Fuga de cérebros

A receita rápida para a redução do déficit público continua a passar por aumento de impostos.  O argumento é que os efeitos são mais rápidos do que medidas que afectem a despesa.

A verdade é que um governo, com apoio de uma maioria parlamentar, pode implementar reduções de custo com efeitos imediatos. Pode fazer alterações mais estruturais aos orçamentos do próprio ano e de gestão corrente ao nível da gestão dos ministérios. Pode mas não faz. Não o faz não por razões de eficácia mas sim por razões políticas. Preferem aumentar os impostos a alguns porque custa menos votos.

As consequências que não aparecem nos modelos econométricos são devastadoras. Quantos é que tinham aguentado para ver o que trazia este governo para decidir se emigravam ou pelo menos mudavam a residência para outro país que não trata quem trabalha e tem valor como escravos de primeira? Quantos é que já terão tomado a sua decisão?

As consequências devastadoras não são os impostos que se perdem. São a produção intelectual materializada em produção e inovação que se perdem. Que se perdem em prejuízo dos mais desfavorecidos, os que não se vão embora porque não podem e que apenas gostariam de ter mais e melhor oferta de trabalho no país em que nasceram ou que escolheram viver.

Faz bem este Governo em preocupar-se com a fuga de capitais e em não introduzir mais impostos ao património. Faz mal este Governo em não preocupar-se com a fuga de cérebros que continuará a acentuar-se na medida que se acentua a fiscalidade sobre quem tem a capacidade de trabalhar bem o suficiente para ter rendimentos de “rico”.

18 pensamentos sobre “Fuga de cérebros

  1. humanity

    ricardo, eu sobre soluções sinceramente nao sei.. mas sei que uma parte da sociedade está neste momento toda esfalfada com todos os aumentos do iva e de restantes impostos.Ora, se as classes baixas já contribuem mais que fortemente para o esforço de contentação orçamental, porque não haverão de também contribuir as classes mais altas.? Um rico tem mais dinheiro que um pobre, mas pertence á mesma sociedade que ele, não a uma paralela..
    Portanto o justo, seria haver um esforço repartido entre todos.Irrita-me bastante a falta de sensibilidade nesta matéria de algumas pessoas, não lançando nomes, mas penso que é muito facil falar quando não se sente na pele o sofrimento de algumas situações´
    Um abraço
    R

  2. humanity

    contenção* peço desculpa pelo erro 😀 mas de contentação de facto dá vontade de rir até doer a barriga xD

  3. caro humanity,
    nao estava a comentar o erro de ortografia, peço desculpa se o induzi em erro, essas trollices reservo a comentarios bem menos estruturados que o seu.
    comentava eu o achar que esta’ a haver um esforço de contençao por parte do Estado. se houvesse, os ‘sacrificios’ ‘pedidos’ aos ‘portugueses’, em sede fiscal, seriam zero.
    nao se trata aqui dos ‘ricos’ e dos ‘pobres’, apesar do gozo que esta linguagem proporciona ‘a malta da luta de classes. nem sequer se trata da ‘sociedade’, que e’ um conceito, e nao um agente moral.
    individualmente, ninguem tem obrigacao de suportar sacrificios impostos por terceiros

  4. humanity

    antonio.. então sendo assim ninguém tem obrigação de pagar impostos.. se eu nao quiser pagar nada (iva, irs e etc) nao entrego nada. Já sei que isto é só individuos ,e o mundo real é o cada um por si, o voodoo. Entre o individualismo e os planos quinquenais, penso que um modelo economico como nos paises escandinavos, garante o meio termo.
    Mas pergunto então, qual é a maneira de aliviar os esforços dos mais frágeis? É que dizem que as pessoas gastam mais do aue deviam, mas estranhamente(coisas da minha cabeça) o que eu vejo é a dificuldade das familias em chegar ao final do mês. E olhe que as que conheço, não andam a gostar dinheiro em lagosta e férias nas maldivas não.

  5. sim, ninguém tem obrigação de pagar impostos, que são extorsão legal, não estou a ver qual é a confusão.
    mas não é isso que estamos a falar. o Estado pode bem ser cortado, e o orçamento equilibrado, sem aumento de impostos.

