E se de repente um sindicato lhe oferecer uma notícia em bouquet isso é…

Jornalismo de referência.

Atentem, por exemplo, na qualidade jornalística deste parágrafo de uma “notícia” intitulada “Acabar com o envio dos mapas de horários de trabalho à ACT é um “erro”:

“A inspectora Maria Armanda Carvalho questiona-se sobre essa “figura da autorização automática” e como funciona. Ninguém analisará os pedidos? E se o seu conteúdo não for rigoroso ou aceitável? Não haverá o risco de reduzir requisitos legais a meras formalidades? Haverá ainda uma portaria a determinar esse procedimento? Que sistema informático irá dar essa “autorização automática”? Dúvidas ainda sem resposta.”

Dúvidas ainda sem resposta? Que tal o senhor jornalista do Público ir à procura das respostas antes de fazer copy/paste do que Sindicato dos Inspectores de Trabalho lhe deu? A ACT não quis comentar e a história acaba aí? Mas afinal o senhor jornalista do Público é pago para quê?

7 pensamentos sobre “E se de repente um sindicato lhe oferecer uma notícia em bouquet isso é…

  1. Luís Lavoura

    “afinal o senhor jornalista do Público é pago para quê”

    O problema, se calhar, é que o senhor jornalista do Público é mal pago e, por isso, não tem tempo para investigar minimamente aquilo que escreve.

    Isto cada vez acontece mais, hoje em dia, devido às quebras nas tiragens dos jornais e nas receitas da publicidade.

  2. Dervich

    Pois se “a ACT não quis comentar” foi precisamente por isso que as dúvidas ficaram sem resposta: trata-se de um facto, não de uma opinião!

    O jornalista fez aquilo que devia tentando consultar a outra parte envolvida, se inventasse tentando responder àquilo que não lhe compete (como se irá ou não sair uma portaria), aí é que estaria a prestar um mau serviço…

  3. Dervich,

    Acha que o que o sindicato do inspectores deu ao jornalista são factos ou opiniões?

    O que é para si uma investigação jornalística? O que é para si o papel de um jornalista? Pedir comentários e fazer copy/paste de comunicados que alguém lhe dá ou verificar o que lhe estão a dizer e tentar responder preencher lacunas antes de vir dizer que isto ou aquilo é um “erro”?

  4. Dervich

    Tomás,

    Obviamente que aquilo que o jornalista recebeu e publicou são opiniões (excepto os dois primeiros parágrafos da notícia) e foi publicado enquanto tal (com aspas e tudo), portanto, qual será o problema?

    Pode-se fazer jornalismo de investigação ou pode-se relatar notícias, neste caso, fez-se a 2ª hipótese.
    Seria desejável existir mais jornalismo de investigação? Sim, sem dúvida, mas é o que temos, tanto no Público como nos outros, pelas razões que o Luís Lavoura disse…

    Não foi o jornalista que falou em erro, ora repare lá bem no subtítulo:

    “é um “erro” e “vai dificultar” a actividade de fiscalização laboral, considera a direcção do Sindicato dos Inspectores de Trabalho ouvida pelo PÚBLICO”

  5. lucklucky

    Nem quero imaginar como se fazia jornalismo há 30 anos…50 anos…80 anos. É estranho que com tanta pobreza existissem jornais até…

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