Riscar o que não interessa

A história: Um ladrão entra numa casa, dá uma tareia num homem, e rouba-lhe a televisão. Depois dá essa televisão ao irmão para que os seus cinco sobrinhos possam conhecer a cena cultural pela mão da Paula Moura Pinheiro e do seu Câmara Clara, na RTP2.

A notícia: Sem ladrões, parte da população ficaria sem acesso à cultura.

A notícia, reformulada: Risco de pobreza afectaria 41,5 por cento da população se não houvesse transferências sociais

Adenda: este post foi patrocinado pelo Pedro (e por muitos que pensam como o Pedro) que nos diz aqui que “Muitos do que estão sempre a escrever sobre a liberdade de escolha na educação, já se esqueceram que se não fosse o Estado, nem sabiam escrever.”

23 pensamentos sobre “Riscar o que não interessa

  1. Pedro

    Ó caraças, isso significa que os pais dessas crianças foram cúmplices e aproveitaram do roubo! E atendendo a que as crianças beneficiaram desse roubo, se calhar agora estão com um problemas de consciência e têm de ir ao psícólogo… 😉

  2. Um socialista com problemas de consciência por viver com dinheiro alheio? Nesse caso estaria no bom caminho para deixar de ser socialista.

  3. Pedro

    Miguel, qual “socialista”? Que culpa têm as crianças que os pais, esses sim socialiatas, tenham roubado os outros, ou sido cúmpiices? É claro que os pais é que deveriam ter problemas de consciência. Mas não, não me consta que algum desses pais se tivesse arrependido, tem razão. Receberam a “televisão” roubada para estragar os filhos, ainda por cima, e as crianças, coitadas, acho que hão-de sofrer um pouco por terem pais assim. Foi só isso que eu disse.

  4. Jorge

    O Miguel lembre-se que quando recorrer à policia também me está a roubar…

    Liberal = “Pessoa que considera roubo os impostos que pagam os serviços dos quais não necessita.”

  5. Tomás Belchior

    Miguel Madeira,

    O problema que eu vejo neste cenário é o facto do custo de oportunidade das “transferências sociais” nunca ser notícia.

  6. Pedro

    Como é que fica a história do roubo? Os sobrinhos do ladrão e filhos do receptador vão devolver a televisão? Inventam as analogias e depois não se aguentam com elas.

  7. Tomás Belchior

    Pedro,

    Como é que fica a história do roubo? A história do roubo não interessa para nada. O roubo, como é feito com boas intenções, passa a ser legítimo. Não quer que 41,5% da população esteja em risco de pobreza pois não? Ou que não tenha acesso à cultura, pois não?

  8. Ana Dias

    Eu até o levava a sério Tomás, se fizesse a mínima ideia do que é a pobreza e do que esta faz a uma sociedade. Mas você é dos liberais que vive muito bem com a miséria dos outros, sobretudo por detrás de muros bem altos, protegido pela policia (que sem dúvida deve ser pivada e paga do seu bolso).

    Escreva uns posts acerca de bailouts ao BPN e privatizações a preço de saldo para amigos, de preferência de monopolios…

  9. tiago

    Ana Dias diga lá onde mora para eu ir buscar umas coisas para as pessoas pobres do meu bairro. Eu ao contrário dos funcionários do estado não recebo comissão pelo serviço “social”

  10. Euro2cent

    Acho-vos graça, cheios de direitos de propriedade … mas deveres, não encontram, pois não?

  11. Pedro

    Tomás, está bem. ,Eu ia brincar mais um bocado e dizer que roubar é mesmo feio e o irmão do outro devia ter ido comprar o televisor à loja ou centro comercial lá do sítio, com o que iriamos por aí fora e chegar a conclusões interessantes, mas não adianta. Vai-me desculpar, mas a sua tese é tão desarticulada e inconsistente que se torna um alvo demasiado fácil. Esse seu último comentário nem sei para que serviu. Toda esta treta da “liberdade de educação” e do-nosso-dinheirinho-vai-para-educar-os-filhos-dos-outros” e do os-impostos-é-um-roubo, desmonta-se com uma facilidade tal que nem vale a pena.
    Mas temos então, em conclusão, que a maior parte de vocês, tenho a certeza, usufruiu de um roubo, mas que se não fosse o roubo, não estariam aqui a escrever. Aliás, se não fossem os assaltantes muitos não teriam outras coisas, incluindo saúde. Vou então reformular a frase que colocou no post, para ficar mais correcta: “Muitos do que estão sempre a escrever sobre a liberdade de escolha na educação, já se esqueceram que se não fosse o Estado a roubar e os vossos pais a serem cúmplices no roubo, nem sabiam escrever.”. Em homenagem ao Miguel, acrescento, que os paizinhos de muitos dos nossos liberais eram socialistas sem problemas de consciência por viver com dinheiro alheio. Os meus pais, miguelito, educaram-me com dinheiro alheio e deram-me saúde com dinheiro alheio, sem problemas de consciência . Tem alguma queixa a apresentar? E você?

  12. tiago

    O dever de deixar os outros viver a sua própria vida. E que por acaso é o único dever que vocês não respeitam, por causa de todos os outros “deveres” que impõem à vida das pessoas.