  6. Luís Barata

    “Fuga de cérebros” é muito bom. A expressão mostra bem como o positivismo e a economia absorveram toda a realidade. Os cérebros fogem depois de a inteligência à muito os ter abandonado.
    O que dá origem a bons trabalhadores; o que dá origem a bons cidadãos; o que dá origem a bons homens são as virtudes. E estas dependem do saber.
    Liberte-se o ensino, entregue-se-o à família, e logo logo os cérebros passarão a inteligências com alma e com espírito.

  7. humanity

    antonio.. pois eu pago porque quero ter serviços de saude com qualidade.. até porque os casos mais graves vão sempre parar ao sns. Posso abdicar um pouco do meu salário, mas se nao abdicasse talvez não teria os serviços como tenho aqu, tinha de pagar seguro.
    Mas sendo isto só um á parte, e não querendo focar-me nesse ponto, desafio então o antonio a “chutar” (como se diz na giria , e passo a citar, bazofe), uma maneira de o estado ser cortado, sem que isso afecte enfim, as familias com menos posses
    Eu digo, que antes de cortar em saude ou educação, limparia tudo o que é gordura do estado, ou seja, os n institutos publicos que por ai proliferam, ou as regalias do estado.
    É que, quem quer impor sacrificios deve então dar o exemplo

  8. humanity

    pergunto isto, porque penso que se fala muito numa tal de redução de despesa do estado, mas noto que ninguém (deliberadamente), quer especificar que tipo de despesa se está a falar, quando sabemos genericamente, que dentro de “despesa de estado” se agrupam vários tipos de despesa. Na televisão, falam falam falam e fico a perceber o mesmo que percebia antes de falarem.

  9. 1. há quem pague alegremente porque ai e tal tem serviços públicos maravilhosos e tal; coisa diferente é votar para obrigar os outros pagar, ou alegar que têm obrigação moral de pagar as benesses de terceiros
    2. “quem quer impor sacrificios deve então dar o exemplo” *sigh*

  10. Marco

    Mais do que a fuga de “cérebros” é a fuga das pessoas que muito dificilmente irão voltar. Já à dois anos que não trabalho em Portugal, voltar a trabalhar aí está completamente fora de questão, tanto por niveis salariais, como por expectativas de qualidade de vida e carreira profissional. E nunca antes tive tantos amigos e conhecidos que ou abandonaram Portugal ou estão à espera da oportunidade para o efeito. A política simplesmente é o cancro que vai matando o país …

  11. Ricardo G. Francisco

    Marco,

    O que vale é que a geração que tomou o poder pós 25 de Abril está a ver os filhos e os netos a emigrarem. Não há demagogia que compense o afastamento da família, não há pior derrota.

    Humanity,

    O Estado é um monstro. Existe não em função das pessoas mas sim para alimentar clientelas e funcionários. Faz mal ou não faz as suas principais funções e extende-se prodigamente em funções de segunda e terceira geração (para não dizer desnecessárias ou mesmo imorais). Não há necessidade de aumentar mais impostos. Há necessidade de cortar na despesa, a tal contenção orçamental.

  12. humanity

    Antonio: rspeito a sua opção: é reveladora,e só posso dizer que livre mercado não é libertarianismo nem egoismo.Mas poso-lhe além do mais dizer, que é um erro achar-se que os privados trarão qualidade aos serviços. Nós sabemos bem que, os hospitais privados nao teem capacidade para resolver os caos mais complicados, e que ha pessoas sem capacidade para pagar seguros a privados.Sabemos que as faculdades publicas são muitissimno melhores que as privadas.Por muito que me custe dize-lo, nós nãon temos todos maneiras de pagar a privados para fazer os serviços-.
    E Ricardo,volto a questionar o que representa para vós a despesa publica. Onde escolheriam voces cortar?´

  13. humanity

    em qeu areas do estado vocss escolheriam cortar. Despesa Publica é um conceito muito vasto, que muitos teimam em nao especificar

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