Como pode o Banco Central aumentar a Base Monetária se a banca não aumentar o crédito?

Podem ler em detalhe neste artigo.

PS: Mesmo quando o “Multiplicador do Crédito” tem um comportamento tipo…

10 pensamentos sobre “Como pode o Banco Central aumentar a Base Monetária se a banca não aumentar o crédito?

  1. Carlos Novais

    O total de stock de crédito concedido pela banca comercial (aquela que cria moeda para expandir o stock de crédito) não pode baixar consistentemente sem todo o sistema colapsar, como tal, tem sempre de subir, nem que seja com o Banco central a monetizar dívida, que é o que está a fazer. À medida que os Bancos Centrais acumulam dívida nos seus balanços vão descobrir que não há forma de se livrarem dela (ou exigirem o seu reembolso sem rollover) sem primeiro inflacionarem o sistema.

    A injecção sem precedentes de reservas, aumentando o total de excesso de reservas no fundo cobre em parte os depósitos que deviam ter reservas de 100% mas não o têm. Ou seja, apesar dos Bancos terem reservas parciais, depois de uma crise, os Bancos Centrais acabam a injectar as reservas necessárias para cobrir a movimentação de depósitos entre bancos incluindo o facto de deixarem de se financiar uns aos outros.

    Inflacionar será sempre o recurso, porque se não o fizerem vão existir problemas sistémicos de crédito. Mas com inflação passa a existir outro problema. Mais tarde o mais cedo vão ter de optar por um ou outro caminho.

  2. Paulo Pereira

    Este artigo mostra que os austriacos estão a começar a ir por um bom caminho e um dia destes irão perceber como funciona o sistema monetário moderno com crédito.

    Vão verificar que o QE não tem efeitos práticos, apenas aumenta as expectativas de inflação, porque os bancos não aumentam o crédito porque têm depósitos mas sim porque têm clientes solventes que querem crédito.

    Vão verificar que num sistema monetário normal as diferentes taxas de juro podem ser totalmente definidas pelo estado e pelo banco central, através do controle de emissão e compra de titulos pelos vários prazos.

  3. Carlos Novais

    “Este artigo mostra que os austriacos estão a começar a ir por um bom caminho e um dia destes irão perceber como funciona o sistema monetário moderno com crédito.”

    nem os próprios defensores deste “sistema monetário moderno” o percebem, se percebessem não teríamos bolhas e crises recorrentes, não é?

    “Vão verificar que num sistema monetário normal as diferentes taxas de juro podem ser totalmente definidas pelo estado e pelo banco central, através do controle de emissão e compra de titulos pelos vários prazos.”

    chamar a isto um “sistema monetário normal”…

  4. ricardo saramago

    O multiplicador do crédito também funciona quando o crédito diminui. Nesse caso multiplica a contracção da massa monetária. A injecção pelos bancos centrais de liquidez no sistema de forma ilimitada , não tem qualquer efeito prático, porque a liquidez excessiva volta para o balanço dos bancos centrais sob a forma de depósitos feitos pelas instituições financeiras.
    Só há uma forma de aumentar a massa monetária nesta situação extrema: aumentando a procura de crédito por empresas e particulares (está a suceder o contrário) ou pelo sector público(Já não é possível devido ao nível de endividamento público).

  5. Paulo Pereira

    Como foi verificado em 1930 e em 2008 e demonstrado em 1936 o sistema capitalista monetário, por si só não consegue escapar de uma crise económica grave que crie uma contração grande no crédito.

    Só o aumento da procura a partir do sector público pode repor o sistema a crescer .

    No caso do Euro a situação é muito mais complicada, porque é uma moeda exterior a todos os países, permitindo a fuga continuada de Euros para os paises com balança corrente positiva.

    Assim em Portugal , temos de exportar mais e importar menos, essa é a única solução para continuarmos no EURO.

  6. Há um problema de definições com o título.

    Onde se lê Base Monetária devia estar Massa Monetária (Total). A base monetária (notas de papel mais moeda metálica em circulação) é o que o banco central controla à sua vontade (pelo menos quando se trata de aumentá-la, porque quando se trata de diminuí-la, é limitado pelo montante dos activos que tem de património). O que não controla é a massa monetária total, apesar de influenciá-la. Este agregado, além da base monetária, incluí a moeda fiduciária (essencialmente, o crédito que os bancos concedem recorrendo aos depósitos dos clientes), e por isso depende das decisões dos bancos comerciais (daí o banco central não ter controlo total sobre a massa monetária). Quando estes aumentam as suas reservas face ao total de depósitos, o aumento da base monetária é contrabalançado por uma diminuição do multiplicador monetário, e a massa monetária total não cresce tanto como faria de outro modo.

  7. CN_

    Quando um Banco Central compra títulos aumenta a massa monetária.

    O Paulo Pereira continua a achar que as cises e a deflação de crédito nada têm que ver com a bolha e a inflação de crédito que as precede.

