boçal

“Jaime Ramos dirigiu-se aos jornalistas, onde nos encontrávamos, e distribuiu umas folhas e um folheto, deixando de fora o DN”, relata o jornalista visado. “Anunciou também que devido à nossa presença, já não haveria conferência de imprensa”, acrescenta Passos. Quando este interpelou o dirigente social-democrata a solicitar os documentos distribuídos, Ramos “disse que não convivia com ´paneleiros´ (…) não são inéditas as expressões usadas por Ramos que no parlamento já chamou “filho da p…” ao deputado Bernardo Martins (PS), “cabra” a Rita Pestana (PS), “chulo” e “vadio” a Edgar Silva (PCP) a quem ameaçou de “um tiro nos cornos”, “gatuno” e “burro” a Jacinto Serrão (PS). Também “mimoseou” Violante Matos (BE) com um “vai à merda” e até ao presidente do parlamento “convidou” a que fosse “para o c…”, hoje, no Público online.

Bem, aqui há tempos um colunista da revista inglesa “The Spectator”, citado no Portugal Contemporâneo, afirmava o seguinte: “(…) my real reason for objecting to our membership of the euro was, and still is, I’m afraid, straightforwardly racist. I didn’t want to have the same currency (or government, effectively) as people in the south of Europe, who I thought were, in the main, lazy, hot-tempered and uncivilised. It occurred to me that we have very little culturally or socially in common with the Greeks (except Taki, of course), the Spanish, the southern Italians, the Portuguese (ancient alliances notwithstanding) and that while it is sometimes nice to meet these people briefly while holidaying in their interesting countries, one would not wish to go into business with them” (destaques meus). Ora, lendo o parágrafo inicial e regressando ao artigo do Ron Liddle há que reconhecer that, indeed, he has a point

Enfim, já sabíamos que a inimputabilidade dos políticos era um principais obstáculos a uma efectiva implementação da Democracia em Portugal. Mas infelizmente, a essa inimputabilidade, ou desresponsabilização, soma-se um outro defeito: a nossa boçalidade. Fosse este tal de Ramos responsável político num desses países da Europa do norte e há muito que já tinha sido encostado. Aqui não! Pelo contrário, o dito Ramos é até um alto dirigente do partido que agora é o mais representativo do povo português: daquele que está no Governo!

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16 pensamentos sobre “boçal

  1. Lima

    Já agora podia ter invocado o caso do deputado mãosinhas leves que voltou a ser eleito com a maior naturalidade, como se nada tivesse acontecido. Mas no reino unido a coisa é bem mais dura. Eles lá são verdadeiros profissionais. Veja-se o caso das escutas das empresas do Murdoch. Prefiro de longe lidar com a boçalidade, que é também ela transparência e previsibilidade, dos latinos, do que com o cavalheirismo, que é também ele calculismo, falsidade e imposturice, dos povos do norte, que nos estão a cumprimentar com uma mão e a fazer a folha com a outra.

  2. Ricardo Arroja

    “Prefiro de longe lidar com a boçalidade, que é também ela transparência e previsibilidade, dos latinos, do que com o cavalheirismo, que é também ele calculismo, falsidade e imposturice, dos povos do norte, que nos estão a cumprimentar com uma mão e a fazer a folha com a outra.”

    Point taken! Também tem uma certa razão.

  3. Luís Lavoura

    Lima,

    escutas também cá há. Cá também há escutas telefónicas que aparecem transcritas nos mídia. Há muito tempo e com toda a desfaçatez, e até contra providências cautelares já emitidas por tribunais.

    Não são só os povos do Norte que fazem essas poucas-vergonhas. Com a diferença que, lá, esses procedimentos são condenados. Cá são considerados uma arma legítima da política.

  4. não querendo desculpar esse nobre exemplo da classe política nacional, esse “Spectator” não esteve em Belfast, U.K. há duas semanas atrás? Lá são muito civilizados…

  5. Pedro

    “Lá”, são condenados, Luis Lavoura? Não me lembro de nenhum politico inglês ou magnata de qualquer coisa a ser lá condenado pelo que quer que seja. Não irá acontecer ao Murdoch, certamente, e está para se ver se acontece a algum dos seus subordinados (que é até onde a justiça chega, eventualmente).
    Esteja mais atento à imprensa inglesa e pode ser que aprenda alguma coisa sobre o funcionamento da justiça inglesa. Curiosamente, o fascínio pela pose e solenidade da justiça inglesa é mais nossa (a dos boçais do sul), do que deles 😉

  6. Luís Lavoura

    Pedro,

    quando eu dizia “lá são condenados” referia-me à condenação moral, à reprovação por parte da sociedade, dos partidos, e dos jornalistas sérios. Não me referia à condenação judicial.

    O que acontece cá é que procedimentos similares, não só não são condenados em tribunal, como também são considerados moralmente aceitáveis por parte de muitos jornalistas, de muitos políticos, e de grande parte da sociedade.

  7. Lima

    Luis Lavoura,

    Tem toda a razão. Quanto às condenações no UK, espero para ver. Para já, só umas auto-demissões, mas também há uma morte, em condições que, diga-se, no mínimo muito estranhas. Ou é muita coincidência mesmo.

  8. Pedro

    Luis Lavoura, cá também são condenados moralmente por gente séria (jornalistas, politicos, etc). E, lá, como cá, não são condenados por aqueles que não são sérios.
    Quanto à contabilidade da gente séria, se há mais lá do que cá, não faço ideia. É presumir demais supormos que lá há mais gente séria. Repare que o jornalismo de esgoto sempre foi lá muito bem tolerado, muito mais do que cá. Nunca lá houve grandes escrúpulos, tanto da parte de quem redige as noticias, como da parte de quem as lê. E seria de supôr que se a condenação moral fosse uma coisa abrangente, isso tivesse correspondência na condenação judicial (cá ou lá).

  9. Bmonteiro

    «o dito Ramos é até um alto dirigente do partido»
    Surpresa?
    Não foi o regime construído com gentalha da laia
    de tipos como aquele alto dirigente e autarca emérito do mesmo partido?
    O expulso (no anterior regime) da sua corporação (Exército), por desvio de fundos?
    O artista Valentim do sucesso democrático?
    Ele e outros, no PSD o no PS, tudo boa gente, autênticos cavalheiros.

  10. Lusitânea

    Tenho um certo azar a gestores que metam sifões,águas e sanitas.Vai sempre tudo parar à fossa…

  11. Torpedo

    “Tenho um certo azar a gestores que metam sifões,águas e sanitas.” Faz lembrar o ex-PM…

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