Há mais de dez anos, ainda antes da adesão ao euro, numa peça – entretanto de museu, que seria interessante recuperar – publicada pelo Jornal de Notícias foi apresentado um painel de economistas que, à época, tinham expressão mediática, aos quais foi apresentada a seguinte questão: deve Portugal aderir ao euro ou não?
Na altura, houve apenas dois que responderam negativamente: João Ferreira do Amaral e Pedro Arroja. Por isso, desafio os leitores d’ O Insurgente a lerem o que estes dois homens dizem – e escrevem – hoje a propósito do euro: aqui e aqui, respectivamente.
Saída do Euro que significaria expropriação de quem em depósitos em euros (daqueles que os não o têm lá fora) a que junta o que fazer com a dívida denominada em euros (dos bancos, por exemplo).
Se querem alternativas devem advogar a circulação em paralelo e livre de escudos em ouro e prata (e fixação paralela de preços para quem o quiser fazer, emissão de dívida, pagamento de impostos), e respectivas notas e depósitos à ordem com 100% de reservas.
Ao mesmo tempo é pactuar o crescimento de dívida pública de zero em termos absolutos com défices zero, através do ajuste automático de toda despesa OE (e 2/3 são salários e prestações sociais) em termos proporcionais à receita.
Lembro-me de um episódio onde um ministro holandês da altura defendia que os países mais pobres da UE não deveriam aderir, pelo menos na 1ª fase, ao Euro. Causou polémica e caiu-lhe tudo em cima…
“em termos proporcionais à receita” queria dizer, redução em termos proporcionais até ser igual à receita efectiva.
Alguém me sabe dizer exactamente o que vai acontecer ao dinheiro que tenho depositado no banco se sairmos do euro?Gostaria também que me dessem soluções para conseguir não ficar mais pobre ainda se a saída do euro efectivamente acontecer. Obrigado e Cumprimentos a todos os Liberais.
Como é que Portugal sai do euro sem que os euros saiam primeiro de Portugal?
António Ferreira, em princípio os depósitos serão automaticamente convertidos para a nova moeda à taxa fixada, que muito provavelmente desvalorizaria nos primeiros dias de existência.
A única forma de proteger-se dessa situação é abrir uma conta no estrangeiro ou comprar activos reais. No entanto, antes da conversão forçada teria de haver um período em que seriam impostas restricções à mobilidade de capitais. Pelo que abrir uma conta no estrangeiro apenas será possível antes dessas restrições serem impostas.
Uma boa forma de proteger as poupanças para o caso de uma situação de saída do euro será adquirir activos tangíveis, ouro, prata etc.
“Como é que Portugal sai do euro sem que os euros saiam primeiro de Portugal?”
Teriam que ser impostos limites à mobilidade de capitais num período anterior à saída do euro. Ou isso, ou conseguiria-se manter a decisão confidencial até ao momento da mudança.
Basicamente, quem fala de saída do Euro, está a fazer os Euros sair, mas as dívidas em Euros ficarem. Coitados, estes economistas só ajudam ao caos económico porque para qualquer solução propõem sempre formas de desvalorização cambial e inflação, ou seja, confiscação de riqueza, tal como o fizeram quando confiscaram o ouro das pessoas quando nacionalizaram o ouro monetário da população depois de incentivarem a inflação monetária com reservas parciais (tradução: moeda “elástica”).
Agora, propor o ajuste automático de toda a Despesa Pública para défice zero, isso é que não.
Uma alternativa é levantá-los antes, guardá-los no armário e esperar que, após a troca oficial, continue a haver um mercado não-oficial de troca de euros por escudos, a um cambio cada vez mais favorável a quem tenha euros
Claro que, a menos que saída do euro seja anunciada de surpresa, num sábado à noite, e na segunda-feira as contas bancárias já estejam congeladas, a saída do euro vai levar antes os bancos à falência – a menos que eles já tenham falido antes (o que também não é uma hipótese impossível).
João Miranda,
impondo um corralito à moda argentina. Completo com controlos das saídas de dinheiro, incluindo, naturalmente, controlos à movimentação de pessoas. O sonho liberal iria totalmente para o caixote do lixo.
o BCE tem Euros emprestados aos bancos num valor considerável, o que o põe no papel principal de decisão se vão ou não à falência. Saindo do Euro…
A saída do Euro pode ser sem dramas para os depositantes.
– Responsabilidades do Estado passariam a estar nominadas em “Escudos” de acordo com a taxa cambial creditada (salários, subsídios, contratos fornecimento, pensões,….)
– Dívida pública convertida em Escudos
– Depósitos em Euros ficariam
– Como depósitos em Euros no momento zero.
– Donos dos depósitos fariam a conversão ao cambio de acordo com o mercado, se estivessem de acordo e interessados.
Não se pode confundir o fim do Euro em Portugal com o fim do Euro em geral. O fim do Euro em Portugal não precisa de significar nem fuga de capitais nem expropriação. Pode haver a saída do Euro mantendo-se o Estado de Direito, pelo menos tanto quanto existe hoje.
Quem sairia directamente penalizado e desde o momento 0 seriam os dependentes do Estado e os detentores de dívida pública.
Em outro cenário, a dívida pública existente poderia ser mantida em Euros, sem que a sua conversão fosse forçada. Tornaria a coisa muito mais cara e menos interessante (na perspectiva do roubo aos credores) mas por outro lado seria coerente com uma posição de bom devedor.
O Euro é um “red herring”.
