“Esta semana, a propósito de um trabalho que me pediram acerca do sector das empresas públicas de transportes, estudei em detalhe a situação contabilística daquele universo empresarial, que engloba as seguintes sociedades: a Carris, os STCP, o Metro de Lisboa, o Metro Mondego, o Metro do Porto, a CP e a Transtejo. Além destas, há ainda a Refer que, ocupando-se da gestão das infra estruturas ferroviárias utilizadas pela CP, também está, de algum modo, associado aos transportes públicos. Assim, depois de analisados os números oficiais, aqueles que estão publicados na página oficial da Direcção Geral do Tesouro e das Finanças, referentes ao exercício de 2009, cheguei, sem surpresa, à conclusão inevitável: aquele sector evidencia uma situação financeira catastrófica (…) Neste contexto, que podemos, então, esperar? Três mudanças. Primeiro, a redução da oferta de serviços, através da redução de trajectos e da frequência com que estes são realizados. Segundo, uma actualização tarifária, traduzindo-se numa subida dos passes, até 20% nos transportes rodoviários – os menos desequilibrados –, sendo que no caso dos transportes ferroviários – os mais desequilibrados – os números são tão obscenos, pelo que, é melhor nem concretizar. Ainda neste capítulo das revisões tarifárias, também é natural que as políticas de descontos sejam revistas, nomeadamente junto dos jovens e dos seniores perante os quais, depois de uma razoável prova de meios, não se justifiquem descontos. Quanto à terceira e última mudança expectável, a engenharia financeira, o mais provável é que, a prazo, parte do passivo seja transformado em capital próprio, uma operação que, na prática, e na impossibilidade de o Estado acompanhar aumentos de capital, se traduzirá na privatização gradual de qualquer uma daquelas empresas. Em suma, é de esperar uma contracção do serviço prestado e, directamente ou indirectamente, a curto prazo ou a médio prazo, uma forte expansão dos preços cobrados.”, publicado no jornal “Vida Económica” a 29 de Abril de 2011.
O Álvaro, perdão, o Senhor Ministro, anda a ler os meus artigos de opinião!