Pérolas a PIGS

Luis Naves não apreciou aquilo a que apelidou como as minhas pérolas. Estou desolado. Poderia simplesmente ir afogar as minhas mágoas na garrafa de vodka que habita o meu congelador; contudo, como as críticas que me são feitas presumem algumas coisas a meu respeito que não fazem sentido, aqui ficam alguns esclarecimentos:

Não sei onde Naves foi buscar a ideia de aquilo que escrevi está num qualquer “contexto”  de um “conflito antigo” relativo a Passos Coelho. E ainda menos onde foi buscar a ideia que existe alguma “polémica” entre mim e o Nuno Gouveia. (BTW, gostei do exercício retórico de categorizar o post do Nuno de “lúcido”, contrastando comigo que devo ser, sei lá, “delirante”. Boa!) Não me recordo de alguma vez ter escrito, ou sequer dito, algo de pessoalmente negativo acerca de Passos Coelho, muito menos referido subúrbios, classe social, corte de cabelo, gravatas ou o que seja. Na verdade até tenho razoável impressão dele; embora não tenha seguido a sua ascenção à liderança com o mesmo interesse que teria se fosse do PSD. Como habitual votante do CDS/PP, olho para as disputas internas do PSD, muitas vezes fratricidas demais para o meu gosto, com o interesse at arm’s length de quem olha para o seu parceiro natural de coligação. Se Naves não aprecia as minhas pérolas, eu aprecio ainda menos que me atribuam intenções ou preconceitos que não tenho.

Posso também não ser uma das “pessoas bem informadas” (Outro underhanded insult. Estou impressionado!) que Naves refere saberem a duração oficial do “estado de graça” ou quanto tempo um governo demora a “controlar o país”. Parece-me no entanto que tomar uma medida fiscal gravosa mal se tomou posse e que só surte efeito daí a seis meses é algo que merece escrutínio imediato; mas, pronto, isso sou eu a dizer, que não sou uma “pessoa bem informada”.

Uma nota adicional relativamente a esta questão do imposto extraordinário: Não usei as expressões “facilitismo” e “conveniência política” em vão. As palavras têm significados muito específicos e antes de presumir que o que escrevo é apenas um exercício vazio, Naves devia pensar antes de responder. A medida é facilitista porque é mais fácil distribuir (aparentemente) o “mal pelas aldeias” do que atacar onde dói e onde há resistência organizada. Um imposto extraordinário sobre todos, sendo que todos não significa exactamente todos, não provoca a mesma resistência que um imposto extraordinário sobre os beneficiários do estado, cujo número é tão grande que só por si explica a maior parte dos problemas das finanças públicas. É politicamente conveniente porque é tomada numa altura em que podem ser atiradas as culpas da mesma para o governo anterior, expediente já conhecido de todos e usado anteirormente por Barroso e Sócrates.

Por fim, não me passaria pela cabeça, um instante sequer, insinuar que o Nuno Gouveia seria de algum modo um “corporativo laranja”. Não deixa de ser curiosa contudo a rapidez com que Luis Naves assumiu as dores e enfiou a carapuça; e é especialmente irónica a forma como termina o seu post excomungando-me da congregação dos apoiantes “oficiais” do governo. (Terceiro truque retórico: Dramatizar excessivamente. The man is on fire.)

3 pensamentos sobre “Pérolas a PIGS

  1. Paulo Pereira

    Para mim, que me considero social-democrata, é exasperante esta aparente lentidão do governo de PPC em cortar no desperdicio do sector publico (no caso RTP considero chocante o recuo) em contrapartida da rapidez em aumentar os impostos .

  2. FNV

    “Conflito antigo” ? Eu bem disse que só lhe faltava uma avaliação psiquiátrica, caro MBM. Era uma questão de tempo.

  3. AA

    Eu gosto do Em democracia existe a tradição, julgo que saudável, do chamado estado de graça dos governos recém-eleitos, que costuma durar cem dias.
    Há qualquer coisa de uncanny nisto — aliás vê-se muito nos trolls que andam por aí perdidos — a noção que há umas “regras do jogo” místicas (e pormenorizadas ao ponto de ser “cem dias”) que todos têm de respeitar caso contrário “perdem”. Não se lembram dos tempos de infância? havia sempre uns miúdos que estavam sempre em curto-circuito, porque os outros miúdos não cumpriam o que “devia ser” a brincadeira…

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.