O Gaspar de referência

Na edição (em papel) de ontem do DE, na primeira página está impresso o título: “Gaspar garante que contas da Madeira serão auditadas antes das eleições”. Assim mesmo, o Gaspar. Será o vizinho da frente? O homem da tabacaria? O fantasminha? Ou um dos amigos do Sérgio Godinho? Picuinhices à parte, na edição de hoje há uma ligeira confusão entre alta e baixa, como bem assinala o Joaquim do Portugal comtemporâneo.

O instituto de estatísticas grego reviu em alta a contracção da economia grega de 6,9 para 7,3% nos 12 meses terminados no segundo trimestre.

Vamos lá usar a cabeça: se estava prevista uma contracção de 6,9% e, afinal, o cenário macroeconómico se agravou e a contracção vai chegar aos 7,3%, então o crescimento foi revisto em baixa. Em baixa! Fónix.
O DE não editará as notícias da Lusa?

8 pensamentos sobre “O Gaspar de referência

  1. lucklucky

    Reviu em alta a contracção parece-me correcto. Usar a palavra crescimento quando não há crescimento também pode levar a confusão.

  2. 1) Sobre o uso do apelido Gaspar para designar o Ministro das Finanças: Não vejo onde está o espanto. O anterior MdF não era sempre tratado pelo seu apelido Teixeira dos Santos? Era, e ninguém se admirava. Mais de estranhar era designar o anterior PM pelo segundo nome próprio Sócrates, coisa que não me lembra de ter ocorrido com qualquer outro PM ou simples ministro. Só por ironia ou para o atacar lhe chamavam Sr. Pinto de Sousa.

    2) Confusão entre alta e baixa: A confusão reside no comentário. Se o jornal referia “reviu em alta a contracção” estava absolutamente correcto. Quando o crescimento é negativo chama-se contracção, que evidentemente é positiva. Portanto quando a contracção aumenta, significa que o crescimento baixa ainda mais. Então uma grandeza (a contracção, ou qualquer que ela seja) passar de 6,9 para 7,3 não é uma revisão em alta. É assim mesmo que a grandeza inversa, o crescimento, ao passar de -6,9 para -7,3 seja revisto em baixa. Elementar, meu caro Watson. Quando se tem menos saúde, está-se mais doente, não é assim?

  3. ruicarmo

    Caro Freire de Andrade,
    não se trata de espanto é uma regra jornalística. Seja com o Gaspar ou com o Sócrates.
    O Anterior MdF é tratado por dois nomes.

  4. “O Anterior MdF é tratado por dois nomes”

    Porque o “dos” estimula isso.

    O Miguel Cadilhe era “Cadilhe”, o Eduardo Catroga “Catroga”; o problema com o apelido “Gaspar” é apenas ser um nome usual como nome próprio (como o “André” do meu avô Manuel Madeira André).

  5. ricardo saramago

    Tem que se dar o desconto. Afinal quem escreve estas coisas são jornalistas. É gente que tem dificuldades com os numeros.
    Andaram na escola inclusiva.

  6. Euro2cent

    > Porque o “dos” estimula isso

    Ou a falta de raridade dos apelidos. Se chamassem só Santos, ou Silva, levantava-se uma boa parte da sala.

    Por falar nisso, quando é que ensinam a malta dos “call-centers” a não tratarem os clientes pelo primeiro nome?

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