Os burros do costume

Meu caro Ricardo, são apenas os 15% do costume.

Até ao dia, claro, em que a coisa não der mais

 

19 pensamentos sobre “Os burros do costume

  1. RNP

    Os “burros” que ainda (não votarão com os pés) restam e sustentam o “JUNK” da carroça, um dia deixam de dar para o peditório …

  2. Euro2cent

    Hoje estou numa onda de falta apática de opinião própria (ou mais exactamente, energia para a decidir e expressar), mas tropecei neste argumento interessante que aqui vos deixo citado. Não sei se é derivado de alguma literatura profissional (doutrina social da igreja, ou um toque de enxofre neo marxista?), mas tem valor próprio como “food for thought”.

    [ comment by ‘Sharn cedar’ on ‘DEAR RICH FOLKS: Get Ready For A (Tax) Revolution In Which Your Money Will Be Taken Away’,
    http://www.businessinsider.com/tax-increases-are-coming-2011-7 – sic, a couple of typos uncorrected ]

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    Another thing to consider in terms of whether the rich “deserve” their money, or whether those rewards belong to the society that bestows them is the consolidation of labor. Consider Oprah Winfrey. She s probably only marginally better than the next best candidate for talk show queen. Yet she has amassed 100’s of millions while the next bes candidate for her job has no such job at alll. So we have two people, one tha is maybe 5% better at being a talk show queen, her income is 100 million, and another, 5% worse, and her income is some middle class wage like 50,000. Because of consolidation, the society only needs one Oprah Winfrey. We are paying 100 million to the role, not the woman. That’s the key point. She herself is worth 50,000 plus 5%, and the role of talk show queen, which could have been filled almost as well by many, many other people, is worth all the rest of the money. That role belongs to society, not to Oprahe Winfrey.

    You see the same thing with CEOs, bankers, and others where consoliated and mass production allows only a few highly productive roles. The wealth associated with those roles, which is to say the consolidate dower, belongs to society not to the individual lucky enough to get to fill the role. This is why tax rates of 91% on the few that occupy the most consolidate roles was thoroughly appropriate and part of an economic approach that led to America’s greatest period of growth and general prosperity. High taxes on those who wield societies greatest powers on behalf of society are normative. The power, the influence they wield belongs to the society that allows and enables it, not to the individual who fills the role.
    “””

    Nota suplementar: o artigo original só menciona “income taxes” – os donos dos Estados Unidos, sabidos que são, focam aí a colecta federal. A conta fica maioritáriamente para uma classe (gestores, artistas, etc.) imediatamente abaixo dos realmente ricos. Seria trágico se os donos tivessem de pagar impostos sobre tudo aquilo que demonstrávelmente possuem, em vez do que mostram lucrar …

  3. João Branco

    Deve ser dito que o gráfico apresentado é bastante tendencioso (os valores de imposto pago não podem ser comparados facilmente com um gráfico cumulativo). No entanto, deve ser notado que o principal problema de base parece ser a distribuição de rendimentos – mesmo uma “flat tax” teria um aspecto semelhante com a distribuição de rendimentos portuguesa, principalmente se tiver um limiar de reserva.

  4. João Branco

    “Mesmo uma “flat tax” teria um aspecto semelhante com a distribuição de rendimentos portuguesa, principalmente se tiver um limiar de reserva.” Lembrei-me agora, claro, que é mesmo isso que a contribuição extraordinária faz…

  5. «Deve ser dito que o gráfico apresentado é bastante tendencioso»

    É isso mesmo, pá! A realidade é altamente tendenciosa. Eu diria mesmo reaccionária!

    «os valores de imposto pago não podem ser comparados facilmente com um gráfico cumulativo»

    Pois claro que não. Um gráfico cumulativo serve para ver a distribuição cumulativa de impostos pagos pelo universo pagante. Genial!

  6. «mesmo uma “flat tax” teria um aspecto semelhante com a distribuição de rendimentos portuguesa, principalmente se tiver um limiar de reserva.»

    Tenho uma grande admiração pelo génios que conseguem visualizar o aspecto de um gráfico sem se darem ao trabalho de o elaborar.

