the perfect storm (III)

“(…) the main risk lies somewhere else – in the CDS market. Total net risk to a Greek default is ‘only’ about $5 billion, but that number masks a much greater risk to those individual banks which have sold CDSs and which would therefore be on the wrong side of the trade, should Greece default. Total gross exposure to a Greek default is about $79 billion and, according to a recent article in the Financial Times, there may be at least one bank which stands to lose as much as $25 billion should Greece default (…) The ECB’s strategy for now seems to be one of buying time. As you can see from chart 7, over 40% of Greek sovereign debt is now owned by the ECB, the IMF and the Bank of Greece between them. Speculators should remind themselves that to be entitled to a payout on a CDS, you must deliver the underlying bonds, and if all bonds are in the hands of the ECB and the IMF, a default may not have any consequences as far as the CDS market is concerned. If Greece were the only problem, such a strategy might actually work, but it completely ignores the fact that Portugal, Ireland, Spain and Italy are all lined up behind Greece in the crisis queue.”, Niels Jensen, “The Absolute Return Newsletter, July 2011” .

Infelizmente, dos números e do alastrar da “pequena” soberana na Grécia à Espanha e à Itália, a avalanche de dívida, em breve, produzirá os seus danos. E, provavelmente, a sequência de eventos será esta: a) BCE “to the rescue”, como supostamente já estará a acontecer; b) BCE “to the floor”, monetizando a dívida – a acontecer, essa monetização de toda a dívida pública conjunta de Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha, que como ontem aqui escrevi é equivalente a 30% do PIB da zona euro, equivaleria a 3 (três!) programas de “Quantitative Easing” (QE1+QE2) que o FED acaba de concluir nos EUA – e; c) BCE “knocked-out” pela saída da Alemanha do euro, horrorizada com a inflação que entretanto se gerou, e também pela saída dos restantes países da Europa do norte. O meu raciocínio é simples: sem união política, que como se está a ver é uma bonita utopia, a união monetária é demasiado vulnerável. Assim, a única grande dúvida é antecipar o “timing” daquele filme…enfim, 2013, data para a qual está prevista a entrada em vigor do novo mecanismo de ajuda, parecia-me a data provável. Mas neste momento já não sei…

7 pensamentos sobre “the perfect storm (III)

  1. Carlos Novais

    “I looked up on the internet who actually sits on the European committee. Surprise, surprise. Ten of the fifteen members are large international banks who also happen to be the most active issuers of CDSs (see the list here). Isn’t that a classic case of the fox watching over the chickens? ”

    Isto é típico raciocínio anti-mercado. Se assim fosse quem é que se atreveria a comprar CDS sabendo que os vendedores estão ali apenas para os manipular (e podem sempre recorrer para o litígio civil)? Como é que existiria um mercado de estúpidos e a entidade ISDA descredibilizar-se por completo?

    Enfim…

  2. Ricardo Arroja

    Olá Carlos,

    Sim, neste ponto também discordo do Niels. Um default é um default, por isso, a ideia de que a sua definição pode ser manipulável, mesmo que por uma instituição que reúne alguns dos principais emitentes, parece-me rebuscada. Enfim, não se pode concordar sempre! Além disso, esse ponto não é o essencial; é acessório (nota: fiz uma revisão ao post inicial retirando os parágrafos acessórios). Mas no essencial eu estou de acordo com o Niels.

    Um abraço,
    Ricardo Arroja

  3. Sérgio Costa

    Caro Ricardo,

    Conhecendo as suas reticências quanto ao investimento em ouro, que alternativas restam para sobreviver à catástrofe?

    Sérgio Costa

  4. Ricardo Arroja

    Sérgio,

    Em Portugal, e numa lógica de longo prazo, imobiliário residencial e agrícola (desde que, com recurso a capitais próprios). Não vai tardar muito até que o dinheiro queime nas mãos…

    Ricardo Arroja

  5. Carlos Novais

    o Ricardo tem objecções ao investimento em ouro?

    Nunca percebi a fobia irracional pelo investimento em ouro, o único elemento com características monetárias (meio de troca) cuja quantidade total disponível é estável e não sujeita a manipulações.

  6. “Um default é um default, por isso, a ideia de que a sua definição pode ser manipulável, mesmo que por uma instituição que reúne alguns dos principais emitentes, parece-me rebuscada.”

    Há a famosa questão se um perdão “voluntário” da dívida (em que o credor “perdoou” parte da dívida do devedor sabendo que, se não fosse assim, ele de certeza que entrava em default) conta ou não como um default.

    No caso grego, penso que também há dúvidas sobre se uma redominação da dívida de euros para novos dracmas, a um câmbio fantasista, conta como default.

  7. Ricardo G. Francisco

    Miguel,

    Qualquer alteração ao contrato é, em tese, um evento de crédito. Mesmo que seja “aceite” por ambas as partes.

    Por trás da mesa estão a acontecer grandes “conversas” entre BCE/CE/Alemanha e o ISDA.

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