boçal (III)

“José Pedro Pereira não mediu, ontem, as palavras, nas críticas à oposição da Madeira. No decorrer da inauguração da “Casa do Estudante”, o líder da JSD-M ameaçou também o delegado da CNE na Região, o juiz Paulo Barreto. ‘Eu aqui quero dizer que se o sr. Delegado da Comissão Nacional de Eleições não se demitir, ou não garantir a normalidade no decorrer das eleições, seremos nós, a Juventude, que (…) iremos por esse senhor no meio da rua’ (…) O jovem social-democrata foi ainda mais longe, ao associar o deputado do PND, António Fontes, a quem se referiu como ‘aquele Fontes’, ao consumo de drogas duras. Aos insultos também não escapou Edgar Silva, ‘um senhor que não se sabe bem, se é padre’ ou não. ‘Uma pessoa quando é e não é faz chichi de forma diferente e acho que [Edgar Silva] tem medo de entrar na casa de banho dos homens, por isso propôs o fraldário’ no Parlamento Regional.”, edição de ontem do Diário da Madeira (página 18).

Enfim, este rapazola, desde que se notabilizou como deputado “mijão”, tem vindo a captar a minha atenção. Ora, as declarações proferidas há dias, a propósito da inauguração de uma “Casa do Estudante” localizada no Funchal num edifício cedido pelo PSD que, por sua vez, provavelmente o terá recebido através da Fundação Social Democrata da Madeira (uma instituição de utilidade pública…), foram notáveis. Nelas, o já deputado, mas ainda emergente, e que figura novamente nas listas para as próximas eleições regionais de Outubro, mostra bem a boçalidade vigente na política madeirense. Uma bestialidade tolerada porquanto praticada ao mais alto nível na Madeira e que serve de inspiração a todos os que aspiram vencer, politicamente, na ilha.

Mas, agora, de quem é a culpa? Do tal rapazola? Em parte, é. Porém, a responsabilidade maior é do próprio povo madeirense, que há muito se habituou aos abusos de autoridade e, sobretudo, à inimputabilidade – verbal, política e económica – dos seus dirigentes regionais e que, não obstante, continuou a votar no PSD-M liderado por um Alberto João Jardim que, tendo feito muito em prol do desenvolvimento infra estrutural da Madeira, já deveria ter saído, pelo seu próprio pé ou por via administrativa, numa normal alternância democrática. Pelo contrário, Alberto João, ao ter permanecido para além do tempo razoável, criou as condições para a emergência de uma espécie de cleptocracia onde o cartão do partido e uma cultura de “porcos, feios e maus” representam a chave do sucesso. Mas, enfim, estamos, apesar de tudo, num regime democrático e, portanto, por mais incompatibilidades que os dirigentes do PSD-M possam ter acumulado ao longo dos anos, cabe, em primeiro lugar, ao povo madeirense avaliar se é aquele nível de boçalidade e bestialidade que pretende para si, ou não.

Contudo, ao clima crispado que se vive na Madeira, as instituições nacionais não podem permanecer indiferentes. Numa altura em que o regabofe orçamental da Madeira começa a saltar para as primeiras páginas dos jornais nacionais e internacionais pelos maus motivos, primeiro através do Tribunal de Contas (a propósito das verbas que, destinadas à reconstrução madeirense depois do temporal, foram desviadas para pagar festas) e nos últimos dias pela troika, é altura de se estabelecer o limite do que é razoável e do que não é razoável na política portuguesa. Por exemplo, será aceitável que a lei de incompatibilidades, que delimita os negócios entre os deputados e o Estado, não tenha sido aplicada na Madeira? Mais, será aceitável que certos deputados regionais, que carregam às costas carradas de processos judiciais, permaneçam a coberto de imunidade parlamentar que, por sua vez, é levantada consoante a cor do cartão partidário? E, por fim, será aceitável que o principal partido do Governo nacional, o PSD, tolere, sem o menor escrutínio ético ou económico, o (baixo) nível de alguns energúmenos que o PSD-M apresenta como estrelas de cartaz? Enfim, creio que não, não e não…Em Democracia, não pode valer tudo. Têm de existir limites.

5 pensamentos sobre “boçal (III)

  1. tric

    Só a Boçalidade existente no Continente, é que permite que politicos, banca e Jornalismo, que levaram Portugal à Banca-Rota e não lhes aconteça nada, e mais, tal é a boçalidade que permitem que estes continuem como se nada tivesse acontecido e a liderarem o país… “A democracia não pode valer tudo. tem que haver limites.” ! mas tambem esta democracia, já ultrapassou todos os limites, ao promover e pagar o assassinio de crianças, vulgarmente chamado Aborto! por isso já nada se pode esperar dela

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