As primaveras africanas

Com o Outono a despertar, constato que os africanos (subsaharianos) não entraram em Primaveras (as proto-manifestações de Luanda não chegam para fazer regressar uma andorinha). Entretanto as eleições livres no Egipto estão marcadas pela junta militar e foram prontamente boicotadas por boa parte dos partidos e movimentos que a elas podem concorrer. Provavelmente movido pela paixão ao Egipto, o actor e realizador Sean Penn, juntou a sua voz à de alguns egípcios que exigem na praça Tahrir o regresso da revolução. Na vizinha Líbia, a Primavera varre o deserto e varreu do mapa o regime de Kadhafi. Fontes bem posicionadas, relatam que o Mohammed Saeed al-Sahhaf  líbio foi preso, vestido de mulher. Mais grave é o facto de se assistir na Líbia “libertada”, sem grandes problemas éticos, a uma espécie de “pogroms”contra os negros, por estes terem servido o coronel Kadhafi como escravos ou mercenários. Movidos pelo realismo cínico que a História e a política internacional são pródigas, apenas 20 dos 53 estados africanos reconhecem institucionalmente as novas autoridades líbias como tal. Os resultados do controlo e expansionismo árabe em África são conhecidos.

Encontrado o sucessor de Jerónimo de Sousa

Pole wakes up from 19-year coma
A Polish man has woken up from a 19-year coma to find the Communist party no longer in power and food no longer rationed, Polish TV reports.
Railway worker Jan Grzebski, 65, fell into a coma after he was hit by a train in 1988.
“Now I see people on the streets with mobile phones and there are so many goods in the shops it makes my head spin,” he told Polish television.(…)
When Mr Grzebski had his accident Poland was still ruled by its last communist leader, Wojciech Jaruzelski.
When I went into a coma there was only tea and vinegar in the shops, meat was rationed and huge petrol queues were everywhere,” Mr Grzebski said.
The following year’s elections ushered in eastern Europe’s first post-communist government.

É grátis (2)

Giles Tremlett, o correspondente do The Guardian em Madrid desde os anos 1990, publicou um livro em 2006, chamado Ghosts of Spain, no qual elogia frequentemente o sistema de Saúde público. Elogia com convicção. Até chegar a primeira gravidez da mulher. É então que [his] patience with public health ran out. Depois de um calvário de nove meses, que passou pelo caos causado pelos hábitos descritos no texto anterior, a última de gota de água foi ver um médico remover os pontos da cesariana enquanto combinava, com o telemóvel entre a orelha e o ombro, uma partida de golfe. O segundo filho nasceu numa maternidade privada.

É grátis

Coisas que aprendemos quando vemos alguns programas de televisão e lemos alguns jornais: o sistema de saúde espanhol, maioritariamente público, é o melhor do mundo, e os ingleses adoram viver aqui a sua reforma porque podem pôr ancas novas sem pagar um tostão. Coisas que aprendemos quando vivemos em Espanha: quando um espanhol é internado num hospital público, há quase sempre um membro da família que o vai acompanhar durante as vinte e quatro horas do dia. Isto está ligado às tradições e à cultura, sim, pelo menos no sul, mas é um comportamento que também é incentivado por médicos e enfermeiros. Estes dizem que, durante a noite, não podem garantir as necessidades básicas do paciente nem acudir a qualquer emergência. Ora, quando a hospitalização se prolonga por uma semana ou mais, imagine-se as consequências deste ritual, ao nível pessoal e laboral. Ah, mas a Saúde é de “borla”

“Desvio” de fundos na Câmara Municipal de Oeiras

Jornal Público (versão papel):

Câmara de Oeiras gastou 1,5 milhões numa escultura
A Câmara de Oeiras entregou a Pedro Cabrita Reis, por 1,25 milhões de euros (mais IVA), a concepção e a execução de um “monumento escultórico comemorativo dos 250 anos do município”. A decisão está a ser muito contestada na blogosfera e um sindicato fala em esbanjamento.
O contrato com aquele artista plástico foi, segundo o Portal dos Contratos Públicos, celebrado em Abril de 2010. Mas o assunto ressurgiu agora na internet, já que a inauguração do dito monumento estava agendada para as 20h de ontem.

Esta indignação tem, pelo menos, quase um ano de atraso (ver segundo ponto). 😉

Leituras complementares: posts no Oeiras mais atrás e Oeiras Local

INE vs DGO

A fim de credibilizar o reporte das contas públicas nacionais, é urgente fundir os relatórios do Instituto Nacional de Estatística (INE) e da Direcção Geral do Orçamento (DGO) num só. É que o relatório hoje divulgado pelo INE, que agrega movimentos de caixa efectivos (já pagos) e futuros (compromissos ainda não pagos), relativo ao primeiro semestre deste ano, dá conta de um défice global no conjunto das administrações públicas de 6.995 milhões de euros; já o relatório da DGO, que agrega apenas movimentos de caixa efectivos, relativo ao período Janeiro a Junho e que tinha sido publicado em Julho passado, dava conta de um défice global de 3.902 milhões!?!

Espero estar enganado

O sítio do sindicato dos jornalistas deve ter um problema técnico que o impede de publicar uma nota que seja sobre a ocupação de um jornal por uma força partidária. Outra hipótese possível é que o sindicato dos jornalistas não pretende influenciar o  decurso normal da campanha eleitoral madeirense.

Leitura complementar: Espero estar enganada, por Helena Matos.

Será esta a génese do nosso gosto masoquista por pagar impostos, e quanto mais os aumentarem mais gostamos do governo?

«Portugal é o país da Europa com maior taxa de depressão e o segundo maior do mundo, mas estima-se que um terço das pessoas com perturbações mentais graves não esteja tratada.

Segundo os dados revelados à Lusa pelo coordenador português da Aliança Europeia Contra a Depressão, o psiquiatra Ricardo Gusmão, os Estados Unidos é o único país que fica à frente de Portugal em taxa de depressão e perturbações mentais no geral.

«Parece que a conhecida melancolia portuguesa tem uma tradução psiquiátrica», reconhece Ricardo Gusmão.»

Nos Estados Unidos o tipo de doença do cérebro é certamente diferente e menos maligna, já que o amor aos impostos é bastante menos pronunciado.