Do Ouro e das outras moedas

Na comunidade de investidores, há quem se queixe da “instabilidade” do Ouro.

Repare-se que não se queixam da instabilidade do Euro (ou Dólar), o que diz mais sobre quem faz a afirmação do que sobre qualquer dos activos envolvidos (Ouro e Euro).

 

Um Preço é um Rácio entre 2 activos. Quanto tenho eu de dar de um para obter outro. Se eu usar como base o Euro, o Ouro tem variado, assim como muitas outras matérias-primas, a uma menor escala bens intermédios e a uma menor escala bens de consumo. Mas se eu usar como base o Ouro, o Euro é instável e tudo o resto um pouco menos instável do que no cenário anterior.

“Ah e tal, coitado de quem investiu em ouro: não é um activo para investidores conservadores com certeza!” – Eu digo o contrário: como conservador, invisto em Ouro. Quem tem depósitos a prazo ou outro qualquer activo de risco baseado num activo em depreciação constante pois é produzido em quantidade e a custo 0 (zero) para o emissor, esse sim, gosta de “Viver a vida loca”!

O Ouro não sobe: as moedas é que descem sempre, fruto da impressão desenfreada de quem vive para financiar défices do Estado. O Ouro não desceu nos últimos dias: o Dólar e o Euro é que subiram por algum factor momentâneo.

A Política Monetária é conhecida e é expansionista. Só quem for “contrarian” deve investir em Euros (e sofrer as consequências). O investidor conservador que pense bem na política monetária antes de decidir entre o activo que lhe permite manter o poder de compra (2 fatos custa hoje 1 onça de ouro, como há 100 anos atrás) e o investimento arriscado dos depósitos denominados em algo baseado na “confiança nas economias”.

9 pensamentos sobre “Do Ouro e das outras moedas

  1. «Na comunidade de investidores, há quem se queixe da “instabilidade” do Ouro.»

    Pois. Apesar de umas “habilidades” conjunturais, trata-se de uma moeda insusceptível de ser multiplicada por quaisquer toques de alquimista. Daí o horror à coisa e os “conselhos” que, bondosamente, dão aos pequenos investidores para se afastarem dessa matéria dourada, inerte e inerme que não dá “rendimento”.

  2. Carlos Guimarães Pinto

    Ricardo, a discussão do ouro vs outras moedas fiduciárias é assunto encerrado. Na medida em que o valor das moedas fiduciárias tenderá para zero, o preço do ouro medido nessas moedas tenderá para infinito. Não é isso que está em questão.

    A questão prende-se com o valor real do ouro (medido em platina, imobiliário, bens de consumo, etc) que tem subido bastante e com volatilidade crescente.

  3. Pingback: Do ouro (4) « O Insurgente

  4. Ricardo Campelo de Magalhães

    Eduardo,
    É precisamente essa impossibilidade de o criar a custo baixo que eu aprecio.
    Uma boa moeda precisa de ser:
    1 – Durável
    2 – Divisível
    3 – Homogénea
    4 – Não Perecível
    5 – Facilmente transportável
    6 – Facilmente mensurável
    7 – Existente em quantidade suficiente mas limitada
    8 – Ser aceite por todos
    O papel moeda falha o critério 7, por muito que os responsáveis digam o contrário 😉

    Se aconselham os pequenos investidores a fugir dele? Claro, fica mais e a melhor preço para quem dá esse conselhos e evita-se que as pessoas percam a fé na moeda fiduciária!

  5. Ricardo Campelo de Magalhães

    L,
    Oops.
    Então não reparou que a Prata fez o mesmo que o Ouro ANTES?
    Veja na net a evolução do rácio Ouro/Prata: era alto (70s), depois caiu imenso (30s) e agora com a subida do Ouro é que recuperou um bocado (40s).
    A prata é um mercado muito mais pequeno e muito mais manipulado por shorts de grandes bancos americanos, pelo que é fácil de o seu valor variar muito. Recordo que há diversas indústrias que precisam de prata “no matter what” e que como o stock mundial é muito pequeno (comparativamente como o do ouro e comparativamente com as necessidades da indústria), pelo que… é preciso saber no que se mete.

    Se quiser investir em prata, é um bom investimento. Mas já não é tão bom como seria à 12 meses.

  6. Ricardo Campelo de Magalhães

    Carlos,
    À medida que outras reservas de valor falhem – por exemplo, Obrigações do Estado Americano, Imobiliário, Depósitos Bancários, … – é natural que mais pessoas se juntem ao mercado do Ouro.
    Isso tem as 2 consequências que referes: aumento de valor e aumento da volatilidade.

    O aumento de valor é consequência directa do aumento da procura e manutenção da oferta (mesmo que por vezes alguém descarregue ouro no mercado, em termos agregados isso tem impacto episódico e não de MLP).
    O aumento de volatilidade está relacionado com a chegada de novos agentes ao mercado com novos comportamentos e da alteração de comportamentos de alguns antigos, o que neste momento é bastante justificável.

    Seja como for, enquanto eu não vir o povo em geral a comprar barrinhas de onça e libras de ouro, estou descansado e não me preocupo com bolhas…

  7. PMP

    É fácil de verificar que o ouro sobe quando as taxas de juros reais de médio prazo são muito baixas, ou negativas. Isto por que neste caso ao investir em ouro não perde juros reais.
    .
    Também é razoável admitir que uma carteira diversificada deverá ter 5% de metais precisosos, o que pode significar que o ouro tem ainda algum espaço para subir já que o valor médio nas carteiras é ainda inferior a este nivel.

  8. Ricardo Campelo de Magalhães

    Sim, o ouro sobe quando a Política Monetária é “expansionista”. O que faz um certo sentido 😉

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