O fim da guerra à economia

CONTEXTUALIZAÇÃO:
Quando acabou a II Guerra Mundial, os economistas “keynesianos” previam o desastre. Enormes dívidas tinham sido incorridas, o Governo teria de pagar o dinheiro pedido emprestado (outros tempos), milhões de americanos que tinham sido empregues pelo esforço de guerra iam ser atirados para o desemprego. Harry Truman, eleito em 1945, fez o inesperado: muito pouco. A máquina de guerra foi desmantelada sem demoras. Sem intervenção estatal a perturbar a recuperação da economia, o PIB caiu a pique — mas ninguém notou — os EUA voltavam a tempos de prosperidade. Quebrando a prática insurgente de não linkagem para blogues pessoais, deixo-vos dois links úteis:
A ’depressão’ de 1946
A ’depressão’ de 1946 (2)

Um post tão bom que merece ser reproduzido na íntegra — Keynes vs. Reality por Russ Roberts:

Here is Paul Samuelson in 1943:

When this war comes to an end, more than one out of every two workers will depend directly or indirectly upon military orders. We shall have some 10 million service men to throw on the labor market. We shall have to face a difficult reconversion period during which current goods cannot be produced and layoffs may be great. Nor will the technical necessity for reconversion necessarily generate much investment outlay in the critical period under discussion whatever its later potentialities. The final conclusion to be drawn from our experience at the end of the last war is inescapable–were the war to end suddenly within the next 6 months, were we again planning to wind up our war effort in the greatest haste, to demobilize our armed forces, to liquidate price controls, to shift from astronomical deficits to even the large deficits of the thirties–then there would be ushered in the greatest period of unemployment and industrial dislocation which any economy has ever faced.

From Paul Samuelson, “Full Employment after the War,” in S.E. Harris, ed., Postwar Economic Problems, 1943.

And now a quote from the The Economic Report of the President, page 1, issued by Harry Truman on January 8, 1947:

During 1946, civilian employment approached 58 million. This was the highest civilian employment this Nation has ever known— 10 million more than in 1940 and several million higher than the wartime peak. If we include the military services, total employment exceeded 60 million. Unemployment, on the other hand, remained low throughout the year. At the present time it is estimated at about 2 million actively seeking work. This is probably close to the minimum unavoidable in a free economy of great mobility such as ours.

Thus, at the end of 1946, less than a year and a half after VJ-day, more than 10 million demobilized veterans and other millions of war-time workers have found employment in the swiftest and most gigantic change-over that any nation has ever made from war to peace.

21 pensamentos sobre “O fim da guerra à economia

  1. Paulo Pereira

    Ou seja , a grande experiência Keynesiana, que foi manter o sector privado a funcionar em plena guerra em vez de ser nacionalizado (o mesmo se passou no R.Unido) criou uma dinâmica na economia de tal maneira que esta foi capaz de manter um elevado nivel de emprego ao longo de vários anos.
    A elavada divida publica criada na guerra não criou o apocalipse hiperinflacionista porque o sector privado aproveitou para produzir bens e serviços que tinham forte procura (carros e frigorificos para todas as familias).
    É o tal ciclo do dinheiro.

  2. lucklucky

    Haha. Paulo Pereira. Ainda não descobriu que o mundo estava muito mais pobre em 1945 do que em 1939?

  3. Carlos Novais

    Paulo Pereira

    O pós-WWII marcou o domínio do dólar, o que lhe acrescentou capacidade acrescida de emitir dívida e moeda até esbarrar com as consequências do Keynesianismo nos anos 70 (estagfação).

    Sim, tem razão com o “foi manter o sector privado a funcionar em plena guerra em vez de ser nacionalizado” foi um um grande factor que possibilitou esta transferência que nos cálculos keynesianos-as-guerras-e-terramotos-aumentam-procura-agregada devia ter daod numa grande recessão dado a despesa do Estado ter sido cortada drasticamente.

    Quanto a crendices, ainda estou para perceber como o General Theory pode ser levado a sério. Bastaria o multiplicador do investimento deduzido a partir de fórmulas sem sentido para descredibilizar por completo a coisa.