  8. Ricardo Campelo de Magalhães

    “Como foi verificado em 1930 e em 2008 e demonstrado em 1936”
    Alguém aqui não leu Hazlitt…

    “Só o aumento da procura a partir do sector público pode repor o sistema a crescer .”
    lol
    1) O consumo privado não serve é?
    2) E o consumo público é feito à custa de quê? De impedir os privados de consumir, via impostos! Não fica óbvio que o que é gasto dessa forma não é gasto de outra e que no fundo um e outro montante se compensam?
    3) Se o sector público estoura o dinheiro no 1º projecto que aparecer (exemplo: Aeroporto de Beja), como é que vai pagar o dinheiro que pediu emprestado? Vem do “retorno” dos projectos ou da contração do consumo privado?
    4) Porque é que os países com maior sector público a contrair (China, por ex) crescem e os do sector público em expansão (EUA) tem tanta dificuldade em crescer? Isso tem alguma aderência à realidade?
    Eu a debater consigo perante um público e com tempo…

    “No caso do Euro a situação é muito mais complicada, porque é uma moeda exterior a todos os países, permitindo a fuga continuada de Euros para os paises com balança corrente positiva.”
    O conceito de “externa” nesta frase é engraçado.
    Fica-se sem perceber se a fuga é entre países dentro da UEM (dos deficitários para os outros) ou de dentro para fora, mas o que é certo é que esse é um problema que ocorreria qualquer que fosse a moeda: se consumimos e não produzimos, a moeda “foge”. Qualquer sistema tem esse “problema” e exige a poupança. “Desvalorizações competitivas” só adiam o problema até o sistema implodir.

    “Assim em Portugal , temos de exportar mais e importar menos, essa é a única solução para continuarmos no EURO.”
    CORRECTO.
    E penso que considera isso negativo (produzir mais e consumir menos deve ser contra o que anda a ler), mas garanto-lhe que é a única solução.
    Outras são temporárias e terão sempre o mesmo desfecho.
    Para citar o Mestre,
    “THERE IS NO MEANS OF AVOIDING THE FINAL COLLAPSE OF A BOOM BROUGHT ABOUT BY CREDIT EXPANSION. THE ALTERNATIVE IS ONLY WHETHER THE CRISIS SHOULD COME SOONER AS THE RESULT OF A VOLUNTARY ABANDONMENT OF FURTHER CREDIT EXPANSION OR LATER AS A FINAL AND TOTAL CATASTROPHE OF THE CURRENCY SYSTEM INVOLVED.”

    Ludwig von Mises – Austrian Economist (1881- 1973)

  9. PMP

    “O Paulo Pereira continua a achar que as cises e a deflação de crédito nada têm que ver com a bolha e a inflação de crédito que as precede.”

    O facto da crise resultar de um fim de ciclo de expansão do crédito privado não quer dizer que não deva ser travada antes que crash toda a economia e todo o sistema bancário. Para isso basta , num sistema monetário normal com câmbios variáveis (o Euro não é normal) , aumentar a despesa pública de um valor que impeça o PIB de decrescer.
    Os austriacos têm a mania que a economia e os bancos têm de crashar , só para verem como é giro !

    “1) O consumo privado não serve é?

    Como aumentar o consumo privado numa recessão em primeiro lugar ? É uma impossibilidade lógica

    2) E o consumo público é feito à custa de quê? De impedir os privados de consumir, via impostos! Não fica óbvio que o que é gasto dessa forma não é gasto de outra e que no fundo um e outro montante se compensam?
    3) Se o sector público estoura o dinheiro no 1º projecto que aparecer (exemplo: Aeroporto de Beja), como é que vai pagar o dinheiro que pediu emprestado? Vem do “retorno” dos projectos ou da contração do consumo privado?

    Se o deficit corrente for nulo ou em superavit o consumo publico aumenta o PIB com um efeito multiplicador (ciculação infinita dos fundos) o que aumenta os impostos, aumenta o consumo privado, não é à custa de ninguem (fia-money para quem está esquecido que o padrão.ouro morreu)

    4) Porque é que os países com maior sector público a contrair (China, por ex) crescem e os do sector público em expansão (EUA) tem tanta dificuldade em crescer? Isso tem alguma aderência à realidade?

    China é uma ditadura que usa o conceito de fiat-money como numa guerra. Tem deficits publicos implicitos (contando com o credito dos bancos publicos) elevados (15 a 20%)

    Os EUA têm deficit corrente elevado por isso têm dificuldade em crescer, pois subtrai ao PIB como devem saber.

    O aumento das exportações e diminuição das importações para salvar o país não tem nada a ver com aumento da poupança ou diminuição do consumo, mas pelocontrário. Siginifica apenas que temos de exportar mais e importar menos produzindo mais dentro do país. Assim o PIB aumenta e o racio de divida publica / PIB diminiui o que acalmaria os mercados, além do aumento do emprego, da receita fiscal, redução da despesa social, etc.
    Para isto são precisas politicas industrias e forte cooperação entre o estado e as empresas de transacionáveis, a la Coreia dos anos 60 e 70.

  10. ricardo saramago

    O superavit público, se não for utilizado no reembolso de dívida pública a nacionais, é por definição contraccionista e tem efeito multiplicador sobre o PIB negativo.Nunca ninguém ouviu falar dum superavit público com efeito expansionista.
    O efeito keynesiano de multiplicador é via aumento da despesa G. Se for acompanhado de aumento de impostos anula o efeito expansionista pela via da diminuição do rendimento disponível.

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