Permitam-me um bocadinho de “fundamentalismo demagógico” a propósito da RTP

Até estou disposto a admitir que a RTP não é só um esquema para oferecer empregos bem remunerados a uns milhares de pessoas. Mas uma coisa é certa: a RTP não é um grupo de comunicação social. É um braço político do(s) Governo(s) e é como braço político do(s) Governo(s) que tem de ser avaliada. É por isso que me faz alguma confusão ver o Manuel Castelo-Branco falar em “racionalizar” a RTP sem sequer aflorar essa questão.

A RTP tem uma única missão, arranjar votos, e duas formas de cumprir essa missão: indirectamente, através do “serviço público” (que muita gente defende mas que pouca gente vê) e do condicionamento do sector da comunicação social e, directamente, através de propaganda mais ou menos explícita. “Racionalizar a RTP” significa melhorar o rácio euro/voto do dinheiro que os contribuintes portugueses metem na empresa. Não significa, ao contrário do que o Manuel Castelo-Branco diz, combater o desperdício, arranjar estruturas mais produtivas ou definir estratégias empresariais racionais. Isso é o que os privados fazem. Isso é o que só os privados podem fazer. Logo, se é para avançar nesse sentido, mais vale passar-lhes a bola o mais rapidamente possível.

O problema é que, se a RTP cumprir a sua missão como empresa pública, funciona como uma espécie de subsídio à acção governativa. Um subsídio que os contribuintes são obrigados a pagar pelos governos cuja acção subsidiam. Não me parece uma situação particularmente higiénica. Como se isto não bastasse, ainda resta saber se os contribuintes ganham alguma coisa com esse subsídio, ou seja, se ao subsidiarem essa acção governativa subsidiam a qualidade da acção governativa ou apenas a sua quantidade (e, pelos vistos, o resultado líquido dos concorrentes da RTP).

Enquanto a RTP for pública, são estas as contas que têm de ser feitas. A RTP é mal gerida porque é pública e não é “racionalizável” enquanto se mantiver pública. Eu percebo que eventualmente não se possa falar desta questão abertamente mas talvez o facto de não se poder falar disto acabe por ser o melhor argumento para se tirar de uma vez por todas o Estado da comunicação social.

17 pensamentos sobre “Permitam-me um bocadinho de “fundamentalismo demagógico” a propósito da RTP

  1. “Não significa, ao contrário do que o Manuel Castelo-Branco diz, combater o desperdício, arranjar estruturas mais produtivas ou definir estratégias empresariais racionais. Isso é o que os privados fazem. Isso é o que só os privados podem fazer. Logo, se é para avançar nesse sentido, mais vale passar-lhes a bola o mais rapidamente possível.”

    nota-se…a estratégia dos privados, da Banca e do Betão, para Portugal está vista…privatizar a RTP, no actual contexto economico-social-politico, é burrice!! aliás, o que Portugal necessita urgentemente, é de uma nova Lei para a Comunicação Social…ainda para mais, quando vem ai o maior ataque à Igreja Católica Portuguesa…não admira que os Judeus Iberista queiram destruir a Radio Televisão Portuguesa…

  2. ruicarmo

    Lá tinha que vir a teoria da conspiração. Sem a RTP (todos os seus canais) e a rádio pública (todas as estações) a vida acabava, embora folgasse o bolso dos contribuintes.. Não sei mesmo como a vida continua para o tric, depois da privatização dos jornais e da tv guia.

  3. “Não sei mesmo como a vida continua para o tric, depois da privatização dos jornais e da tv guia.”

    Não sei porquê, mas os Judeus-Maçonaria tem um grande apetência para controlar os orgãos de comunicação social…deve ser por causa, que os jornais e a TV guiam…

  4. Luís Lavoura

    “A RTP tem uma única missão, arranjar votos”

    Não há dúvida de que isto é bastante demagógico e fundamentalista. Muito, mesmo.

  5. libertas

    “A RTP tem uma única missão, arranjar votos” Não há dúvida de que isto é bastante demagógico e fundamentalista. Muito, mesmo.

    -O Tomás falou de outra missão: montar um esquema para oferecer empregos bem remunerados a uns milhares de pessoas.
    E eu falo de outra missão: arranjar bons contratos, boas avenças para sacar boas comissões.

  6. lucklucky

    A RTP existe para tirar recursos a quem não concorda com a sua ideologia..
    A RTP existe para fazer propaganda à esquerda e direita soci@listas, aos unionistas europeus. Sem a RTP não estaríamos na “União”.

  7. Luís Lavoura

    Tomás Belchior,

    a RTP como empresa pública é um resquício do passado, que eu não defendo. Acho perfeitamente bem que um dos canais de televisão e dois dos canais de rádio sejam privatizados. Porém, daí até afirmar que a única missão da RTP é angariar votos para o partido do governo, vai uma enorme distância. Costumo ouvir noticiários da RTP (tanto na rádio como na televisão) e nunca detetei neles tendenciosidade pró-governamental.

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