Parabéns ao Dólar pelos seus 40 Anos!

O Dólar como hoje o conhecemos faz 40 Anos.

Foi no Domingo, 15 de Agosto de 1971 que o Presidente Nixon tornou o Dólar Americano na moeda fiduciária que é hoje. Ou seja: até aí, o número de Dólares impressos dependia do Ouro detido em Fort Knox; a partir daí, depende apenas da vontade do Presidente da Reserva Federal Americana.

Este facilitismo levou o Dólar a perder algum valor, mais concretamente  98% (1/35 de Onça para 1/1800), isto enquanto continua a ser o valor de referência para a maioria das pessoas – e mesmo dos investigadores – a nível mundial.

Preços. Para ilustrar melhor a diferença entre hoje e 1971, ficam alguns preços de 1971 neste site:

Average Cost of new house: $25,250.00
Average Income per year: $10,600.00
Cost of a gallon of Gas: 40 cents
Datsun 1200 Sports Coupe: $1,866.00
United States postage Stamp: 8 cents

Preços que já não se usam, convenhamos.

E como subiram menos que 50x mostram também como desceu o nível de vida das pessoas e como há potencial inflacionista actualmente no sistema.

Comparação. Comparativamente com outras moedas fiduciárias geralmente mais estáveis, fica aqui um gráfico com base em 1971:

Crescimento da Base Monetária. Cada vez há mais Dólares. Creio que não é preciso ser economista para saber que quando há muito mais de algo, o valor cai…

Futuro. Voltaire disse “Paper money eventually returns to its intrinsic value – zero.”. O Dólar até agora aguentou 40 anos. É verdade sue teve uma crise de Adolescência: em 1980 só se aguentou porque Volker colocou a taxa de juro acima de 21% (!) para aguentar o Dólar. Assim, ficam as perguntas:

1 – Qual será a taxa de juro necessária para combater as pressões inflacionistas criadas por uma tão grande expansão da Base Monetária? E qual a taxa necessária para conter também o regresso dos Dólares detidos por outros países para reservas e que estes poderão “devolver” se percepcionarem uma perda de valor da divisa?

2 – Haverá vontade política para impor essa taxa?

3 – Haverá capacidade económico-financeira para aguentar essa taxa?

4 – Chegará o Dólar aos 50?

11 pensamentos sobre “Parabéns ao Dólar pelos seus 40 Anos!

  1. “E como subiram menos que 50x mostram também como desceu o nível de vida das pessoas e como há potencial inflacionista actualmente no sistema.”

    Exactamente. Descontando as alteraçōes de preferências, todos esses preços se deveriam ter mantido semelhantes em ouro. Portanto, das duas uma: ou esta deflação está relacionada com o progresso económico e aumentos de produtividade ou, como dizes, espera-se uma inflação nos activos e bens até que o rácio se volte a aproximar dos 50.

  2. Paulo Pereira

    Convinha que o autor deste artigo percebesse que a relação do dolar com as outras moedas reflecte acimade tudo o elevado deficit comercial dos EUA acumulado desde 1971.
    .
    O ouro é simplesmente um activo financeiro que os investidores privados e alguns bancos centrais acumulam como parte de uma carteira diversificada.
    .
    Não existem pressões inflacionistas com excepção do preço do petroleo, devido à maior procura por parte dos paises em desenvolvimento.

  3. vasco Silveira

    “E como subiram menos que 50x mostram também como desceu o nível de vida das pessoas…”

    Se as pessoas comessem ouro era verdade. Mas como consomem bens cujo preço subiu substancialmente menos que o do ouro, talvez fosse mais correcto fazer comparação entre subidas do nível geral de preços e de rendimentos. E eu quase jurava, que de 71 para cá, o nível de vida das pessoas subiu.

  4. lucklucky

    Tudo o que o Estado toca inflacionou. Tudo o que não é tocado pelo Estado deflacionou.

    Como o Estado não se sabe comportar vai exportar essa inflação para o que deflacionou.

  5. Ricardo Campelo de Magalhães

    “Exactamente. Descontando as alteraçōes de preferências, todos esses preços se deveriam ter mantido semelhantes em ouro. Portanto, das duas uma: ou esta deflação está relacionada com o progresso económico e aumentos de produtividade ou, como dizes, espera-se uma inflação nos activos e bens até que o rácio se volte a aproximar dos 50.”

    Mises tinha um texto sobre processos inflacionários: como primeiro os preços sobrem menos que a massa monetária – pois as pessoas confiam na moeda – e depois a relação inverte quando elas deixam de confiar na moeda… mas eu tenho procurado e não sei onde isso está: só ouço referências a essa passagem sem citar a obra. Alguém em podia dar a referência?

  6. Ricardo Campelo de Magalhães

    “Se as pessoas comessem ouro era verdade. Mas como consomem bens cujo preço subiu substancialmente menos que o do ouro, talvez fosse mais correcto fazer comparação entre subidas do nível geral de preços e de rendimentos. E eu quase jurava, que de 71 para cá, o nível de vida das pessoas subiu.”