  4. Paulo Pereira

    Recession of 1945 Feb–Oct 1945 GDP decline (peak to trough) −12.7%

    É simples de explicar : Os privados estavam carregado de divida pública, ou seja net savings elevada , o estado social estava em funcionamento logo a propensão para o consumo era elevada e o desemprego estava baixo.

    Os privados começaram a comprar carros, frigorificos e casas, as empresas fabricaram esses bens e não despediram tanta gente como o esperado. Os estabilizadores automáticos mantiveram o rendimento e impediram a propensão para o consumo aumentar.
    .
    O Keynesianismo funcionou na perfeição ! O sector privado é que é o motor da expansão , tal e qual a teoria.
    .
    O multiplicador é uma pequena parte da GT e apenas significa que o dinheiro circula no sector privado até que os impostos ou a poupança páre a circulação.
    .
    A questão central Keynesiana é : é o acto da compra do consumidor que inicia a causalidade na economia. Os consumidores não compram tudo o que podem, poupam dinheiro, e poupam tanto mais quanto existem crises ou evidências de crises. Menos compras menos economia.

  5. Paulo Pereira

    Os liberais têm de perceber que uma sociedade altamente livre tem de ser rica, educada e saudável.
    É isso o Keynesianismo : liberdade e bem estar.

  6. Paulo Pereira

    Reparem também que a GT tem como preocupação central o emprego. Este é o parêmetro fundamental macroeconómico a monitorar.
    .
    Quando uma economia está com desemprego baixo o receio do futuro é baixo, porque a probabilidade de cada um dos consumidores ficar desempregado é baixa, logo a propensão para a poupança é baixa e o consumo alto, reforçando o emprego elevado.
    .
    A GT resolve o problema da recuperação económica depois de uma recessão forte ou depressão, não se preocupa com uma economia de pleno emprego. Essa funciona bem até ser atingida por um choque económico : guerra, epidemias (crise asiática) , falências de grandes bancos (crise de 2008) ou países (crise da russia e da américa latina).
    .
    O consenso convencional económico não dá importância suficiente á queda abruta do investimento no inicio de uma crise, nem dá importância suficiente aos problemas que surgem rapidamente nos bancos.

  7. Carlos Novais

    Paulo Pereira , o GT não resolve nada é um chorrilho de erros intelectuais alguns deles embaraçantes (tal como o multiplicador).

    “A questão central Keynesiana é : é o acto da compra do consumidor que inicia a causalidade na economia. Os consumidores não compram tudo o que podem, poupam dinheiro, e poupam tanto mais quanto existem crises ou evidências de crises. Menos compras menos economia.”

    Aumento de poupança relativamente ao rendimento, aumenta os recursos disponíveis para investimento que é a única possibilidade de crescimento através da diminuição de custos de bens já produzidos ou que os substituam.

    Só a produção de um dado bem pode constituir a procura de outro bem (que é o que Say quis dizer e que Keynes distorceu claramente, basta ler a oassagem relevante de Say).

    Assim, não é o consumo que constitui procura, é a produção de um bem/serviço utilizado para a procura de outro bem.

    As crises não surgem da vontade de poupar nem da procura por liquidez, mas do desequilíbrio entre poupança e o investimento real desencadeados numa bolha artificial cuja consequência é a liquidação em cadeia de processos acaba a pôr causa a solidez dos bancos e isso sim, desencadeia a procura por liquidez que seja segura, coisa que não é certa, dado ser o crédito agora mal parado que serve de colateral aos depósitos.

  8. lucklucky

    “Os liberais têm de perceber que uma sociedade altamente livre tem de ser rica, educada e saudável.
    É isso o Keynesianismo : liberdade e bem estar.”

    Você julga que as suas mentiras convencem alguêm?
    Onde é que descobriu Liberdade no Keynesianismo: Manipulação do dinheiro dos outros é Liberdade? Impostos para pagar as manipulações e intervenções constantes dos keynesianos é Liberdade?
    Não. É Mandarinato. Por definição anti-liberdade.

