AJJ à rasca

“O pedido dramático de João Jardim, é claro, antecipa o debate eleitoral, narrativa, aliás, que já tinha começado antes das legislativas que levaram Passos Coelho a primeiro-ministro e que só se esbateu quando a tragédia do temporal arrasou com a região. Primeiro, ‘explicou-nos’ que tinha de recorrer à dívida para evitar o ataque financeiro do Governo socialista, que, obviamente, não foi muito eficaz, ou Jardim não teria tido a oportunidade de multiplicar por várias vezes a dívida que tinha em 2005 quando Sócrates chegou.

Este fim-de-semana deu a saber que vai deixar de pagar aos fornecedores e que o problema está agora nas mãos do novo primeiro-ministro. E ainda tem a ‘lata’ de exigir mais autonomia… Percebem, agora, porque é que Merkel não está disposta a aprovar as obrigações europeias, as ‘eurobonds’, sem fortes restrições às autonomias dos Estados, ou, se quisermos a versão benigna, sem mais coordenação e integração europeia. A Madeira não precisa de mais autonomia, precisa de menos, especialmente se não existirem sanções efectivas para comportamentos como os de Jardim.”, António Costa, ontem no seu editorial do Diário Económico.

Regressado da Madeira, onde nas últimas duas semanas pude ir lendo e acompanhando a imprensa local e os primeiros momentos da campanha eleitoral (que se prevê quentinha…) para as Regionais de Outubro, fico com a sensação de que se aproxima uma dupla surpresa. Primeiro, estou convencido de que Alberto João não vai conseguir a maioria absoluta. Segundo, estou certo de que, perdida a maioria absoluta, Alberto João, ao contrário de promessas anteriores, cumprirá mesmo a promessa de abandonar o Governo Regional. A avalanche creditícia, que anos a fio permitiu à Madeira equipar-se com infra estruturas de primeira classe, está finalmente a cair sobre a Ilha e ninguém se safa: o desemprego é o segundo maior do País, a emigração volta a ser maciça, o Governo Regional não paga a ninguém (já nem mesmo aos clubes de futebol…), todos se queixam.

Ora, no meio de tudo isto, aos olhos e aos ouvidos de um cont’nental, como eu, os textos e os discursos, aliás, todo o tom político, de Alberto João Jardim são anacrónicos. Neste aspecto, a leitura diária do Jornal da Madeira – um jornal diário financiado pelo Governo Regional e que, apesar de exibir um preço de capa (dez cêntimos, salvo erro), é distribuído gratuitamente com fins evidentemente partidários – é um “must”. É no Jornal da Madeira que o Presidente do Governo Regional escreve acerca de forças mais ou menos ocultas, que vão desde “os Comunistas” (no sentido genérico da expressão, não apenas os do PCP), à “Maçonaria” (alegadamente, uma pressão sobre o PSD nacional) passando ainda pelo Governo Regional dos Açores. Enfim, a retórica absurda faz lembrar os tempos da Guerra Fria e os discursos mirabolantes dos fanáticos que, de parte a parte, tinham como objectivo diabolizar o inimigo com o intuito de esconder fragilidades próprias. Na Madeira é semelhante.

Acresce ainda que, recentemente, tenho notado a AJJ um ziguezague mental e uma deriva intelectual, reveladoras de que não está no seu perfeito juízo. E o último pedido de resgate financeiro ao Governo central, a par da justificação, para o problema actual de endividamento, de que existisse mais autonomia e tudo estaria bem, são um bom exemplo de que AJJ está a chegar ao fim da linha. O problema maior, e toda a gente sabe disso, incluindo o ainda Presidente, é que quem vier a seguir está…f’dido!

3 pensamentos sobre “AJJ à rasca

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