Educação

O vídeo, aqui divulgado, em que o novo Ministro da Educação, Nuno Crato, apresenta as suas ideias, fez-me recordar um conjunto de posts que eu próprio publiquei no Portugal Contemporâneo no já longínquo ano de 2008, quando estalou a polémica em redor da avaliação dos professores do ensino básico e secundário.

Na altura, indignado – aliás, excessivamente indignado – por observar aquilo que me parecia ser um protesto dos professores contra qualquer tipo de avaliação, sugeri o seguinte método de avaliação:

  • Implementação de exames nacionais, todos os anos a partir da 4ª classe, que devem ser redigidos pelos professores que, nas suas respectivas áreas de especialidade, constituam a elite da corporação, em teoria, os professores mais experientes e mais graduados;
  • A partir do 5º ano, rotação anual dos professores, ou seja, em cada disciplina, os alunos devem ter professores diferentes todos os anos;
  • Introdução de um sistema de pontos que avalia o professor em função da diferença entre o aproveitamento escolar obtido pelos seus alunos nas suas turmas e no correspondente exame nacional no final do ano. Trata-se de um sistema diferencial que a) harmoniza as diferenças nacionais existentes entre os vários estabelecimentos de ensino espalhados por esse país fora e; b) constitui um incentivo adicional para que os professores sejam rigorosos na atribuição das notas nas suas turmas, bem como na salvaguarda da qualidade do ensino nas aulas;
  • O sistema diferencial deve incluir as avaliações dos últimos três anos, representando um barómetro de qualidade assente numa perspectiva de médio prazo e permitindo esbater eventuais elementos subjectivos impossíveis de antecipar;
  • Os exames nacionais devem ser corrigidos pelos professores que, no ano anterior, se tenham classificado com as melhores pontuações do sistema de avaliação. Estes professores devem ser beneficiados através de aumentos salariais, promoções de carreira ou concessão de períodos sabáticos;
  • Os professores que piores classificações registarem, nomeadamente aqueles que se classificarem abaixo do percentil 10, devem ser demitidos a fim de se proceder à contratação de outros mais capazes.

Em suma, este seria o plano que eu proporia ao senhor Primeiro-ministro se fosse Ministro da Educação. Na minha opinião, um sistema justo, meritocrático e dinâmico.

Enfim, é curioso observar que, três anos depois, comece a ver alguns sinais de que talvez agora se caminhe no sentido que então preconizava. É bem necessário. Por duas razões. A primeira, e a mais importante, para salvaguarda dos alunos e das ilusões que lhes foram vendidas nos últimos anos. É que tenho observado – enquanto docente no ensino superior privado – que há muitos alunos que chegam à universidade e mal sabem escrever. Pior, como não sabem escrever, também não sabem estruturar ideias; desgraçadamente, não sabem pensar. E, segundo, para salvaguarda dos próprios docentes que, entretidos na luta sindical, perderam de vista que a sua classe só é tão forte quanto o seu elo mais fraco…Ora, se Nuno Crato conseguir implementar a espinha dorsal do que defendeu, antes de ministro, estou convencido de que a Educação em Portugal melhorará e muito. Por isso, haja esperança!

7 pensamentos sobre “Educação

  1. PC

    Em termos genéricos concordo.

    – Em relação ao primeiro ponto, não sei se todos os anos é excessivo ou não. Pelo menos no 6º e 9º ano deveria haver (mudança de ciclo), assim como no 10º/11º/12º (consoante as disciplinas sejam terminais ou não).

    – a rotação dos professores têm vantagens e desvantagens. A principal desvantagem é que os alunos terão que se adaptar ao método de um novo professor todos os anos.

    – restantes pontos, acho excelente, embora muito impopular.

  2. Pingback: O novo ministro da educação e o combate ao facilitismo « O Insurgente

  3. RC

    Amigo, isso dos mais experientes e mais graduados tem muito que se lhe diga. Nas escolas por onde tenho passado sou geralmente o professor com mais habilitações académicas. Isso não me tem servido de nada:
    – no que diz respeito à carreira profissional continuo contratado a saltar de escola em escola há 13 anos;
    – quanto à avaliação, nestes três anos tive como avaliadores professores que têm essa função devido à graduação (obtida pela antiguidade) na carreira, e não a qualquer critério que verifique a sua preparação para a assumir. Nenhum deles alguma vez frequentou um curso superior (todos eles concluíram apenas o 12º ano). Nunca tiveram de provar nada a ninguém para estarem onde estão e agora têm nas mãos a vida profissional de outros bem mais habilitados e bem mais preparados do que eles, porque se achou que são mais “experientes”, e isso basta.
    Para as direcções das escolas há muitas formas de contornar a avaliação e distribuir a pontuação como lhes apetece.

  4. vitor jesus

    Eu espero muito sinceramente que Nuno Crato vá por um caminho diferente. É que aquilo que o Ricardo Arroja propõe parece-me estar completamente minado de (say) dirigismo — exactamente o centro de tudo o que está errado na educação. O que é preciso é descentralizar, dar autonomia máxima às escolas, com um mínimo (mas diferente de zero) de pontos de sincronização (como exames nacionais independentes) e fazer as experiencias boas (pq as vai haver com maus resultados, localmente) comunicar com as más num sentido só.

  5. Pingback: Do Disparate À Solta « A Educação do meu Umbigo

  6. PF

    Porque é que se confia tanto na avaliação de professores para pôr cobro aos males do ensino em Portugal?
    O mal do ensino estará só na avaliação dos professores?
    Os países com melhores resultados na aprendizagem dos alunos, têm um sistema de avaliação parecido a este? Não me parece. Os países que experimentaram sistemas parecidos com estes (EUA, Inglaterra) já o abandonaram por não estar a produzir resultados.
    Pense nisto antes de sequer de o propôr para os outros. Pode começar por experimentá-lo na sua universidade e aplicá-lo aos seus professores e ver os resultados que produz.

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