Os problemas de Portugal e dos outros países europeus só indirectamente se devem ao Euro – por ex. as agências de rating/mercados não teriam tanta tolerância se a moeda fosse o escudo. –
O problema de Portugal e do Ocidente é Político e deve-se ao demasiado poder que os Políticos têm sobre o dinheiro dos outros.
Portugal não produz o suficiente para a vida que tem. É tão simples como isto.
Lucklucky, e como explica os problemas da Irlanda e de Espanha (que até há pouco tempo eram dos países menos endividados do mundo ocidental)?
A Irlanda assumiu os prejuízos e dívidas da banca…
O crescimento da dívida em Espanha vem dos défices orçamentais, mas ainda está bastante abaixo da de Portugal, creio.
A dívida em Espanha é de 60 e poucos % do PIB, bastante abaixo não só de Portugal, como da Alemanha, França, etc. Penso que o problema de Espanha é uma variante pro-activa do problema irlandês: a Espanha ainda não assumiu os prejuizos e dividas da banca, mas como toda a gente está à espera que o vá fazer, os ratings, os juros da dívida, o valor dos CDS, etc. já “incorporaram” a divida dos bancos como sendo, na prática, divida do Estado.
E onde é que eu quero chegar com isto? É que o problema espanhol e irlandês (Portugal e Grécia é capaz de ser outro filme) é mesmo o resultado do euro – foram os baixos juros (em comparação com o usual nesses países) provocados pela entrado no euro que originaram o endividamento (e micro-bolhas imobiliárias) que, anos depois, puderem os bancos desses países à beira da falência
“A saída do Euro pode ser sem dramas para os depositantes.
– Responsabilidades do Estado passariam a estar nominadas em “Escudos” de acordo com a taxa cambial creditada (salários, subsídios, contratos fornecimento, pensões,….)
– Dívida pública convertida em Escudos
– Depósitos em Euros ficariam
– Como depósitos em Euros no momento zero.
– Donos dos depósitos fariam a conversão ao cambio de acordo com o mercado, se estivessem de acordo e interessados.
Não se pode confundir o fim do Euro em Portugal com o fim do Euro em geral. O fim do Euro em Portugal não precisa de significar nem fuga de capitais nem expropriação. Pode haver a saída do Euro mantendo-se o Estado de Direito, pelo menos tanto quanto existe hoje.”
E o que aconteceria aos contratos privados denominados em euros?
“Lucklucky, e como explica os problemas da Irlanda e de Espanha (que até há pouco tempo eram dos países menos endividados do mundo ocidental)?”
Os Juros excessivamente baixos não são problema intrínseco do Euro. São problema Político, ligado a cultura de facilitismo para paradoxalmente combater o sucesso da economia que produz muito mais com muito menos. Muito mais com muito menos quer dizer menos impostos, menos emprego. Ora como a lógica é inflacionista não só por razões políticas mas razões culturais a maneira encontrada para manter a inflação – quando digo de inflação não me refiro só a moeda, mas mais casas, mais carros, mais etc com demografia em sentido contrário ou estabilizada-, foi o crédito fácil.
Os Estado precisavam de mais Impostos – e nem sequer bastou- e os Bancos queriam crescer, deram os dois as mãos…
Pode-se dizer do Euro que diminui a redundância – uma vez que contribui para menos diferença-. Em caso de erro -uma vez que há política monetária activa- os danos são potencialmente de muito maior dimensão. Por aí concordo que o Euro é um problema.
“Os Juros excessivamente baixos não são problema intrínseco do Euro. ”
Não sei se não serão – se vamos aplicar a mesma taxa de juro nominal a países suficientemente distantes para terem grandes diferenças na inflação, quer dizer que estamos a praticar juros reais baixos nos países com muita inflação e altos nos países com pouco; ou seja, está-se i(nvoluntariamente) a fazer o oposto da politica convencional (subir os juros quando a inflação é altas, desce-los quando é baixa).
Os contratos em Euros poderiam ficar em Euros…tal como se podem fazer contratos em dolares. O risco cambial poderia ser eliminado se as partes do contrato se colocassem de acordo sobre a taxa de cambio / data de conversão.
Os grandes defensores da saída do Euro do lado da esquerda deveriam perceber que a saída deverá quer dizer acima de tudo prejuízo de quem vive à conta do Estado…eu chamo-lhe de miopia optimista 😉
“Não sei se não serão – se vamos aplicar a mesma taxa de juro nominal a países suficientemente distantes para terem grandes diferenças na inflação, quer dizer que estamos a praticar juros reais baixos nos países com muita inflação e altos nos países com pouco”
Sim. Mas os Países onde isso aconteceu – o caso talvez menos dúbio seja o Irlandês como disse acima- não tinham muita inflação pelo menos oficialmente. Um à parte, já disse várias vezes que deveríamos ter Institutos Privados também a medir a Inflação.
Devido à cultura política-jornalista é minha opinião que o facilitismo seria sempre escolhido pela maioria dos países Europeus. A Inglaterra é um bom exemplo. Mentir, fazer batota, mascarar as contas, esconder a dívida.
Se querem ajudar os portugueses deixem o ouro e z prata circular livremente, isso criaria todo um nicho, a população passeia a ter acesso a poupança monetária isenta de risco de credito.
Querer outra moeda para ser mais fácil inflacionar é uma ilusão. Deixem os salários baixar, contratos de trabalho livres, fim de salário mínimo.
As desvalorizações é isso que fazem, com a diferença que enriquecem os mais bem informados que se protegem primeiro.