Intolerância (2)

Aqueles que se indignam com o custo da visita do papa, 50 milhões de euros, estiveram calados quando se soube que o governo de Zapatero doou 100 milhões de euros – dinheiro dos contribuintes, claro – à organização United Nations Entity for Gender Equality and the Empowerment of Women, a qual, logo a seguir, ofereceu um trabalho, bem remunerado, à ex-ministra Bibiana Aído. Estavam distraídos. Estão sempre tão distraídos.

18 pensamentos sobre “Intolerância (2)

  1. Mas esses 100 milhões foram bem gastos. Para já porque a organização tem um nome estrangeiro. E depois porque é para promover a igualdade e a fraternidade e o género e o progresso em geral, portanto.

  2. oscar maximo

    Talvez quem esteja distraído seja quem compara dar dinheiro para uma instituição que defende a igualdade e outra que defende a desigualdade, dinheiro para gastar em 3 dias e dinheiro para gastar num ano.

  3. jP Ribeiro

    Intolerância é achar-se que o papa e a sua organização têm mais credibilidade que uma aldrabice qualquer promovida pela ONU.

  4. LG

    Carlos, tens toda razão, meu caro! É de fato uma corja, tanto aquela das ruas, quanto a do PSOE e adjacências. De qualquer forma, foi muito bom assistir pela TV a borracha cantando no lombo dessa canalha. A única linguagem que essa malta entende é a do chicote. Ah, que falta o relho não anda fazendo cá no Brasil…
    Um abraço.

  5. Carlos M. Fernandes

    # 2 “…dinheiro para gastar em 3 dias e dinheiro para gastar num ano [??].”

    “Los beneficios económicos [de la visita del Papa] no son cuestión de Fe, es un hecho”
    José Blanco (vice-secretário geral do…PSOE)

  6. Anónimo

    O estado como investidor? Agora confia-se nas palavras dos governantes do PSOE? As voltas que este blog dá. 🙂

  7. Carlos M. Fernandes

    “O estado como investidor? Agora confia-se nas palavras dos governantes do PSOE? As voltas que este blog dá.”
    Dê as voltas que quiser. O que não se compreende é como os verdadeiros crentes no “Estado como investidor”, os de sempre, os socialistas e comunistas, não confiam agora nas palavras do PSOE. Deve ser uma crise de fé. Deve ter ficado abalada com os aeroportos de Ciudad Real e Beja.

  8. Carlos M. Fernandes

    “Se possível, gostaria que indicasse a fonte da sua informação.”

    Jornais de Maio-Junho. (Lamento, mas estou de férias, e por isso tenho tempo mas não tenho paciência para procurar). Programas da televisão espanhola nos quais se discutiu o assunto.

  9. Anónimo

    Ah, mas está a partir do princípio que os manifestantes são apoiantes do PSOE. Recorrendo ao maniqueísmo puro realmente é fácil de argumentar.

  10. Carlos M. Fernandes

    Não, estou a partir do princípio que são maioritariamente de esquerda. Devo estar enganado. Devem ser liberais defensores do Estado mínimo, e daí o protesto: com os meus imposto não.

  11. Anónimo

    E a esquerda acredita sempre no que o PSOE diz, é isso, não é? Então e aqueles protestos todos este ano…
    Sobre os impostos, não deixa de ter razão. Mas a hipocrisia espalha-se: a direita “liberal” pouco fala agora de gastos do estado. Além de impostos, há também um problema de laicidade.

  12. Carlos M. Fernandes

    Durante anos, a esquerda acreditou no PSOE-Zapatero. Depois, ficou sem empregos e sem subsídios, chateou-se, e pediu ainda mais esquerda.

    Suponho que a direita “liberal” fala agora pouco de gastos de Estado, como fala pouco quando o presidente dos EUA ou da França visitam (neste caso) Espanha. Há idealismo e a há pragmatismo, e não vale a pena entrar em histeria. Todos os dias há gastos tão ou menos justificados. Mas, por princípio, muitos liberais, mais ou menos minarquistas, não vêem com bons olhos o investimento do dinheiro dos contribuintes na visita do Papa (ou seja de quem for). Agora, o que surpreende nesta história é a súbita falta de fé da esquerda nas virtudes de um Estado despesista e impulsionador da economia (isto é sarcasmo, sim).

  13. Luís Barata

    Uma coisa é o Estado ser laico, outra coisa é o Estado respeitar e defender as tradições e costumes do País. Ora a Espanha é, por tradição, um país maioritariamente católico e ao estado Espanhol só lhe resta defender e respeitar a tradição.
    Tal como deve respeitar costumes tão simples como a siesta que é, aliás, uma maneira de defender o interesse geral face ao interesse particular: são sempre os plutocratas que querem ver os seus negócios abertos todos os dias a todas as horas, ao passo que a maioria da população quer a siesta e quer fechar ao Domingo. E não venha a direita capitalista – mas não liberal – dizer que isso ataca a liberdade individual, porque o que o plutocrata quer, não é trabalhar ao domingo ou deixar de dormir a siesta; ele quer ter a liberdade para pôr os outros a não dormir a siesta e a não trabalhar ao Domingo.
    Foi com estas subtilezas de aparência liberal que os plutocratas tomaram conta do Estado Norte Americano e dos vários Estados Europeus. E agora vai ser uma chatice para os conseguirmos tirar de lá. E é essa verdade parcial que alimenta a esquerda. E é também essa esquerda que se indigna. E são esses indignados que vão ser o cacete para correr com a plutocracia europeia.

  14. Observador (des)atento

    Tretas. Mais uma vez a Igreja Católica cede a demonstrar vaidade, gastando e fazendo gastar milhões de euros, desprezando uma oportunidade histórica de pregar a fé pelo exemplo, pela humildade e pelo desapego. Mal vai uma religião, um credo que precisa de manifestações de fé para os próprios se sentirem mobilizados. E meia asneira não justifica uma asneira.

  15. Anónimo

    Está visto que a referência ao PSOE não passou de ataque ad hominem. Fraquinho.

    Este caso é mais que uma visita de Estado. E seria bom que o estado espanhol fosse transparente naquilo que vai gastar. Mas em vez de apontar estes factos, alguns “liberais” preferem embirrar com os adversários políticos e suas incoerências, em vez de abordar o tema em questão.

    Para estes confrontos clubísticos, já nos chega o futebol.

  16. Euro2cent

    > cede a demonstrar vaidade

    Arre, os jacobinos são lixados. Se eles juntam meia dúzia de gandulos a ocupar abusivamente espaços públicos todos os meses, é intervenção cívica do mais alto quilate.

    Se outros de que não gostam metem o nariz de fora ano sim, ano não, é um ultraje.

    Chiça, penico, chapéu de coco.

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