back to basics

“It is a mathematical fact that as long as nominal GDP growth remains below the average cost of debt (when measured as a percentage of GDP), a country’s debt-to-GDP ratio will rise even if the primary budget deficit1 has been eliminated through austerity. In plain English this means that Greece would have to grow its nominal GDP by almost 6% per year going forward for debt-to-GDP not to rise further, assuming its average cost of debt remains stable (see chart 2). Ireland and Italy would have to grow by almost 5% and Portugal by almost 4%. With inflation hovering well below those levels in all the countries mentioned, that is a very tall order even during the best of times. And with austerity being forced upon all of these countries it is simply not going to happen.”, Niels Jensen, “The Absolute Return Letter, July 2011” (nota: quem nunca leu o Niels, não tem noção do que perde…)

(…)

“Já não vai bastar sair da Moeda Única. Vai ser também necessário sair do Mercado Único. Em termos económicos, e para todos os efeitos práticos, vai ser necessário sair da União Europeia. O Bento – a nova moeda nacional – deprecia cerca de 30%, ao mesmo tempo que são restauradas barreiras alfandegárias às importações e estímulos às exportações. Acaba-se com o défice da Balança de Transacções Correntes (BTC) que é a fonte da hemorragia de dinheiro de Portugal para o Estrangeiro, que está a estrangular o país. Com uma economia agora produzindo a todo o vapor para a Exportação criam-se empregos no sector privado. E pela primeira vez vai ser possível começar a despedir em massa o pessoal excedentário do sector público, porque essas pessoas encontrarão empregos no sector privado.”, Pedro Arroja no Portugal Contemporâneo.

Aqueles que, ao longo dos dois últimos anos, têm acompanhado os meus escritos e as minhas intervenções públicas conhecem razoavelmente a minha receita para Portugal: 1) equilíbrio orçamental, nomeadamente o equilíbrio do saldo primário das contas do Estado; 2) reestruturação da dívida pública, idealmente de uma só vez e coordenado com a Grécia, Irlanda e, porventura, até a Espanha e; 3) a rendição – o termo não é utilizado por acaso – à via federal, liderada pelos países do norte da Europa.

Ora, é naquele último e terceiro ponto que eu, apesar de tudo, mais tenho oscilado. Inicialmente, quando eclodiu a crise, e que no caso português não foi um simples contágio do “subprime” (como tantas vezes o socialismo nos tenta fazer crer), pensei que fôssemos capazes de dar a volta ao texto sozinhos. Depois, no auge do descalabro “Sócrates / Teixeira dos Santos”, pensei: venham os alemães, ou até mesmo os franceses (!!), e tomem conta disto. Mas hoje, observando o jogo de cintura dessa diletante Europa, já dou por mim a falar de políticas “federalizadas” em vez de, open and outright, federalismo europeu. Ou seja, concedo o óbvio: o federalismo na Europa, de facto ou de direito, é uma utopia e não há volta a dar-lhe.

Deste modo, na impossibilidade de se chegar à utopia que, do ponto de vista macro económico, seria o único cenário do qual, creio eu, poderíamos beneficiar, e depois de lidas as convincentes – cristalinamente convincentes – análises de pessoas cuja opinião muito prezo – em português e em estrangeiro –, começo a inclinar-me para uma – mais outra – triste conclusão: infelizmente, não merecemos nem temos lugar no euro. E assim sendo, em linha com o que também tenho expressado publicamente, a nossa saída da moeda única começa a tornar-se inevitável. É, assim, cada vez mais provável. A pergunta a fazer, então, é simplesmente uma: até quando suportaremos a actual agonia? É que entre a agonia desta morte lenta – boa, Moody’s! –, sem qualquer réstia de esperança, e os eventuais benefícios que, em teoria, podem estar associados à saída do euro, eu prefiro a segunda opção! Com uma ressalva: não estou nada certo – e é aqui que reside a minha dúvida existencial – de que, aos benefícios de um Bento fraco, não soçobremos à mercê de um euro forte…Raios me partam, uma pistola por favor.

8 pensamentos sobre “back to basics

  1. CN_

    Então, então. Nada de pessimismo. Estamos cá há muito tempo. O estado é que tem problemas com as suas dividas. Se em ultima analise entrar em default isso seria refrescante retirando áurea a esse estado de que é um Deus na terra. A teoria da desvalorização e proteccionismo é que daria cabo da nação só para salvar o Estado.

    O Estado se quiser pode equilibrar o OE já baixando salários e prestações sociais e despesa. Se não o faz, merece o default. O resto da economia passa bem. O BCE que salve os Bancos.

    o que precisamos é uma alternativa gradual em concorrência que é a livre emissão de escudos em ouro e prata., sem por em causa o Euro nem desvalorizar a poupança de forma coerciva.

  2. Ricciardi

    Bem, eu ainda vejo alguma possibilidade de se vir a federalizar a europa. O motivo assenta no facto de, a principal econonia da europa, a alemanha, saber fazer contas. Como tal, o desmembramento do euro aportaria custos à alemanha, precisamente naquilo que ele tem de melhor, as exportações.

    Deve concordar que, voltando ao marco, e sendo a alemanha superavitaria em termos de balanca comercial, o mais natural seria que o marco se valorizasse consideravelmente.

