Se houvesse justiça…(3)

Para ser lido apenas por quem concorda com todos os pontos seguintes:

– Que concorda que o problema de excesso de endividamento deve (também) ser pago com carga fiscal adicional

– Que concorda com impostos directos em geral

– Que concorda com impostos sobre o rendimento

– Que concorda com impostos proporcionais sobre o rendimento

– Que concorda com impostos progressivos com o volume do rendimento

 

Os impostos sobre o rendimento, por oposição a impostos sobre a propriedade, são impostos que, por definição, favorecem quem já acumulou rendimentos por oposição a quem está a começar acumular rendimentos. Em geral são impostos que prejudicam quem está no início de vida, no início da subida da escada da mobilidade social que qualquer bom social democrata, quer seja do PS, PSD ou CDS, defende.

Esta lógica aplica-se ainda mais quando estamos a falar de um imposto extraordinário, que, a ser de facto extraordinário e para pagar a dívida acumulada durante os últimos 36 anos, poderia ser aplicado também sobre o stock de riqueza, sobre a riqueza acumulada.

A injustiça na distribuição desta medida toma proporções colossais quando verificamos quantas pessoas conhecemos que pouco ou nada têm mas que têm o azar de estar a arrancar com os primeiros anos de rendimentos do seu trabalho e que pertencem aos tais 15% que vão pagar os 100% dos impostos.

Para uma parte dos 15%, os 3,5% de imposto sobre o rendimento anual serão uma parcela ínfima da sua propriedade. Para outros, os 3,5% de imposto sobre o rendimento anual, serão uma parcela muito importante do seu rendimento disponível acumulado.

O que é que jovens que iniciam carreiras de sucesso em Portugal mas que as podiam estar a seguir em qualquer outro lugar do mundo pensarão sobre o seu futuro em um país que acha que este imposto é justo? Se a maioria acha que este imposto é justo, é apenas natural que outros impostos no futuro serão desenhados dando reposta ao padrão de justiça dessa mesma maioria. Esses jovens de sucesso são-no porque pensam. Quantos, depois de pensarem, ficarão aqui para pagar os resultados deste conceito de justiça?

PS:

Um agregado que tenha 80.000 de rendimento anual pagará cerca de 2.750 Euros de imposto extraordinário. Por hipótese (sou um brincalhão) tem 16.000 Euros de rendimento disponível esse ano (20% do total bruto).

– Se esse agregado tiver 500.000 Euros acumulados de anos anteriores, este imposto (extraordinário, único e resultado de dívidas acumuladas) terá um peso de 0,5% nesse rendimento disponível acumulado.

– Se esse agregado estiver no início de vida e não tiver rendimentos disponíveis acumulados este imposto terá um peso de 17,3% nesse rendimento disponível acumulado.

E quem tem os mesmos 500.000 Euros  de acumulados e paga 0 (zero) destes imposto extraordinário?

5 pensamentos sobre “Se houvesse justiça…(3)

  1. lucklucky

    Se as pensões são agora calculadas para a totalidade da carreira contributiva….os impostos também não deveriam ser?

  2. “Os impostos sobre o rendimento, por oposição a impostos sobre a propriedade, são impostos que, por definição, favorecem quem já acumulou rendimentos por oposição a quem está a começar acumular rendimentos.” ”

    Bem, como a propriedade tende a gerar rendimentos, em principio que tenha muita propriedade terá também muito rendimento, logo tenderá também a ser prejudicado com impostos sobre o rendimento (embora não necessariamente por este)

    “Em geral são impostos que prejudicam quem está no início de vida, no início da subida da escada da mobilidade social que qualquer bom social democrata, quer seja do PS, PSD ou CDS, defende.”

    Penso que, quase por definição, quem está a começar a escalada da mobilidade social tem menos rendimentos do que quem chegou lá em cima.

  3. libertas

    Ricardo G. Francisco,
    -não se trataria de dupla tributação porquanto o rendimento acumulado já pagou a tributação no ano fiscal em que foi gerado?
    -não se trataria de uma penalização de quem aforrou face aos contribuintes que consumiram?

  4. Ricardo G. Francisco

    Libertas,

    (sempre dentro do contexto do aviso que coloquei no início)
    – Este imposto, alem de suplementar, é supostamente extraordinário, único e devido a dívidas acumuladas.
    – Com certeza. Quem concorda com todos os pontos do aviso não se preocupa com essas pormenores…

  5. ad

    o problema é que se para aqules que começam agora é a primeira vez para aqueles que já andam aqui há mais tempo esta já é a terceira vez que tem de pagar. Com rendimento, com propiedade e com mais o que se lembram…

    E o que irrita é que mais uma vez quem vai pagar é no geral quem nunca concordou com a forma como se tem governado, discorda das policticas seguidas, principalmente dos ultimos 16 anos. principalmente porque foram-lhe lapidando paulatinamente o que era propriedade

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