Prioridades

[A]s pílulas [anticoncepcionais] deixam de ser comparticipadas pelo Estado. Por exemplo uma pílula que custa actualmente 5,57 euros, passa para os 18 euros a partir do mês de Outubro.

TSF

Uma curiosa noção de prioridades deste governo em matéria de SNS: Deixa rapidamente e em força de comparticipar as pílulas contraceptivas, enquanto mantém a comparticipação da pílula do dia seguinte, a gratuitidade (e prioridade) da prática de abortos no SNS, e o pagamento pela segurança social de licenças de “maternidade” a quem tenha feito um aborto.

Presumo que a mensagem a passar seja, portanto: não faça contracepção que é chato e é caro, aborte depois de borla no caso de engravidar e ainda ganha uns dias de férias à conta disso.

Curiosa noção de prioridades, sem dúvida.

Não percebo o que vai passando pela cabeça destes sujeitos.

Leitura adicional: Perguntas à “direita da receita”.

6 pensamentos sobre “Prioridades

  1. FGCosta

    Penso que, como médico, posso dar uma achega: as pílulas e vacinas continuarão a ser gratuitas nos centros de saúde. Ora, como as pessoas já lá têm que ir para levantar as receitas, não estou a ver qual o problema. Apenas haverá algumas marcas de pílulas que não serão fornecidas, e nesse casos deverão ser compradas por inteiro. Mas podem facilmente ser substituidas pelas outras (salvo alguns casos muito raros).
    O mesmo se passrá com as vacinas.
    O razão de ser deste procedimento é simples: sai mais barato ao estado comprar grandes quantidades em concurso e fornecê-las gratuitamente dos que comparticipar. De notar que o fornecimento gratuito de pílulas e vacinas já existe há mais de 15 anos.
    Parece-me uma medida acertada em termos de contenção, com a vantagem de haver um controlo do fornecimento.
    Aliás, como foi sugerido há algum tempo pelo anterior bastonário da Ordem dos Médicos (para grande susto da Associação Nacional de Farmácias) se o mesmo fosse seguido (falo apenas da distribuição gratuita e não da suspesão de comparticipação) para um ou dois tipos de medicamentos para a hipertensão, colesterol, e problemas de estômago (as maiores fatias de despesa com medicamentos), o estado pouparia muitos milhões…

  2. “Penso que, como médico, posso dar uma achega: as pílulas e vacinas continuarão a ser gratuitas nos centros de saúde. Ora, como as pessoas já lá têm que ir para levantar as receitas, não estou a ver qual o problema. Apenas haverá algumas marcas de pílulas que não serão fornecidas, e nesse casos deverão ser compradas por inteiro”

    Só há um pequeno conjunto de problemas:

    – Nem todas as pessoas têm médico de família.
    – Nem todos terão a disponibilidade de passar pelos centros de família, que pela deficiência do atendimento destes, quer pela dificuldade de conciliar essa ida com a vida profissional.
    – Ao que sei (e poder-me-à eventualmente corrigir) as denominações que estão disponíveis de pílulas para distribuição nos centros de saúde são de produtos em grande parte ultrapassados.
    – Há sistemáticas roturas de stocks de pílulas nos centros de saúde.
    – Está a excluir (ou passa a excluir) a possibilidade de a prescrição ser feita por um qualquer outro médico, como actualmente acontece. Não são só naturalmente os médicos dos centros de saúde que prescrevem pílulas.
    – O que refere em termos das vacinas não é verdade, porque a vacina da Hepatite B (que também deixa de ser comparticipada) não faz parte do PNV.

    Acrescento que a minha crítica não é no sentido de haver ou deixar de haver prescrição na generalidade (isso é outra discussão). A minha crítica é às prioridades que foram estabelecidas e a conjugação dessas medidas com outras que parecem ser sistematicamente preteridas.

  3. O problema com o corte das comparticipações está nos vãos de escada. Assim ainda há uma possibilidade de não proliferarem, mas se o estado deixa de comparticipar a pílula do dia seguinte e o aborto teremos o regresso em força dos vãos de escada. A realidade é que, um pouco por todo o país, já estão a ser edificados centenas de vãos de escada. Felizmente contamos com a esquerda progressista para obviar a tamanho retrocesso civilizacional.

  4. economista

    Poupa agora na vacina para depois se gastar na doença quando ele já lá não estiver ( e bem recheado numa off-shore-já lá dizia o outro , é melhor ser ex-ministro do que ministro …).
    Portugal tem um problema estrutural grave : O DEFICIT de natalidade o que compromete o nosso futuro , facto agravado pela insustentabilidade da SS pelas vigarices que nela fizeram .
    Este governo repete o cartaz publicitário de Socrates : ” Engravide , pois terá prioritariamente uns longos dias de comida , cama e roupa lavada e em seguida um agradavel subsidio para umas ferias nas Canárias” , como muito bem diz este post
    que não teve a coragen de referir Brito Camacho : “a merda é a mesma , as moscas é que mudam” . O Povo nunca mais aprende … Albino Forjaz de Sampaio . P.P.P.

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