    Mesmo que tal possa merecer algumas dúvidas da sua parte, já não as terá se pensar que a alemanha com o marco seria obrigada a importar dos paises de destino das suas exportações para se ir ‘livrando’ das divisas em excesso. É uma questão matemática, que até eu que sou gestor e não economista, vejo

    Portanto, se a alemanha quer continuar a exportar sem qualquer necessidade de equilibrar as suas divisas com os paises receptores, tem de continuar a manter a moeda euro. Na prática aproveita o defice comercial dos paises da zona euro em seu próprio beneficio.

    A alemanha já percebeu isto há muito tempo e os lideres politicos são sagazes, querem manter o euro e se necessário for ajudar os periféricos para que não saiam. No entanto, há um entrave, o povo alemão. O povo, que elege os lideres, considera que o país está tão bem que deviam era mesmo sair do euro e abandonar aquela gentinha menor. Os lideres, mesmo pensando o contrario (racionalmente) tem que dar corpo à vontade do povo. Só assim serão reeleitos.

    Gerir o povo e a racionalidade é, nos dias actuais da alemanha, o maior desafio dos politicos.

    Quanto a nós, os portugueses, o que temos de fazer é tomadas de posição (em privado) politicamente fortes e ameaças fortes aos alemães de abandono da zona euro. Precisamos de politicos de combate, equilibrados, mas politicos em suma, com tomates.

    Rb

  3. lucklucky

    Resumindo não acredita nas lições que o mercado dá. Prefere acabar com a competição entre países.
    Prefere reduzir ainda mais a pool de pessoas competentes.
    Ou seja parece estar contente com os resultados que o não mercado político que é a União Europeia fez à classe política da Europa.

  4. manuel.m

    “To every human problem there is a neat,plausible and wrong solution”
    H L Mencken

    Saír do Euro e da EU é uma delas

  5. JS

    A sugerida panaceia, Agência de Rating Financeiro Europeia(!), das duas uma:

    A- Ou qualifica Portugal como “Junk” … além de uns bons empregos/reformas para uns amigos, em Bruxelas ou Berlim, nada de novo.
    B- Ou qualifica Portugal como “no Junk” óbviamente auto-destruíndo a sua credibilidade, o seu único, próprio, capital.
    Claro que como é financiada pelo “Europa(!)” … será mais uma burocracia para o contribuinte suportar… uma estrutura de custos, inútil, redundante. Nada de novo.

    Mas a realidade não muda com “ratings”: Portugal está economicamente e financeiramente destruído, numa cena triste.
    PS- Enquanto todo mundo não pára de falar no bode-espiatório, as coitadas das Agências que só nomearam a situação, os autores do crime, lesa-Pátria, milagrosamente evaporaram-se ou mudam de discurso, incólumes…
    E amanhã vão tornar a pedir/ter votos. Masoquismo. Nada de novo.

  6. Fernando S

    Como me parece sugerir o Ricciardi, a questão de fundo é a de saber saber se a Alemanha vai ou não manter o Euro. E isto ultrapassa-nos, depende da situação politica na Alemanha e noutros paises europeus.
    Quanto a Portugal, julgo estar de acordo com o CN : Portugal não deve sequer colocar como opção uma saida volontaria do Euro. Ja muito se chamou a atenção para o facto de que uma saida do Euro se traduziria por um empobrecimento muito significativo e de muito longo prazo do pais, de todo o pais, Estado, empresas, familias, etc.
    Não creio que, na hipotese de manutenção do Euro, os outros parceiros venham a exigir a saida de Portugal (o que significaria a saida de outros paises pequenos, e se calhar menor pequenos, o que, embora pouco significativo financeiramente no computo geral, teria um impacto simbolico forte no plano das expectativas e fragilizaria, talvez de modo definitivo e fatal, o projecto da moeda unica).
    Mantendo-se Portugal no Euro, e admitindo realisticamente que, como diz o CN, o BCE suportaria os Bancos, o pior cenario seria então a bancarrota do Estado portugues. O Estado não teria dinheiro suficiente para pagar funcionarios, para fazer transferencias sociais (reformas, desemprego, etc),… a maquina da administração publica ficaria a fazer “serviços minimos” …
    Seria uma situação socialmente complicada … mas não seria o fim do mundo, ainda menos do pais. Em certa medida seria um verdadeiro redimensionamento forçado do Estado, uma oportunidade para finalmente o restruturar em bases sãs e sustentaveis.
    Este cenario, de não saida do Euro, por pior que seja, tem muitas vantagens relativamente ao da saida : mantém o valor dos activos nacionais, mantém a economia portuguesa num mercado unico alargado e monetariamente unificado, etc. A retoma da competitividade da economia portuguesa teria de acontecer não por via da desvalorização da moeda mas antes por via de uma real melhoria da produtividade média nacional. A redução forçada e drastica do peso do Estado, se acompanhada por um progressivo aligeiramento da fiscalidade (porque também seria necessario reequilibrar as contas publicas) e por uma efectiva liberalização da economia, seria um factor muito favoravel para esta evolução. Na fim de contas corresponderia a uma efectiva transferencia de recursos importantes de utilizações menos produtivas para utilizações mais produtivas.

  7. Paulo Pereira

    Back-to-Basics é ter uma balança comercial equilibrada.
    .
    Ou seja exportar mais e importar menos.
    .
    Copiar a Alemanha, a Dinamarca, a Suécia, países sociais-democratas.

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