Decência? Qual decência? Ah! Já sei

Ando aqui há dias com esta atravessada. Esta no sentido da pergunta do Carlos Botelho, esta aqui: há aqui alguma decência que me escapa?

Neste Contrato Social em que involuntariamente me envolvi e que, diria de passagem, até aceito – que remédio? -, a prestação dos serviços do estado são pagos de acordo com a capacidade/rendimento de cada um. Já a sua distribuição é cega perante o rendimento, a condição, a classe, o que lhe queirais chamar. E bem, a redistribuição é feita nos impostos, não no acesso aos serviços e esta parte é mais ou menos pacífica, é no fundo what social-democracy is all about. Ora a decência no meio disto é que pagando nós para que o estado preste determinados serviços à população, na qual nos incluímos e pelos quais pagamos de acordo com a capacidade que temos para o fazer, mesmo que às vezes não a tenhamos, a decência diria que o estado os prestasse efectivamente. Lembrar-vos-ia que em 2010, a actividade da minha pobre empresa rendeu ao estado mais de dez vezes o lucro líquido da coisa, ou seja mais de dez vezes a parte que coube aos sócios, à empresa, que serviu para investimento, para capitaliza-la e assim. E o estado presta os tais serviços pelo quais se faz pagar principescamente?

Funciona assim:

– A segurança das instalações e equipamento da minha empresa são garantidos pelo estado? Não, tenho que pagar a uma seguradora e uma empresa de segurança para que o façam;
-A segurança da mercadoria que é transportada para os meus clientes é garantida pelo estado? Não. Tenho que pagar a uma seguradora para que o faça, o estado limita-se a recolher multas por pormenores burocráticos kafkianos;
– O acesso atempado à saúde dos colaboradores da minha empresa é assegurado pelo estado? Não. Tenho que fazer seguros de saúde se quiser que tal aconteça;
-O direito aos créditos sobre o clientes relapsos ou literalmente vigaristas é assegurado pelo estado? Não. Tenho que contratar seguros de créditos caríssimos ou advogados e até hoje, nunca, repito, nunca, consegui receber dez tostões de dívidas de clientes através do sistema judicial;
-etc, etc, etc, mais um gigantesco etecetera

Ou seja, há aqui alguma decência que me escapa ou para que preciso eu do estado e porque hei-de paga-lo, exactamente?

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12 pensamentos sobre “Decência? Qual decência? Ah! Já sei

  1. A.G

    Pergunto:
    Quem lhe acode se a sua empresa é assaltada?

    Quem lhe arranja os caminhos e estradas por onde passa?

    O acesso a saude dos seus colaboradores é feito por si, e os outros que nem issp têm?

    Porque é que o estado tem de lhe segurar os negócios onde se mete? Evitar que seja enganado? Os negócios não são seus?

    E a mais coisas que nem pergunta, até você responderia…

    Haja pachora….

  2. Ricardo G. Francisco

    O problema de Portugal é existir falta de empreendedorismo dizem eles. O problema deles é não existirem otários suficinetes para serem explorados como empreendedores.

  3. Joao

    O estado não funciona como uma seguradora de 100% garantia? O estado não presta todo o serviço ao nível que cada individuo o quer? O estado não é perfeito na sua actividade?

    Também contrata fornecedores com a mesma exigência? “Porque o hei de pagar se o trabalho que me faz não é absolutamente perfeito? Eu aceito contratar, mas apenas se for perfeito!”

    “diria de passagem, até aceito”… não, não aceitas.

  4. Joao Branco

    Quem não considera que a actividade que desempenha é suficientemente remunerada tem todo o direito de procurar actividade alternativa ou desempenhar a actividade noutro lado. E isso é tão válido para empregados, empregadores ou investidores.

    No entanto deve-se considerar que aquilo que qualquer estado fornece vai além dos serviços directos, e inclui tudo o associado às condições de desempenho da actividade. Quem não acreditar nisso, pode tentar praticar a sua actividade num local onde o estado não desempenha estas funções (por exemplo, ver o caso da Somália). O custo da garantia dessas condições é geralmente superior em sociedades em que as taxas de rendimento médio individual são superiores…

  5. Pingback: Top posts da semana « O Insurgente

  6. Álvaro Oliveira

    Já agora para que sejamos 12 apóstolos, na qualidade de judas, digo mais, além de não conseguir receber dez tostões de dívidas de clientes através do sistema judicial, caso o cliente se insolva, o primeiro credor é o trabalhador, a seguir o Estado e depois os demais, o leva a que no estado actual, não sobre nada para restantes credores.

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