Artigo no jornal I

O meu artigo de ontem para o jornal I

Uma oportunidade para Mr. Biswas

No livro “A House for Mr. Biswas”, V. S. Naipaul conta-nos a vida de um homem que sonha ter uma casa sua, onde possa existir por direito próprio, num espaço que seja seu. Toda a sua vida tem esse sentido e razão de ser. Casa-se cedo e cedo vai viver com a família da sua mulher, uma família cheia de gente que enche a casa. Profundamente ingénuo, acredita em ofertas dúbias, mas, desilusão após desilusão, continua em frente com o seu projecto. Mr. Biswas também gostava de escrever contos, mas o emprego no jornal onde trabalha não é para isso. A vida em Trinidad e Tobago não é fácil para este homem de origem indiana, e a percepção de que outros têm a vida facilitada apenas por serem quem são vai-lhe deixando marcas de ressentimento. É irascível em resposta ao colete-de-forças em que se sente envolvido, à incompreensão dos que vivem com ele, que não entendem como pode um homem querer uma casa, um lugar para si e a sua família, um canto onde se possa ausentar e ver passar outros sonhos. Ser dono de alguma coisa, conseguida com mérito. Continue a ler “Artigo no jornal I”

A Inflação e o Euro: Podemos Fugir mas Não nos Podemos Esconder

Em inúmeras conversas com amigos “conservadores monetários”, ouço a recorrente observação: “ao defenderes a saída de Portugal do euro não tens medo da inflação de um escudo inflacionista?”

Apesar da resposta simplista ser “sim”,  na realidade, a alternativa de permanecer no euro revela-se igualmente inflacionista, com a grande desvantagem de propiciar a  indesejável centralização federalista europeia.

Com a progressiva construção da união de transferências europeia (transfer union), os contribuintes (essencialmente) alemães estão a suportar a manutenção e expansão das insustentáveis dívidas dos países mais improdutivos, o que retira a pressão a estes últimos para que façam quaisquer reformas liberais profundas.

Desta forma, vislumbram-se duas soluções para a actual situação do euro: a primeira é o federalismo fiscal e monetário através das soluções dos eurobonds e da oficialização das transferências em massa de país para país; a segunda é o fim do projecto do euro porque a Alemanha compreensivelmente retira-se do euro antes que o seu dinheiro se acabe por andar a suportar a improdutividade de outros.

Na primeira hipótese, o federalismo e os eurobonds produziriam um ganhar de tempo ao emitirem novas dívidas europeias, mas rapidamente os investidores se aperceberiam que estariam a comprar obrigações sem valor no meio de algumas com valor e deixariam de as comprar. Por outras palavras, a seu tempo, esses eurobonds estariam cotados como lixo. A solução provável seguinte para resolver os problemas do pagamento das endémicas dívidas públicas seria colocar o banco central europeu a imprimir moeda suficiente para o efeito. Sem surpresa, a inflação que se temia de base chega igualmente por esta via, com a desvantagem de deixar a centralização europeia para a “posteridade”.

A outra hipótese seria a saída da Alemanha do euro. Mas porque sairia a Alemanha do euro?

Segundo o artigo de Philipp Bagus no Cobden Centre “The official start of the european transfer union”, as garantias que os alemães poderão ter de dar aos restantes países europeus podem chegar em última instância aos 56% do PIB.  Algo que será certamente incompreensível para os cidadãos alemães e não tolerado de todo. Só a saída da Alemanha do euro poderá por um fim à “EUSSR”, acrescenta o autor.

Consequentemente, talvez acompanhado por outros países mais produtivos, a Alemanha sairia do euro para permitir ao banco central europeu desvalorizar a moeda única de forma a “pagar” as dívidas dos restantes.  Tal geraria um euro desvalorizado de segunda categoria e, de novo, sem surpresa, a inflação que se temia inicialmente também chegaria por esta via, com a desvantagem de se ficar com uma única moeda desvalorizada em vez de inúmeras em concorrência (apesar de ser crível que o euro se desmoronasse em seguida).

Em suma, dado o cenário actual, seja qual for a via tomada pelos líderes europeus, escapar ao flagelo da inflação real será algo extremamente improvável. Podemos fugir (ao não querermos considerar a hipótese de sair do euro), mas infelizmente não nos podemos esconder.

