Foi ontem divulgado o Boletim de Execução Orçamental de Agosto, referente ao período de Janeiro a Julho, que serviu para confirmar que os Serviços e Fundos Autónomos juntamente com a Administração Regional, continuam descontrolados, pois, em ambos os casos, a despesa primária (antes do pagamento de juros) aumentou face ao período homólogo, quando deveria estar em franca retracção. Quanto à Administração Central, a despesa primária está finalmente em trajectória correctiva, sendo que, contudo, tal evolução resulta das medidas implementadas desde o início do ano e que desde há dois meses começaram a ser visíveis nestes registos orçamentais. Infelizmente, do relatório que a Direcção Geral do Orçamento acaba de publicar, há uma surpresa negativa a registar: pela primeira vez desde há muito tempo, a receita fiscal evoluiu abaixo do previsto. Enfim, a prova provada de que não é com mais aumentos de impostos que Portugal lá vai e um sério aviso ao senhor Ministro das Finanças que, lamentavelmente, ainda há dias dizia que ir ao bolso dos contribuintes, não sendo mais fácil, é certamente mais rápido…ora, talvez comece a não ser. Uma última nota: não obstante a gravidade da nossa situação orçamental, continuo a não ver, como nas últimas semanas referi diversas vezes, qualquer motivo que justifique o imposto extraordinário de IRS; os números são claros e os números da DGO permitem estimar que, no conjunto de todas as Administrações Públicas, o défice global atinja os 9 mil milhões de euros, um valor substancial, mas apesar de tudo inferior aos 10 mil milhões definidos no Memorando de Entendimento como tecto máximo para Portugal.
Preocupante.
Curiosamente e ao contrário do que muitos comentadores dizem, as autarquias estão a ter um comportamento bastante bom.
Tanta retórica, tanta crise política, tanta recessão … para ter um défice de 10.000.000.000 euro.
Como seria sem défice, com menos despesa e menos impostos?