ASAE

Apesar de ter entrado num registo mais tranquilo nos últimos tempos (demasiados disparates e muito tempo perdido nos tribunais?), a ASAE continua empenhada em transformar a hotelaria portuguesa num imenso mar de inox. Portugal é um dos poucos países da Europa que consegue manter alguns laços entre o receituário tradicional e aquilo que é servido nos restaurantes. Ou era. Parte da destruição é irreversível, mas ainda se vai a tempo de salvar alguma coisa. Por isso, agora que mudou o governo, é altura de dizer: senhor ministro, acabe com a ASAE antes que seja demasiado tarde. Acabe com a ASAE, já. E não venham com a habitual conversa de que ASAE apenas zela pelo cumprimento das leis. Quem já falou com um consultor de segurança alimentar* sabe que estes pides da hotelaria gostam de muito de interpretar as leis. Isto é proibido? Não, mas a ASAE pode chatear. Isto é obrigatório? Não, mas a ASAE pode chatear. Escudada na legislação (que é realmente patética e impraticável em certos aspectos), a ASAE foi para o terreno como uma fera histérica com vontade e ideias próprias. É altura de acabar com a farsa. Quanto aos meninos e meninas delicados que só podem comer castanhas num conezinho esterilizado (e com espaço para as cascas!, ui, que moderno) e só usam azeite de garrafas com doseador inviolável, habituem-se. Não é assim tão mau. E se não querem mesmo, fiquem em casa e deixem de massacrar a paciência dos outros.

*Um consultor de segurança alimentar é hoje, para os gerentes de restaurantes, uma opção obrigatória. A complexidade da legislação e as ameaças da ASAE não permitem escapar a mais uma despesa.

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9 pensamentos sobre “ASAE

  1. Vasco Nobre

    Concordo com a extinção da ASAE nos moldes em que actualmente opera. E já agora acrescento a ADENE, outra fera histérica que espreme a paciência a alguns e o dinheiro a muitos proprietários e arrendatários. A figura do gestor de energia também começa a ser uma “necessidade” para alguns tipos de edifícios. Isto para aplicar uma legislação que, à luz do caso da reabilitação das escolas (Parque Escolar), resulta em tudo menos numa redução do consumo energético. A ADENE é outra PIDE, ecologico-, sustentavelmente correcta, que em conjunto com as restantes agências que o governo veio a criar, ameaça reduzir os cidadãos a um rebanho que pasta em ambiente esterilizado. Cidadãos, para os quais uma opinião poderá, bem vista por qualquer agência, ser um delito.

  2. Luís Barata

    E ainda… contribui para fomentar monopólios e proteger as grandes empresas de carne, leite, ovos etc.
    A própria fundamentação ideológica da ASAE está moribunda, como o socialismo. É que se estivesse ideologicamente viva, não só procurava garantir a higiene como a qualidade. Mas como resulta de pressões das grandes agro-industrias, só se preocupa com a higiene, pois se a qualidade fosse metida ao barulho fechavam as agro-industrias. Terá sido até como reacção ao sucesso dos produtos biológicos e de qualidade – consequência de uma consciência que se formou com mais intensidade nos últimos 30 anos – que as agro-industrias se procuraram proteger. E como a preocupação pela qualidade dos produtos das pessoas continua a aumentar, as pressões das agro-industrias – que cá parece estarem a perder 700 milhões este ano – não param de aumentar por essa Europa fora. Nem a legislação, nem todas as ASAES, parecem estar a conseguir parar o declínio das grandes agro-industrias. Neste momento é nas patentes de sementes que vêm a sua salvação e é sobre elas que insidem muitas das pressões. Conseguiram fazer o que a Monsanto fez nos EUA, mas vão pagar um preço demasiado alto, que é o de já terem milhões de pessoas por esse mundo fora, dispostos a mais do que manifestações para os travar…

  3. Nuno Gaspar

    Extinguir a espalhafatosa e arbitrária ASAE e regressar à discreta e rigorosa IGAE seria a medida mais acertada para dar o sinal de que terminou o tempo em que pessoas decentes são tratadas como bandidos e os bandidos como gente de bem. Demitir António Nunes o quanto antes é uma medida de higiene política obrigatória.

  4. José Manuel Vargas

    São justas as críticas à ASAE e igualmente aos legisladores de meia tigela que de tão exigentes se tornam patéticos. A actuação à portuguesa da ASAE é isso mesmo, à Portuguesa ! Mesquinha, pidesca,denunciante,espalhafatosa,ultra-zelosa etc…exactamente como espelho de uma sociedade provinciana atrasada que é o que na realidade ainda o somos.! No centro da capital da União Europea, no centro de Bruxelas, na Grand Place e vizinhança, comi em restaurantes e snacks explorados por paquistaneses e árabes que, se por acaso a ASAE os visitasse os cerrariam de imediato e no entanto tanta exigência tanto zelo rídiculo entre nós, como a cor da borracha dos frigoríficos as colheres de madeira, a posição dos caixotes de lixo, as sinalizações, a contaminação cruzada,as madeiras, a cor das facas e outras mesquinhices. A ASAE só faz sentido de existir no controlo da higiene, validade e qualidade prática dos produtos e sua confecção.O resto é pretenciosismo e prepotência.É fingir e exigir uma hotelaria de primeira linha num país de terceira.

  5. ANTON JORDI NACHO

    A asae é vista em portugal como uma pide a fazer mais estragos ainda piores que a propria extinta pide do dr. salazar. Mas quanto a isso podemos ficar descansados que este «asaeismo » já está moribundo.
    A propósito disto, já está em preparação uma mezinha, para ser aplicada no terreno, que quando estes cavalheiros forem chamados a um local por denuncia e começarem a perceber que estão cuspindo no próprio prato, terão tanta raiva uns dos outros dentro da própria intituição que nem nas próprias casas deles vão ter paz!!!!! AMEN

  6. ANTON JORDI NACHO

    A asae é uma intituição de cariz fascista e reaccionário, mas a culpa não é deles, até certo ponto. Mas na verdade, são pagos com o dinheiro dos nossos imposto e algum da multas que eles roubam a coberto da máquina estatal. A propósito deste paradigma falaremos noutra ocasião propícia.

    Há uma questão que os associa a suicidios cometidos por operadores económicos apanhados nas ditas malhas da lei que eles defendem atrozmente, para ficarem bem na foto.

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