A liberalização do jogo

Macau, a antiga colónia Portuguesa com um pouco menos de 30 quilómetros quadrados (60 vezes mais pequeno que o concelho de Odemira), obtém hoje em receitas de jogo o correspondente a cerca de 15% do PIB português. Isto, claro está, não contando com todas as outras receitas do turismo dos jogadores que visitam o território. De forma pouco surpreendente, a explosão nas receitas aconteceu quando Macau deixou de ser território português.

Em Portugal, qualquer pessoa é livre de viciar-se em poker, perder o salário em apostas desportivas ou rebentar com as poupanças de uma vida na Roleta, desde que o faça sozinho em casa em frente a um computador. Enquanto isso, os espaços físicos que tornam o jogo uma actividade social e de potencial turístico continuam a ser fortemente regulados e as escassas receitas oferecidas de bandeja a dois ou três oligopolistas.

Também é disto que se faz a pobreza.

Da mesma série: Da liberalização do jogo, Uma sugestão ao novo governo

4 pensamentos sobre “A liberalização do jogo

  1. Luis Parreira

    Pois o problema é permitir-se que isso possa acontecer on-line, não é dificultar que isso aconteça em casinos reais.
    Os casinos são um meio de alguns se aproveitarem de uma doença que afeta milhões.
    O que diria de estabelecimentos que vendessem heroína a toxicodependentes, sendo que uma parte do lucro iria para o Estado? No fundo, isto não é tão diferente assim de um casino.

  2. Luís Lavoura

    Concordando em geral com o post, é preciso no entanto ver que o jogo tem soma nula. Ou seja, no jogo não se cria dinheiro, ele apenas passa de umas mãos para outras.
    Portugal só poderia lucrar com uma liberalização do jogo se os jogadores fossem estrangeiros. Caso contrário, o único efeito será transferir dinheiro de uns portugueses para outros.
    Macau lucro com o jogo porque grande parte dos jogadores são estrangeiros, viz. chineses não-residentes.

  3. Carlos Guimarães Pinto

    Luis Lavoura, isso implicaria que os jogadores não retirassem prazer do acto de jogar. Mas é evidente que a liberalização do jogo permitia por um lado substituição de importações (o montante gasto pelos portugueses que jogam em casinos online) e aumento das receitas de turismo. já para não falar da questiúncula da liberdade.

  4. Ricardo Batista

    A oferta de um monopólio pelo estado é uma anormalidade em qualquer circunstância. Sobre a questão do vício é uma opinião, mas não é uma razão suficientemente forte para retirarmos liberdades às pessoas. Se assim fosse teriamos também que fechar os bares porque há pessoas viciadas em alcool. E proibir a internet porque há pessoas viciadas em facebook. Além disso, no que toca a heroina, a sua proibição só está a fazer um favor aos traficantes…

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