Por fim, sem nunca esquecer o objectivo da desnacionalização monetária, dentro do actual paradigma do papel moeda em que nos movemos, parece-me que a melhor forma de minorar os danos causados pela criação virtual de dinheiro é a competição monetária entre moedas nacionais. Numa conferência do Mises Brasil, esta lógica é exposta claramente por Hans Hermann Hoppe ao responder à pergunta: “como minorar os estragos no actual contexto do papel moeda?”(a partir do minuto 7.37). Continue a ler “A Inflação e o Euro: Podemos Fugir mas Não nos Podemos Esconder”

O Sócrates Espanhol: Zapatero a destruir a Economia Espanhola

Zapatero a la Sócrates:

  • “España está totalmente a salvo de la crisis financiera”, Agosto de 2007
  • “En esta crisis, como ustedes quieren que diga, hay gente que no va a pasar ninguna dificultad” (Julho de 2008)
  • “La próxima legislatura lograremos el pleno empleo en España. No lo quiero con carácter coyuntural, lo quiero definitivo” (Julho de 2007)

Fonte: O Insurgente

Espanha, terra da bolha do imobiliário, gerida por mais um Socialista “promissor”.

Vejamos o que correu mal:

Numa economia pode-se usar os Recursos para Investir ou Consumir. O conjunto das possibilidades desta combinação, à medida que aumentamos uma e diminuímos outra, pode ser representada pela linha azul acima: a curva de possibilidades de produção.

Segundo Keynes, se baixarmos muito a taxa de juro e portanto aumentarmos o crédito, podemos fugir desta prisão e produzir mais e consumir mais ainda (ponto R).

Segundo Mises, ao baixarmos artificialmente a taxa de juro e aumentarmos o crédito, consumimos a quantidade de recursos disponível até um ponto em que teremos de cortar no consumo e no investimento, passando um tempo no interior da curva para repôr esses recursos (ponto Q).

Segundo Hayek, os sectores em que isto se vai notar mais são os de bens duráveis, mais utilizadores de crédito (como o habitacional, de que Espanha é um caso paradigmático).

Ou seja, Espanha aproveitou juros baixos e construiu demais. Agora, vai ter de consumir menos e produzir mais (de bens que tenham procura efectiva) para recuperar.

Na questão do desemprego:

(S = Supply, D=Demand – ou seja, são normalíssimas rectas de Oferta e Procura)

Espanha há muito que tem um salário mínimo muito elevado. Em muitas funções, o salário mínimo é superior ao que geralmente vigoraria no mercado. Se o Salário de acordo com a produtividade fosse A e o salário mínimo é B, naturalmente há menos contratados e daqui resulta necessariamente desemprego. Logo, salários mínimos à Espanhola causam desemprego (e os sindicatos em 2010 ainda o queriam aumentar 8%!)

Naturalmente, causam ainda mais quando eliminam profissões que, por 630 Euros, mais vale não ter. Falo de enchedores de sacos nos supermercados, de atestadores de depósitos nas bombas de gasolina, dos que indicavam os lugares nos cinemas, dos ascensoristas, de policias sinaleiros e de muitas outras profissões hoje desaparecidas de Espanha e de grande parte da Europa (no Brasil eu vi dezenas de profissões que não existem na Europa!).

Resultado: os que trabalham pagam a essas pessoas na mesma: mas pagam mais e não têm nenhum serviço em retorno. E para os que pensam que ao menos os que recebem o subsídio de desemprego estão melhor: a estes foram roubadas profissões de entrada que lhes permitiriam ganhar conhecimentos e hábitos que os colocariam em trajectórias de carreira que lhes permitiriam construir uma vida plena, com amor próprio, respeitabilidade e um salário bem superior. Assim, são ociosos, inseguros de si, e causadores de fricções sociais. Sem o primeiro degrau, é mais difícil subir a escada social!

Espanha viveu anos com um desemprego de 10%. À luz dos salários e produtividades espanholas, este valor tem de ser visto como muito baixo e só possível numa economia sobreaquecida pelo crédito fácil. Quando aquele passou, o desemprego voltou aos valores normais, pouco abaixo do 20%. Está agora a passar os 20 porque… quem esteve no ponto R, tem de passar uma temporada no Q. É a vida.

Deixo-vos com uma citação de Mises para pensarem: “There is no means of avoiding the final collapse of a boom brought about by credit expansion. The alternative is only whether the crisis should come sooner as the result of a voluntary abandonment of further credit expansion, or later as a final and total catastrophe of the currency system involved.”