  9. Paulo Pereira

    Carlos Novais, insistir na lengalenda da lei de Say é ridiculo e infantil nesta altura. Ninguém acredita nisso numa economia monetária.
    .
    Leia a GT e depois critique. Se depois de ler você não conseguir interiorizar que é a procura que inicia a causalidade na economia então é um caso perdido.
    .
    Nenhuma empresa produz bens ou serviços se não os vender. É dificil entender isto ? Se os stocks iniciais ficarem nas prateleiras a economia para, com o investimento a cair a pique, porque nenhuma empresa vai comprar máquinas se não vender mais. Pense lá nisso um bocadinho.
    Pense nos argumentos por eles e não por ter decorado lengalengas austriacas.
    .
    LL você é um utópico e faz afirmações parvas e desprositadas. Está preso a ideias infantis que não existem em lado nenhum do mundo.
    O dinheiro é uma invenção para melhorar a sociedade. É como os outros sistemas do estado.
    Mas concordo consigo que o tamanho do estado deve ser minimizado e os impostos diminuido, especialmente os impostos sobre as empresas, que diminuiem a oferta.

  10. Paulo Pereira:

    Qual é parte que não compreende:

    “Só a produção de um dado bem pode constituir a procura de outro bem (que é o que Say quis dizer e que Keynes distorceu claramente, basta ler a passagem relevante de Say).

    Assim, não é o consumo que constitui procura, é a produção de um bem/serviço utilizado para a procura de outro bem.”

    Com moeda ou sem moeda (um meio de troca) só a produção de um bem tem a capacidade de materializar a procura de outro. De resto Say nunca disse exactamente as palavras atribuídas por Keynes na GT “Production creates its own demand”. É auto-evidente que a produção de um dado bem constitui a procura de outro, ninguém produz a não ser para trocar essa produção por outro bem.

    A vontade de consumir não constitui procura, a vontade de consumir tem de materializar-se na produção ´prévia de alguma coisa para esta ser trocada pelo produto/bem desejado.

    Agora, nem Say nem os clássicos nem de perto nem de longe disseram que qualquer coisa produzida de qualquer maneira vai ter procura ou ser trocada ao rácio (preço) de custo, mas quem trata de eliminar dinâmicamente isto é o mercado, sendo os recursos reafectados para outra produção. E quem quer fazer crer que era isso que queriam dizer é infantil no mínimo para não dizer mal intencionado (Keynes é um campeão da distorção).

    Sim, o Keyneisanismo é de uma infantilidade atroz e um dia vai ser um embaraço alguém admitir que foi Keynesiano ou ainda que seja a moderna síntese neoclássica-neoKeynesiana.

  11. Paulo Pereira

    Carlos Novais, você insiste na lengalenga ridicula do Say sem ver a causalidade.
    .
    Numa economia monetária todas as transações são em dinheiro, não em produtos. As empresas produzem , vai para stocks. Depois só produzem ou investem mais se venderem o que está nos stocks. O equilibrio faz-se nesta situação , mas …
    .
    O dinheiro serve para acumular riqueza além de comprar. Qualquer choque económico ou social leva as pessoas a consumirem menos e as empresas deixam de produzir e deixam de comprar máquinas . É dificil entender isto?
    .
    O dinheiro existe , não é uma fantasia ! tente perceber a causalidade e não as lengalengas. Só com dinheiro se compram coisas. Mas cada um só compra o que quer , não o que é produzido.

    Euro2cento, agradeço o link :

    “The G.I. Bill (officially titled Servicemen’s Readjustment Act of 1944, P.L. 78-346, 58 Stat. 284m) was an omnibus bill that provided college or vocational education for returning World War II veterans (commonly referred to as G.I.s) as well as one year of unemployment compensation. It also provided many different types of loans for returning veterans to buy homes and start businesses. Since the original act, the term has come to include other veteran benefit programs created to assist veterans of subsequent wars as well as peacetime service.

  12. Pauo Pereira

    Numa economia monetária livre, as pessoas escolheram um meio de troca de forma a poderem trocar a sua produção (que tem de ser prévia) por outros produtos.

    Ainda que fosse possível e acontecesse uma pessoa produzir e receber em troca moeda e nada consumir e essa moeda fosse enterrada e desaparecesse para sempre depois de morrer, a economia não sofreria nada com isso. A retirada de circulação de moeda faz descer os preço marginalmente aumentando o poder de compra dos saldos monetários o que confere capacidade de investimento e consumo adicional para quem detém esses saldos monetários. Nada é perdido.

