choque cultural (2)

O meu amigo J. sugeriu que, a exemplo da criança mimada retratada neste post, também o nosso Governo está a precisar de uma valente bofetada! E, realmente, tendo Passos Coelho feito campanha descredibilizando a gestão de Sócrates pelos seus constantes desencontros com a verdade, este Governo, ao fazer igual ao anterior, está a fazer ainda pior.

Enfim, numa época em que tanto se discute o crescente afastamento dos cidadãos face aos destinos do seu país, fenómeno especialmente notado em Portugal, é urgente adoptar, nos regimes ocidentais de democracia representativa, mecanismos democráticos que, a par e passo (e não apenas de 4 em 4 anos), permitam aos cidadãos pôr os seus governos na ordem. Este, como o anterior, precisa(va).

aumentam os impostos que ainda não tinham aumentado (3)

O senhor Ministro das Finanças, durante a sua intervenção inicial, falou em corrigir os hábitos (e cito) “atávicos” da economia portuguesa. Ora, tendo o Ministro alguma razão, eu gostaria, porém, de sublinhar o atavismo destes sucessivos governos que, incapazes de controlarem o Monstro, só sabem esmifrar os portugueses. Quanto ao “falar verdade” da última campanha eleitoral, estamos conversados!

aumentam os impostos que ainda não tinham aumentado!

O resumo da conferência de imprensa do senhor Ministro das Finanças:

* Aumenta o IRS em 2,5 pontos percentuais no escalão máximo de IRS, elevando-o para 49%. Ao mesmo tempo, são eliminadas as deduções fiscais associadas a despesas com Educação, Saúde e encargos com imóveis (obras, condomínios, etc) para os dois últimos escalões o que, na prática, é outro aumento de IRS.

* Aumenta o IRC em 3 pontos percentuais para (fabulosos!) lucros tributáveis de 1,5 milhões de euros (limiar que é reduzido, face aos actuais 2 milhões de euros), elevando o IRC para 28%.

* Aumenta o Imposto sobre Mais Valias para 21,5% (dos actuais 20%), equiparando este imposto às restantes taxas liberatórias.

* Quanto à tão anunciada redução da TSU, iniciar-se-á um diálogo “aberto e construtivo” junto dos parceiros sociais o que, na minha opinião, indica que a redução da TSU – tão apregoada e elogiada pelo PSD em campanha eleitoral – foi “metida na gaveta”.

Quanto aos prometidos cortes na despesa, o documento que acompanhou a intervenção de Vítor Gaspar, ao qual regressarei amanhã depois de o ler na íntegra, apenas fala em rubricas genéricas. Ou seja, de cortes de despesa, nada foi ainda anunciado. Mau sinal.

choque cultural

“Giovanni Colasante, um conselheiro municipal da autarquia italiana de Canosa di Puglia, foi detido na Suécia por ter dado uma bofetada ao seu filho de 12 anos.”, no Público online.

Recentemente, no regresso de uma viagem a Itália presenciei, no interior do avião, uma cena semelhante: um puto de 8/10 anos não parava quieto e o pai (um siciliano), depois de vários avisos, largou-lhe semelhante bofetada que o miúdo, depois do choro inicial, amochou e não se mexeu mais. Birra encerrada. Ora, num avião repleto de turistas estrangeiros, houve uns tantos olhares, mas ninguém disse nada, porventura, com medo de também levarem uma chapada do siciliano!

Posto isto, a notícia de cima não me surpreende, porém, como, creio eu, a maioria dos portugueses também achará, parece-me um exagero, sendo revelador de um choque cultural que continua a subsistir na Europa e que, não obstante a Suécia não fazer parte do euro, é mais um exemplo de quão difícil é a integração política na União Europeia (da qual a Suécia faz parte). Nos próximos dias, por certo,desenrolar-se-ão iniciativas políticas para deixar cair o caso, pois em Itália, como em Portugal, aquela bofetada provavelmente faria sentido e aquele que num país nórdico é um mau pai seria um bom pai num país latino…

Enfim, culturas centenárias não se mudam por decreto.

Canal História

Pedro Passos Coelho, 24.03.2011:

«Passos Coelho diz que, numa altura em que se desconhece a verdadeira situação das contas do país, não pode afastar uma mexida nos impostos. Mas a aumentar algum imposto, garante, será apenas os que incidem sobre o consumo e não sobre o rendimento

Pedro Passos Coelho, 07.04.2011:

«O presidente do PSD defendeu hoje que Portugal precisa de uma estratégia para o crescimento da economia que inclua uma reforma da justiça e uma redução da carga fiscal sobre o trabalho e sobre as empresas

Les beaux esprits…

O ministro das Finanças garantiu hoje que o próximo orçamento terá cortes na despesa “significativos” e “em todas as rubricas”, assim como medidas para melhorar a receita.

“Vamos cortar significativamente na despesa pública e em todas as rubricas”, garantiu […].

[A]ssegurou ainda que o próximo orçamento terá ainda medidas para melhorar a receita e que o Governo irá extinguir “todos os organismos que forem necessários”, pois temos de continuar firmes na execução orçamental.

[…]

Na sua opinião, não é possível atingir o objectivo orçamental sem melhoria na receita, o que poderá ter subjacente uma mexida nos impostos […].

Demagogia e realidade (4)

Pouco habituado que está a criar riqueza ou a investir e a correr riscos, torna-se certamente muito fácil para António José Seguro vir falar desta forma tão ligeira sobre aquilo que é dos outros. É nisto que resulta esta recente moda de lançar uma nova ideia de imposto todos os dias. Políticos medíocres a falar do dinheiro, da iniciativa e do esforço alheios com uma falta de noção tal que já ultrapassa o ridículo: começa a provocar nojo.