Esquerdas Coerentes – Trash Vegans

A grande maioria dos Esquerdas são aos meus olhos altamente incoerentes: ou são a favor de redistribuições mas são podres de ricos, ou são a favor de mais impostos mas não fazem doações ao Estado, ou são a favor dos pobrezinhos mas não dão esmola ou doações significativas a instituições de caridade. E claro, são contra o mundo capitalista, mas usam todos os confortos proporcionados por estes: não trabalham duro como os agricultores, mas usam iPhones para tirarem fotos em manifs.

Nas minhas navegações pelo mar da internet, descobri agora um grupo a quem tenho de tirar o chapéu: acreditam que no mundo ocidental se produz demasiada comida e se deita demasiada fora (algo que eu discordo, mas não vamos por aí) e, consequentemente, fazem estilo de vida a ir ao lixo, procurar comida em bom estado, e a limentar-se a partir dela.

Apresento-vos… os Trash Vegans!

Wikipedia sobre Freeganism (Inglês) – inclui “Dumpster diving”

Exemplo de Culinária Trash Vegan

Estes pelo menos são consistentes. Pelo menos na filosofia de vida, pois na sua dieta…

E já que não gostam dos confortos da sociedade capitalista que os rodeia, são coerentes até ao fim.

Posso não achar bem, mas pelo menos merecem respeito.

The failure of monetary socialism

The failure of monetary socialism:

It is crucial for people to understand that what central banks with boards of price setters represent is not a free market but what Baker called “monetary socialism”. And the central planners have proved no better at setting the price of money then they ever were at setting any other price.

It was the driving down of interest rates by these planners which flooded the financial system with liquidity after the twin shocks of the bursting of the internet bubble and 9/11. It was this liquidity, hosed about by the planners, upon which the housing market floated to ever giddier heights. And it was when the planners acted to raise interest rates to counter the inevitable inflation they had caused that the bubble burst. It was not capitalism but monetary socialism which failed.

Economists of the Austrian School are highly sceptical of the possibility that this central planning of money will produce optimum results. They are cognisant of the long and dismal history of such central planning in other spheres, and their theories have been borne out by recent experience. The Austrians were right about socialism not working. And they have been right about monetary socialism not working.

Fim (2)

Zapatero, o visionário (ou o sétimo “monty phython):

  • “La tierra no pertenece a nadie, salvo al viento”. (17 de diciembre de 2009, Copenhague)
  • “El cambio climático causa más muertes que el terrorismo internacional”
  • “Lo de que hay crisis es opinable” (29 de junio de 2008).
  • “Estamos en la Champions League de la economía” (11 de septiembre de 2007).
  • “Somos la octava potencia mundial, la envidia de Europa y pronto superaremos a Francia como ya hemos hecho con Italia”
  • “Son accidentes” (sobre los atentados terroristas, 30 de diciembre de 2006).
  • “La próxima legislatura lograremos el pleno empleo en España” (3 de julio de 2007).
  • “La crisis es una falacia, puro catastrofismo” (14 de enero de 2008).
  • “La cuestión no es qué puede hacer Obama por nosotros, sino qué podemos hacer nosotros por Obama” (30 de julio de 2009, en una entrevista a NY Times).
  • “La próxima legislatura lograremos el pleno empleo en España. No lo quiero con carácter coyuntural, lo quiero definitivo” (3 de julio de 2007).
  • “Vamos a adelantar muy pronto a Francia, aunque se enfade Sarkozy”
  • “España es un poderoso transatlántico…”, el día del centenario del hundimiento del Titanic (14 de abril de 2011).
  • “En esta crisis, como ustedes quieren que diga, hay gente que no va a pasar ninguna dificultad” (8 de julio de 2008)
  • “Los 130.000 no son parados, sino que son personas que se han apuntado al paro” (febrero de 2008, justificando los nuevos datos del paro).
  • “España está totalmente a salvo de la crisis financiera”, dicho en agosto de 2007.

Fim

Zapatero antecipa as eleições para 20 de Novembro. Desamparado, traído pelos companheiros de partido,vergado sob o peso de um legado trágico, assim termina a vida política de um dos últimos messias da esquerda europeia. Uma queda aparatosa, esperada e merecida. E uma lição para aqueles que se deixaram levar pelo conto do vigário. (E agora preparem-se para o jogo sujo da personagem mais sinistra de democracia espanhola: o candidato Rubalcaba. O felipismo mais imoral está de volta. E essa é mais uma derrota de Zapatero.)