Alemanha e disse do regime o que Maomé não disse do porco. Não sabemos se o cineasta se transformou então num “perigoso neoliberal”, mas é certo que deu mais um passo no sentido da desconfiança crónica de sistemas políticos que, mais ou menos perversos, não hesitam em submeter o indivíduo aos interesses de uma abstracção chamada “colectivo”. (Em contacto com o teatro alemão, passou também a referir-se com sarcasmo aos actores suecos e à sua pouca vontade de ensaiar, escondida sob a cobertura dos “direitos”, da defesa da vida familiar e do perigo para o acto artístico que pode resultar do excesso de trabalho).

Os Bergman nazi e socialista talvez estivessem hoje ao lado dos indignaditos. O Bergman do exílio era bem capaz de lhes dar uns açoites. São só hipóteses mas uma coisa é segura: não estamos presos a uma doutrina e os acidentes de percurso ou o discernimento podem sempre levar-nos no bom caminho da liberdade.

Um pensamento sobre “Circo de Outono

  1. neotonto

    Passei por aquí e achei que tanto o trabalho de preparar e memorizar vidas alheias para escreber este post dava quando menos para ter como mínimo uma visita e um comentario. O meu.

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