A Depressão Esquecida de 1920-1921

Todos conhecem a “Grande Depressão” de 1929-1933. Quantos conhecerão a “Depressão Esquecida” de 1920-1921?

Assim, este texto sobre a que não conhecem. Como preciso de ser resumido, vamos focar em alguns pontos base e deixo ligações no fim para obterem informações mais completas se eu vos conseguir interessar no tema.

1. Porque é que não é conhecida? Porque foi uma contracção forte da produção dos EUA que se corrigiu rapidamente. Em 1920 foi duro, mas em Julho de 1921 terminou rapidamente e permitiu os “Roaring 20s“. Além disso, para os historiadores tradicionais é inexplicável de acordo com as suas teorias, pelo que foi um acontecimento único do qual não se podem tirar conclusões…

2. O que é que aconteceu? Basicamente o Dow caiu para quase Metade (de Nov. de 1919 a Agosto de 1921) e o Desemprego disparou para cerca do Dobro. Tudo isto enquanto os preços desceram 18% e o PIB contraiu 6,9% (de acordo com os números do Governo Americano).

3. Qual foi a Reacção do Governo Federal? A Administração cortou o Orçamento em Metade. As taxas do IRS foram cortadas para todos os escalões. A dívida estatal (não o défice, note-se!) foi cortada em 1/3! E a Reserva Federal, criada pouco tempo antes, não expandiu a base monetária nem de outro modo pôs em perigo o padrão-ouro.

4. Que conclusões tirar? Para muitos, nenhuma: foi um episódio. Para alguns contudo, a comparação entre esta crise e a seguinte, com respostas diametralmente opostas e resultados também diametralmente opostos, fica a lição da História, para que não estejamos condenados a repetir os erros do passado.

Evolução do Dow Jones na época:

Citação do Presidente Harding ao aceitar a nomeação do Partido Republicano em 1920:

“We will attempt intelligent and courageous deflation, and strike at government borrowing which enlarges the evil, and we will attack high cost of government with every energy and facility which attend Republican capacity. We promise that relief which will attend the halting of waste and extravagance, and the renewal of the practice of public economy, not alone because it will relieve tax burdens but because it will be an example to stimulate thrift and economy in private life.

Let us call to all the people for thrift and economy, for denial and sacrifice if need be, for a nationwide drive against extravagance and luxury, to a recommittal to simplicity of living, to that prudent and normal plan of life which is the health of the republic. There hasn’t been a recovery from the waste and abnormalities of war since the story of mankind was first written, except through work and saving, through industry and denial, while needless spending and heedless extravagance have marked every decay in the history of nations”

Ficam alguns Links:

1 – Wikipedia

2 – The Depression You’ve Never Heard Of: 1920-1921, pro Rober P. Murphy para The Freeman

3 – Warren Harding and the Forgotten Depression of 1920, por Tom Woods para Lew Rockwell.com

4 – The Forgotten Depression from 1920 to 1921, por Daniel Snyder no site Factoidz

5 – THE FORGOTTEN DEPRESSION, 1920-1921, por Michael S. Coffman, Ph.D. and Kristie Pelletier para NewsWithViews.com

Tom Woods tem um excelente vídeo sobre o assunto e podem vê-lo aqui:

Glenn Beck (eu sei, sempre uma escolha arriscada, mas às vezes tem bons vídeos…):

Vídeo aqui. Não gosto tanto do Bleck pelo que deixo só a ligação, não o vídeo…

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11 pensamentos sobre “A Depressão Esquecida de 1920-1921

  1. Belo Post, caro Ricardo.

    Porém, diria antes depressão omitida, e não esquecida. É que se compararmos as acções e os resultados das presidências Harding, com as de Hoover e Roosevelt, a “estorinha” acerca do New Deal, um dos mitos centrais do socialismo, cai por terra. E se o povo começar a investigar quem financiou as várias campanhas presidenciais e quem ganhou com as políticas adoptadas pelos vencedores, aí se apercebe de vez que o socialismo foi sempre uma ferramenta das corporações para monopolizar os recursos e o poder.

    Parabéns!

  2. Se as depressões fossem fotografias, a de 1920 seria muito semelhante a esta. Daí que, e sem estar a discutir semântica, defendo que a depressão de 1920, mais que omitida, foi suprimida da narrativa oficial.

  3. ricardo saramago

    Casos como este são frequentes – quando a realidade contraria a ideologia, suprime-se a realidade.
    Assistimos a isto nas ciências sociais, nas doutrinas do “fim da história” e mais recentemente no “aquecimento global”.

  4. JS

    Bom, e corajoso, post. Custa remar contra a maré.
    Infelizmente o nosso Mários Soares e sus muchachos (ab)usaram toda a sua verbe na homilía errada e, a resultante, foram todos estes trinta e tal anos de mitos e destruição da “riqueza da nação”.
    Curiosamente ainda há imensos acólitos a prosseguir com a tarefa, obtusa, de baralhar a congregação. Enfim. RSM não vai ter vida fácil. Apenas lustra.
    Não admira que aqui, e lá, G.B seja tão mal amado.

  5. Esquecida é uma tradução directa da expressão de Tom Woods e usei-a por ser mais… simpática.
    Omitida e suprimida são expressóes perfeitamente justas, dado o tratamento oficial dos historiadores “isentos” que nos “servem”…

    Obrigado pelos comentários simpáticos.
    Como nestes meses estou sem tempo para postar muito, deixo os do dia-a-dia para os meus colegas e vou para temas de fundo. Ao fim-de-semana têm menos audiência, mas até Outubro terá de ser assim: trabalho 60h/semana, sem feriados ou férias (e sim, amanhã trabalho) e portanto é a solução encontrada.

