Steve Jobs é adulado. Os outros… são “Robber Barons”!

Neste excelente artigo que recomendoJeffrey Tucker pergunta:

Se toda a blogsfera exultou  – e bem – o génio de Steve Jobs e lhe concedeu direito a hossanas, porque é que outros empresários têm um tratamento tão diferente?

Porque é que Bill Gates levou com uma tarte na cara?

Porque é que génios do passado foram classificados como “Robber Barons“?

Porque é Belmiro diabolizado e Jobs cool?

Ficam as perguntas, aguardo as vossas opiniões com curiosidade…

Edit: E acabei de descobrir que ele também é Bilionário. 3B. Nada mau…

12 pensamentos sobre “Steve Jobs é adulado. Os outros… são “Robber Barons”!

  1. Hipótese A – resquícios do tempo em que a Apple parecia um dos derrotados da competição capitalista?

    Hipótese B – vende um produto bastante popular entre os fazedores de opinião (embora o mesmo se pudesse aplicar a Bill Gates)?

    Hipótese C – (eu sei que soa mal, mas talvez seja a verdadeira razão) Elogio fúnebre?

  2. Ricardo Campelo de Magalhães

    C não porque isto já se passava ANTES.
    A não sei, pois a Google parece perder esse encanto e a Apple não…
    Talvez a B. Ou seja, a opinião mundial depende do que dizem certos fazedores de opinião “cool”…

    O que não augura nada de muito bom noutras áreas.

  3. “C não porque isto já se passava ANTES.”

    Com “isto” o RCM refere-se à admiração por Steve Jobs?

    “A não sei, pois a Google parece perder esse encanto e a Apple não…”

    A Apple foi durante 20 anos a marca que os “alternativos com pretensões artistico-humanisticas” consumiam em contraponto ao “robber baron” Bill Gates (os “alternativos com formação tecnológica” seria mais Linux a correr num PC) – é um passado com tradições; pelo contrário, o Google nunca teve a conotação de “underdog” – quando se começou a falar dele foi quando começou a parecer uma empresa de sucesso.

    “Talvez a B. Ou seja, a opinião mundial depende do que dizem certos fazedores de opinião “cool”…”

    O problema da B é que é um bocado circular.

  4. Agora um comentário completamente off-topic – já repararam que na altura em que o cartoon foi feito, pelos vistos os inimigos do grande capital aparentemente eram a favor do comércio livre (em vez de contra a “globalização capitalista”)?

  5. A hipótese ‘C’ parece-me afastada pela leniência que Steve Jobs sempre gozou ao longo de toda a sua vida profissional.

    A hipótese ‘A’ não me parece congruente com a minha “memória longa”. Trabalhei com um Lisa em 1981/1982 (um péssimo produto); depois, nos finais dessa década, trabalhei intensivamente com Macintosh sendo que, nessa altura, a Apple era vista como o BMW a que os tipos que andavam de Mini (DOS e Windows) invejavam ainda que não lhe pudessem chegar.

    A hipótese ‘B’ é inquestionavelmente válida mas só explica o fenómeno de forma parcial.

    A meu ver, a resposta andará pelo permanente exercício do toque de Midas. Apesar do episódio ‘Lisa’.

  6. Uma nota sobre a ilustração, reforçando a chamada de atenção de Miguel Madeira: repare-se na inscrição da espada em primeiro plano e na “divisa” presente na bandeira/estandarte.

  7. JoaoMiranda

    ««A Apple foi durante 20 anos a marca que os “alternativos com pretensões artistico-humanisticas” consumiam »»
    .
    .
    Era mais “pessoas que não sabiam usar comandos num terminal de texto” ou “pessoas que não sabiam usar computadores excepto se tivessem janelas e controlo pelo rato”

  8. Ricardo Campelo de Magalhães

    Miguel,
    Sim, a admiração por Jobs já vinha de antes. Como é que ele construiu essa imagem de coitadinho e acaba com 3000 milhões de Euros sem perder essa imagem é que é de espantar. Belmiro e companhia perderam o lustro há muito tempo e ainda nem chegaram aos 3B€…

    Quanto ao cartoon, pormenor engraçado que foi notar =)

  9. Ricardo Campelo de Magalhães

    Eduardo,
    Jobs já falhou diversas vezes e já copiou ideias outras tantas.
    E, tal como Bill Gates, o conceito dele é “price it aggressively, go for volume”
    (como pode confirmar aqui: http://www.digitalmusicnews.com/stories/060210jobs)

    Portanto para mim é um mistério.
    Eu como não sou de esquerda admiro os 2. E não percebo porque é que os esquerdas admiram apenas um deles. E amam a Apple mas detestam Microsoft, Apple, Exxon, McDonalds e outras gigantes capitalistas… mais pequenas que a Apple!!!

  10. Anónimo

    A resposta para a sua pergunta está no próprio texto da Forbes:

    “Gates is far richer, but Jobs is way cooler with the kids. For that he can thank two decades of innovative design and catchy marketing”.

  11. “Como é que ele construiu essa imagem de coitadinho e acaba com 3000 milhões de Euros sem perder essa imagem é que é de espantar. Belmiro e companhia perderam o lustro há muito tempo e ainda nem chegaram aos 3B€…”

    Comparação relativa – o outro tecno-milionário é mais rico que ele.

    Mas talvez a razão principal seja mesmo ser de um sector “cool” – note-se que, mesmo que sejam multimilionários, os editores livreiros e os produtores de cinema raramente são chamados de “capitalistas exploradores”, e os milionários da comunicação social só quando são explicitamente de direita (William Randolph Hearst, Murdoch). Falta, claro, explicar a excepção Gates, mas talvez seja porque os conflitos em que ele se meteu (como as quaixas por abuso de posição dominante) foi com gente do mesmo sector, logo aí o factor “sector cool” não o protege; e o facto do Windows ter muito a conotação de “produto para quem não quer perceber muito de tecnologias e quer é uma coisa prática que funcione” também diminui a “coolness”

  12. “Quanto ao cartoon, pormenor engraçado que foi notar =)”

    Por volta de 1900, os anti-capitalismos mais na moda nos EUA eram o anarquismo e o populismo agrário; os primeiros eram provavelmente mais coerentes no anti-estatismo que os ansocs actuais; e os segundos eram livre-cambistas porque quem estava em competição com os concorrentes da Europa eram os industriais (que através do Partido Republicano eram os maiores defensores das tarifas), logo o protecionismo fazia subir o preço relativo dos produtos da indústria e baixar os da agricultura.

    Aliás, interrogo-me se o facto de, nos três principais temas quentes da politica americana da época (protecionismo, intervenção em Cuba e nas Filipinas, bimetialismo vs. padrão-ouro), em dois (os primeiros) os liberais clássicos terem estado ao lados dos populistas e dos socialistas terá contribuido para a bizarra evolução da terminologia politica nos EUA (penso que nessa altura revistas como The Nation e jornais como o New York Times tinham uma linha editorial quase estilo “O Insurgente”, mas passaram a apoiar entusiasticamente os Democratas por serem anti-guerra e pró-comércio livre).

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