    Em termos abstractos, a quantidade de moeda podia ser fixa que a economia funcionava perfeitamente, Todo o crescimento económico se traduziria em descida de preços nominais… porque os custos desceriam primeiro.

    Tudo isto é diferente se tivermos uma crise financeira provocada pelo arrebentar de uma bolha de crédito. Aí a procura por moeda aumenta dado a incerteza criada. Mas é uma consequência e não uma causa

  13. Paulo Pereira

    Carlos Novais,

    Estamos a chegar a um acordo. Só nos separa o que acontece quando os consumidores em agregado começam a consumir menos a partir de uma dado momento (o que eu chamo de crise ).
    .
    Veja se a causalidade não é esta em geral :
    a) menos compras , menos vendas , as empresas produzem menos e começam a despedir pessoas.
    b) você diz que os preços também baixam, mas observa-se ao longo de décadas que os preços demoram bastante a baixar (as empresas cortam na quantidade produzida muito mais depressa).
    c) mas neste intervalo de tempo aqui entra o efeito de segunda ordem : a queda abrupta do investimento, que representa uma parte importante do emprego e a seguir medo, que torna a diminuir a propensão para o consumo, criando um ciclo vicioso.

  14. António Costa Amaral (AA)

    criando um ciclo vicioso 😀

    CN, o nosso troll du-jour Paulo Pereira é adepto das teorias da “espiral da morte” Keynesiana! Entre as muitas pérolas que já aqui nos deixou, diz que só o Estado pode promover o crescimento sustentado da Economia, e que o sector privado nem consegue suster o nível de actividade económica existente no presente (ou qq coisa parecida, é demasiado fácil parafrasear “baralhados”). Digamos que subtilezas não funcionam com quem faz interpretações semânticas das coisas (por exemplo, há quem ache que “investimento público” é mesmo “investimento” feito “por todos nós” — porque assim se chama — mas em justiça isto não vem do nosso troll, mas de outros alucinados da praça). Discutir a Lei de Say [eu prefiro a forma bruta: “tudo tem de ser produzido antes de ser transaccionado”] é perda de tempo. Eu já insisti numa abordagem tipo Bastiat, com aqueles conceitos for-six-year-olds, mas devo ser tão chato que a criatura salta logo para os mistérios místicos da macroeconomia…

  15. Carlos Novais

    Paulo Pereira

    Os efeitos que descreve são consequências da doença anterior constituída pela bolha económica e constituem em si o processo, doloroso, mas processo de cura. A baixa de preços e a liquidação de processos económicos, em especial de investimento (cuja existência só se deu pelo efeito da bolha de crédito), é mesmo o que tem de ocorrer para o reequilíbrio rápido.

    O aumento da poupança num processo desses pode ser visto como sendo necessária para aguentar os prejuízos acrescidos desse processo de liquidação. I intervencionismo Keynesianas no sentido de pretender sustentar consumo e investimento para evitar este processo só atrapalham o processo de cura.

  16. Paulo Pereira

    A ignorância e arrogância do senhor AA é por demais evidente .
    Não faz ideia nenhuma em como funciona a economia, nem se dá ao trabalho de tentar aprender.
    .
    O Sr. Carlos Novais não consegue sair da lengalenga básica da bolha e da liquidação.
    .
    E depois convencem-se que são grandes mentes.

  17. Carlos Novais

    “O Sr. Carlos Novais não consegue sair da lengalenga básica da bolha e da liquidação.”

    Paulo Pereira, repare, os Keynesianos é que acham que as crises aparecem por razões de depressão psiquiátrica despoletada por um evento sem qualquer relação com males económicos fundamentais.

    A “lengalenga a bolha e da liquidação” não é nada básica, insere-se perfeitamente e consistentemente em toda a teoria “austríaca” sobre taxa de juro (e a refutação das teorias puramente monetárias de preferência de liquidez e as da produtividade de capital), e estrutura não homogénea do capital (cuja acumulação depende da criação de bens de capital cada vez mais longe do consumidor final, de modo a aumentar a produtividade e diminuição de custos unitários) .

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