    Próximos incluem: “Jesus Cristo, o Liberal”; “5, o valor justo para o rácio Dow/Onça de Ouro” e “Os 3 tipos de Liberais Económicos” =)

  6. agfernandes

    Ricardo

    Interessantíssimo post! E muito oportuno.
    Relativamente à declaração do Presidente Harding, ostaria de destacar alguns pontos-chave que, a meu ver, poderíamos considerar fundamentais (e estou a pensar em decisões políticas recentes erradas):

    – há aqui a preocupação pela gestão das expectativas, informando de forma clara o público das decisões a ser tomadas e dos resultados que se esperam obter;
    – há aqui a preocupação de agir depressa e deforma efectiva, para obter efeitos rápidos e efectivos, começando pela prioridade, reduzir despesa, libertar a economia desse peso;
    – há aqui uma preocupação com os resultados práticos e visíveis, mas também pedagógica, há um exemplo a dar e a ser seguido;
    – reforçar o valor do trabalho e da poupança, de uma vida simples e digna (em resumo, autónoma).

    Não posso evitar uma sensação de nostalgia por um tempo em que ainda se encaravam as questões fundamentais de uma sociedade de frente, sem subterfúgios, de forma simples e directa, e se podia agir de forma rápida e efectiva, sem os travões do costume.
    Embora hoje a rapidez e a agilidade das decisões políticas nunca tenham sido tão necessárias, será que isto seria possível hoje?

    Pelo que ouvi a Obama, num excerto de um discurso em que o seu ar desvitalizado de todo contrastava com a mensagem que queria transmitir, este pensamento virado para a acção foi substituído pelo pensamento mágico: “já passámos uma Grande Depressão…” e não sei mais que provações… logo: vamos conseguir passar mais esta.

    Enfim, nunca precisámos tanto de uma coisa e nunca tivemos o seu contrário em tanta quantidade…

    Cumprimentos
    Ana

  7. Ricardo Campelo de Magalhães

    Obrigado Ana.
    Harding é um presidente desdenhado pelos historiadores “main stream”, pelo que beneficia logo do benefício da dúvida. Lendo alguns textos sugeridos por Tom Woods gostei e quando vi a citação ao pesquisar para este artigo não resisti =)

    “Não posso evitar uma sensação de nostalgia por um tempo em que ainda se encaravam as questões fundamentais de uma sociedade de frente, sem subterfúgios, de forma simples e directa, e se podia agir de forma rápida e efectiva, sem os travões do costume.
    Embora hoje a rapidez e a agilidade das decisões políticas nunca tenham sido tão necessárias, será que isto seria possível hoje?”
    Concordo contigo e sinto o mesmo… mas creio que já me apercebi que se nem a “Verdade” da Manuela Ferreira Leite ganha eleições, muito menos uma postura 100% Verdade ganharia. Não quero ser pessimista, mas cada povo tem os políticos que merece, e creio que há muita educação dos eleitores a fazer! Pela minha parte, faço apresentações e escrevo estes textos, mas não tenho assim muita esperança.

    “Enfim, nunca precisámos tanto de uma coisa e nunca tivemos o seu contrário em tanta quantidade…”
    Certo. E o que achas que podes fazer para contrariar isso, nem que seja só um pedacinho? Ou já desististe de alterar isso? Qualquer ideia é bem-vinda!

    Cmpts, Ricardo.

  8. Paulo Pereira

    Monetary policy

    The United States had adopted the Federal Reserve System in 1913, and the institution was still new. Milton Friedman and Anna Schwartz, in A Monetary History of the United States, identify mistakes in Federal Reserve policy as a key factor in the crisis. At the end of the war the Federal Reserve Bank of New York began raising interest rates sharply. In December 1919 the rate was raised from 4.75% to 5%. A month later it was raised to 6% and in June 1920 it was raised to 7% (the highest interest rates of any period except the 1970s and early 1980s). The high rates sharply reduced the amount of bank lending in the country, both to other banks and to consumers and businesses.[2][9]

    Rates were sharply reduced in the latter half of 1921. The New York Federal Reserve reduced rates in successive half-point moves over the July- November period from the 7% high to 4.5% on November 3, 1921. The depression ended.

  9. agfernandes

    Obrigada, Ricardo, pela amável resposta.

    Sim, continuo a tentar colaborar à minha pequenina escala, a analisar e a reflectir sobre o que se passa à minha volta, no Farmácia Central e agora num site, o Letra 1.
    O Insurgente é um espaço muito interessante – que visito há cerca de três anos e onde já deixei muitos comentários -, pela possibilidade que dá de troca de ideias, como se fosse um Forum.
    Confesso que isso tem sido muito importante para não me sentir tão deslocada num país onde, sinceramente, nunca me senti muito “em casa”. Depois dos livros e dos filmes e documentários, a blogosfera passou a ser a minha “casa”.

    Continuação de bom trabalho insurgente!
    Cumprimentos
    Ana

  10. JS

    “…mas creio que já me apercebi que se nem a “Verdade” da Manuela Ferreira Leite ganha eleições,…”
    Sim, ser “the bearer of bad news” não é grande mote para campanha eleitoral.
    Noutra coisa FL também estava certa. “Só se interrompêssemos a democracia por seis meses”. Esta Troika fá-lo-á por mais tempo.
    Ganhar eleições e verdade/realidade são imiscíveis. 😦

  11. Paulo Pereira

    Então até o Milton Friedman percebeu que o FED foi o principal responsável por esta recessão e que a solução foi baixar os juros, numa táctica Keynesiana e aqui diz-se o oposto ?
    vamos lá aprender macroeconomia elementar que só faz bem e não tem contraindicações.

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