  7. João Branco

    Migas, o que está a querer comparar? A distribuição cumulativo de impostos? Então o gráfico apresentado não é necessário (bastaria a ultima linha, com a distribuição das componentes pelos percentis). A evolução dessa distribuição pelos percentis? Então o gráfico distorce a informação (não deveria ser cumulativo, e sim indicar os valores não somados para cada “bucket”). A relação entre os impostos pagos e os rendimentos das pessoas? Essa informação não está no gráfico, mas da lei do IRS sabe-se qual o valor de progressividade do mesmo (hint: não é assim tão grande com os escalões que temos) e pode-se inferir que para haver a relação 85%/15% que o autor indica, a distribuição de rendimentos tem também de ser bastante desigual. Neste caso, obviamente, uma flat-tax não vai resolver o problema de tributação (se calhar passar-se-ia para 20%/80% no limite, para valores agregados equivalentes de tributação, mas só sei os valores fazendo as contas). E sim, consigo perfeitamente visualizar o gráfico de cabeça (é uma parte do meu trabalho).

    Já agora deixo uma provocação: experimentem também imaginar o gráfico correspondente ao rendimento disponível depois de impostos e despesas correntes para os diversos percentis…

  8. João Branco

    Quando estou a dizer que uma flat-tax não resolve, estou a assumir uma flat-tax com um valor de reserva semelhante ao valor não tributado actual. Se formos para uma flat-tax absoluta, as coisas ficam mais distribuídas.

  9. «Então o gráfico distorce a informação (não deveria ser cumulativo, e sim indicar os valores não somados para cada “bucket”).»

    Bom, face ao nitpicking, como estou bem disposto, aqui deixo o gráfico alternativo. Como dá para ver, a realidade tendenciosa e reaccionária permanece glaringly visible…

  10. «mas da lei do IRS sabe-se qual o valor de progressividade do mesmo (hint: não é assim tão grande com os escalões que temos)»

    Não, que ideia! Como a sumidade nacional costuma dizer, o nosso IRS é “moderadamente” progressivo. Esses ricaços que ganham 1000-1500 euros por mês não devem queixar-se; devem é agradecer o estado deixá-los ficar com uma fatia ainda tão grande!

    «e pode-se inferir que para haver a relação 85%/15% que o autor indica, a distribuição de rendimentos tem também de ser bastante desigual.»

    E é. Mas não de todo tão desigual como a punitiva carga fiscal.

  11. João Branco

    Na realidade este gráfico é mais ilustrativo que o anterior, e permite mostrar que a maior componente está concentrada justamente nos > 95% (que pagam mais de 60% do IRS) e nem tanto nos percentis de 85-95 (que juntos não chegam a pagar 30%). Se tiver também a taxa efectiva de IRS associada a cada percentil, poderá também verificar as minhas observações sobre a desigualdade de distribuição de rendimentos e verificar o efeito de uma flat-tax com um valor de reserva. De acordo com este gráfico, provavelmente o efeito que eu mencionei de 20/80 não estará muito longe da verdade (vejam que o valor de reserva por si só continuará a levar a que 60% dos rendimentos não paguem nada).

    Já agora, não é possível a realidade ser tendenciosa, mas acho que certos gráficos tendenciosos a distorcem (não vejo que o adjectivo reaccionário possa ser aplicado aqui, mas que a realidade não é igualitária isso é visível).

  12. Ou seja, para si o facto do declive da curva disparar dos 95 par aos 100, subindo dos 40 para os 100, nada lhe diz sobre o concentração no último “bucket”? A informação é a mesma… Apenas a forma de a apresentar é diferente…

  13. João Branco

    Claro que me diz, mas é muito mais fácil comparar os 60% com os 15% e os 10% anteriores no segundo gráfico (sem ter que andar a fazer contas de cabeça ou linhas no gráfico)…

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  16. Engraçado como o IRS é tratado como um indicador de impostos pagos, quando há o IVA, IRC, IMI, imposto automóvel, imposto sobre os produtos petrolíferos, entre outros.

    E a ideia que vocês propõem e que há quem designe de neoliberal, tem tanto de neo como o neolítico! Quando o IRS surgiu era igual para todos os rendimentos, mas alguém achou que quem tem mais poderia pagar também mais. Não creio que as taxas progressivas sejam um disparate assim tão grande. Eu pelo menos não me importo de pagar um pouco mais para que haja crianças, idosos e inválidos a ter direito a alguma coisa.

    Óbvio que preferia receber mais e que sei que o meu dinheiro é e continuará a ser desperdiçado bastantes vezes, mas acho que as vezes em que ele é bem gasto compensam aquelas em que não é.

    Se um dia me cansar de viver num país pobre mas um pouco justo, vou para os Estados Unidos e ganho o meu salário sem querer saber se os pobres morrem por não ter dinheiro para pagar um médico.

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