    Vasco, eu apostava no inverso. Sobretudo nos EUA.
    1 – Os computadores têm um efeito muito menos acentuado na produtividade do que tiveram as linhas de produção em massa mecanizadas ou a descoberta de novas formas de energia no passado. Há vários estudos sobre este paradoxo que focam em curvas de aprendizagem, aumento do ócio, reduzida vantagem no meio industrial e agrícola, …
    2 – A sociedade hoje vive mais de serviços, onde os ganhos de produtividade são menores. Em termos de qualidade de vida, concordo que melhorou muito, mas em termos de produtividade – e portanto de condições para pagar melhores salários – não sei…
    3 – Antigamente o pai sustentava uma família só com o salário dele. Hoje…
    4 – O aumento da população activa (sobretudo devido à integração da mulher no mundo do trabalho) não acarretou a equivalente subida do produto. E as pessoas passam hoje mais horas activas e isso não se reflecte em rendimentos que permitam grandes poupanças (em termos da sociedade como um todo, entenda-se).

    Não sei não. A tecnologia, o admirável mundo novo que inova como nunca dá uma aparência que não vejo concretizar-se no à-vontade financeiro das pessoas que conheço, e que são na sua quase totalidade formadas…

  7. Ricardo Campelo de Magalhães

    Finalmente, Paulo Pereira:

    “Convinha que o autor deste artigo percebesse que a relação do dolar com as outras moedas reflecte acima de tudo o elevado deficit comercial dos EUA acumulado desde 1971.”
    Compreendo a relação matemática, mas em termos de implicação vejo mais a questão do ângulo oposto: o facto de a América ter a moeda reserva do mundo permitiu-lhe abusar, trabalhando menos e consumindo mais; importando bens e exportando papel que esperam não voltar a ver. Ou seja, a relação entre as moedas com o Dólar é reflexo do poder deste e as balanças comerciais deficitárias são apenas a consequência.

    “O ouro é simplesmente um activo financeiro que os investidores privados e alguns bancos centrais acumulam como parte de uma carteira diversificada.”
    Moeda é RUM: Reserva de Valor, Unidade de Conta e Meio de Pagamento. Ouro cumpre qualquer destas funções: é reserva de valor, é unidade de conta (por exemplo para mim: se me conhecesse já se tinha habituado…) e pode ser meio de pagamento se as partes aceitarem, como qualquer outra moeda, como é em diversas situações do comércio internacional.
    Se quiser negociar Ouro como moeda, o código é XAU. O da prata é XAG.
    Como pode comprovar aqui: http://en.wikipedia.org/wiki/ISO_4217

    “Não existem pressões inflacionistas com excepção do preço do petroleo, devido à maior procura por parte dos paises em desenvolvimento.”
    Aqui está redondamente enganado, mas eu vou deixar que o declínio do Dólar lhe prove este ponto e não vou estar aqui a argumentar. Viu o aumento da base monetária? Acha que a Reserva Federal a vai reabsorver? Conhece o modelo de Freeman de que inflação monetária leva alguns anos a tornar-se em inflação de preços? Estes são só dados para pensar um pouco, mas o que interessa agora étestar a teoria contra a realidade e ver o que acontece ao Dólar (e ao Euro a seu tempo).

  8. vasco Silveira

    Caro Ricardo
    Fui ver uns números, os 1ªs que me apareceram (CPI: Bureau of Labour Statistics; GDP per capita: UN Data), e expurguei os resultados da dita “grande recessão”, só calculando de 1971 a 2006.

    1971 2006 EVOLUÇÃO
    GDP P/C ($) 5.268 43.626 8,28
    CPI (1983-100) 40 198,3 4,96
    MELHORIA NÍVEL DE VIDA 1,67

    Apesar da forma um pouco grosseira de cálculo, não me parece possível que seu refinamento fosse retirar a totalidade dos 67% de ” aumento do nível de vida” verificado.
    E as pessoas trabalham hoje menos que em 71, e os seus bens são muito mais evoluídos, ou eram inexistentes em 71. O problema é que há mais ” solicitações à despesa” : telemóvel, tv cabo, net, …

    Abraço

    Vasco

  9. Paulo Pereira

    Para Ricardo Pereira,

    O dolar desvalorizou a longo prazo por causa do deficit comercial/corrente. Se desvaloriza menos que o esperado poderá ser pelo tal efeito de moeda de referencia.
    Mas se reparar noutros casos de paises com deficits correntes , parece ser um caso geral que a moeda desvalorisa menos que o esperado, desde que os países tenham estabilidade politica e inflação controlada. A explicação parece ser que a procura adicional por parte do exterior de activos fixos ou financeiros desses países, provavelmente por uma lógica de diversificação, especulação, ou emotivos (cultura, arqueologia, paisagens, etc.)
    .
    Sobre o ouro como moeda, não é válido nos EUA , EZone, etc. . O ouro nestes países e muitos outros (não conheço nenhum país que aceite ouro como moeda mas pode haver) é um activo financeiro que tem de ser vendido para adquirir moeda local.
    .
    Sobre a treta monetarista do Friedman, é uma lenda ou crença, não tem aderência nenhuma à realidade, ver Japão, EUA, UK.
    A inflação é simplesmente devido á procura superior à oferta de bens e serviços.

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