  13. Euro2cent

    > O dever de deixar os outros viver a sua própria vida.

    Os romanos tinham um método interessante para lidar com essa espécie de sociopatas. Chamava-se “deportatio in insula”: o ser independente ficava na sua ilha privada (algumas com centenas de metros quadrados), onde tinha toda a liberdade de lamber a água da chuva e orvalho que lhe apetecesse, e comer os peixes e moluscos que conseguisse. Alguns duravam anos.

    (O Hobbes já tinha explicado isso, mas a maoísta Ayn Rand não prestou atenção nas aulas – manias jacobinas de “tabula rasa”.)

  14. Pedro

    Live and let live, é bonito. Também gosto do live and let die, dos Gun’s and Roses. Tiago, um dia vai perceber que a vida não é feita de slogans. Método catita, esse, ó Euro2cent 🙂 (malta, calma que ninguém vos quer meter numa ilha,a água e moluscos. Eu não me importo nada da variante cerveja e lagosta numa ilha do pacífico, durante vinte anos)

  15. Euro2cent

    > Método catita

    Bah ;-), era mais reservado para envenenadores/as, mas não consegui resistir, estava tão a jeito para estes casos …

    Salvo erro, algures numa das histórias dos Césares &etc., penso que houve uma Júlia (nome de família, na altura) desgraçada que levou o tratamento por ser algo pirada e estar a empatar a conveniência política dos donos da quinta. Cum grano salis, não verificado por preguiça.

  16. tiago

    Euro2cent,
    deu um exemplo de um Estado que deportava pessoas para uma ilha… hmm… podia ter recorrido ao século XX, está cheio de exemplos semelhantes…ou preferiu usar a citação em latim?

    Pedro,
    fico à espera das suas lições de vida!

    pelos vistos a vida é feita de marionetas que acham que pensam livremente.

  17. Pedro

    Há-de estar no Suetónio, mas com este também não deixa de ser cum grano salis. Agora vou dormir, que amanhã tenho de ir picar o boi bem cedo.

  18. Pedro

    Tiago, quais lições de vida? aquilo que eu disse dos slogans? Aprende-se logo com 15 anos e até antes (pronto, às vezes nem com oitenta)

  19. Fernando S

    O Publico : ” Risco de pobreza afectaria 41,5 por cento da população se não houvesse transferências sociais.”

    O conceito e a quantificação do “risco de pobreza” são muito discutiveis : tem apenas em conta rendimentos monetarios ; é definido relativamente a mediana estatistica (quanto mais rico é um pais mais elevado é o valor do “risco de pobreza” ; trata-se de um indicador que tem mais a ver com a desigual repartição da riqueza do que propriamente com as condições de vida).

    Seja como for, no caso portugues, e admitindo a correcção dos outros critérios utilizados, este indice é de 17%. Se se excluissem as transferencias propriamente ditas (doença e incapacidade, família, desemprego e inclusão social) passaria a ser de 24%. Ou seja, estas transferencias permitem a cerca de 7% dos portugueses de ficar acima do “risco de pobreza”. Mas as transferencias sociais também melhoram a situação de pelo menos uma parte dos 17% restantes.
    O indice apenas passaria para os 41,5% da noticia se fossem excluidas as pensões de reforma e sobrevivencia. Mas aqui convém ter em conta que nem todas as pensões são verdadeiras transferencias sociais – uma parte importante é a contrapartida de descontos e impostos que foram pagos pelos beneficiarios ao longo da vida. São por isso rendimentos monetarios devidos. Digamos que o Estado se substitui a entidades seguradoras privadas. Dito isto, é verdade que os pensionistas não recebem todos em função do que descontaram e que uma parte das pensões são pagas a pessoas que nunca descontaram ou pagaram impostos. O que significa que a intervenção do Estado tem algum efeito redistribuidor e que uma parte do valor das pensões pode ser considerado uma verdadeira transferencia social. Neste momento não faço ideia da dimensão deste valor. De qualquer modo, o “risco de pobreza” sem as transferencias socias efectivas do Estado ficaria certamente acima dos 24% mas bastante abaixo dos 40%. Digamos que sem a totalidade destas transferencias a população portuguesa com um rendimento monetario abaixo do nivel considerado de “pobreza” passria de cerca de 1/5 para cerca de 1/3.

    O ponto de vista liberal não é o de aumentar a percentagem da população a viver abaixo do nivel de pobreza. Antes pelo contrario, dentro de um prazo razoavel esta percentagem poderia até diminuir.
    É verdade que no curto prazo esta percentagem até poderia aumentar em resultado de uma politica voluntarista de corte nas transferencias sociais do Estado.
    Mas o mais importante até nem é esta percentagem mas antes o nivel de rendimento monetario das pessoas que estão abaixo do valor determinado pelo tal “risco de pobreza”. Este rendimento poderia aumentar acompanhando um crescimento da riqueza global produzida em resultado de um maior dinamismo numa economia mais livre e menos entravada e sobrecarregada pelo intervencionismo estatal.
    De qualquer modo, mesmo no curto prazo, uma politica liberal não acabaria com todas as transferencias sociais do Estado. O principio de algumas delas seria certamente reformulado e o valor do conjunto seria muito provavelmente progressivamente reduzido.

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