Quem diria…

No meio de tanta incerteza, é reconfortante ver que às vezes o mundo ainda funciona como devia funcionar. Atentem:

Câmara Corporativa: “Na Saúde os cortes vão ser pagos não com sacrifícios mas com mortes.”

Ladrões de Bicicletas: “o que decorre da «racionalização de recursos e controlo da despesa» na saúde senão uma degradação das condições humanas e materiais inerentes à prestação de cuidados, susceptível de colocar em risco respostas atempadas e a própria vida dos cidadãos?”

Sarah Palin: “The America I know and love is not one in which my parents or my baby with Down Syndrome will have to stand in front of Obama’s “death panel” so his bureaucrats can decide, based on a subjective judgment of their “level of productivity in society,” whether they are worthy of health care.”

Ver a esquerda popular e democrática, a esquerda democrática em anos de eleições e a “extrema direita” americana unidas na luta por uma causa comum é enternecedor. Mas como interpretar esta confluência? Será que têm todos razão ou será que isto apenas prova que a retórica idiota não tem ideologia?

7 pensamentos sobre “Quem diria…

  1. vasco Silveira

    caro Tomás
    Unidas na luta, mas as lutas são opostas não lhe parece: enquanto S Palin não quer que as decisões sobre a saúde dos seus sejam tomadas pelo estado/governo, as ditas esquerdas querem que o mesmo assuma sempre todos os encargos das mesmas.
    Ou será que se dirá que a União Soviética e a Alemanha estavam unidas na luta em 1943?

    Desculpe ser maçador, mas este tipo de imprecisões é muito comum nas ditas esquerdas, e eu que já vou caminhando para velho, fico um pouco incomodado com isso.

    Vasco

  2. Tomás Belchior

    Vasco,

    O meu post era uma crítica à retórica utilizada, não às diferenças políticas subjacentes.

  3. PMP

    Vamos mas é copiar os sistemas universais de saúde e de ensino e de segurança social da Suécia e Dinamarca, países ricos e com elevada qualidade de vida, em vez de inventar sistemas ineficientes e injustos.

    A Sara Palin não faz a minima ideia em como os sistemas de saude universais de quase todos os paises da OCDE funcionam e os seus resultados.
    Comentar propostas dessa senhora só se for para nos rirmos da parvoice e ignorância que sai da boca dela.

  4. Joao Branco

    Vai ser fácil verificar que de facto os cortes vão causar mortes. Bastará ver a evolução das estatísticas de mortalidade daqui a uns anos… A diminuição de prestações universais de saúde tem geralmente esse efeito, mesmo que o gasto efectivo em saúde, suportado pelos utentes, não baixe (é a razão da taxa de mortalidade nos EUA ser mais elevada que na Europa). As estatísticas não mentem, mas decisão de alocar o dinheiro é, obviamente, politica.

  5. Tomás Belchior

    João Branco,

    Correlação não é a mesma coisa do que causalidade. A evolução das estatísticas da mortalidade tem inúmeras explicações e a dinheiro que se gasta em saúde nem há de ser uma das principais. Se as pessoas passassem todas a fazer exercício e comer verduras, as estatísticas da mortalidade melhorariam independentemente do dinheiro que se gasta em saúde.

    As estatísticas não mentem, as interpretações que fazemos dessas estatísticas é que podem estar erradas.

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