O sal no pão foi só o princípio

lâmpada incandescente

Na California é proibida a venda de lâmpadas incandescentes de 100 watts. A proibição vai ser alargada a todos os Estados Unidos a partir de 1 de Janeiro de 2012 e estender-se a lâmpadas incandescentes de menor intensidade ao longo dos próximos dois anos. Tudo em nome da salvação do planeta.

Sobre o tema, vale a pena ler este artigo do Conor Friedersdorf:

“This lightbulb ban is maddening to me personally because I am going to hate the light of everyday life. But it ought to make you angry too. Our elected leaders could’ve decided that energy use must be decreased for the sake of the planet and sought that end by enacting whatever policy would be most efficient and impose least on the freedom and preferences of its citizens. Instead it acted arbitrarily, without any regard for minority preferences, thereby showing that it cares little about them. For most of you, it isn’t a big imposition right now. But if you’ll stick with me as they try to take away my lightbulbs, I’ll speak up for you when they come for the backyard fire-pits or the jet-skis or whatever is next. “

Depois queixem-se.

(A imagem é deste artigo da Virginia Postrel sobre o mesmo tema)

Adenda: Como na minha caverna vivemos à luz da vela, nem sabia que na Europa já andamos a tratar deste assunto desde 2009. Obrigado ao João Miranda. Pelos vistos já é tarde demais para nos queixarmos…

11 pensamentos sobre “O sal no pão foi só o princípio

  1. Dervich

    Será que poderiamos continuar a usar panelas com cobre, gasolina com chumbo ou construções com amianto?

    As primeiras lâmpadas economizadoras eram caras e davam uma luz fraca e horrível. Hoje em dia, já existem lâmpadas dessas de todos os tipos e preços.
    A não ser por razões românticas, a falta da lâmpada incandescente não vai ser muito sentida. A proibição gradual da sua venda (tal como a redução de sal no pão) foi determinada por governos legitimamente eleitos (na Europa foi uma decisão comunitária), com base em argumentos que não parecem causar muita contestação.

    A resposta ao ataque aos direitos individuais deverá ser dirigida a outras áreas onde fará mais sentido.

  2. A proibição das lâmpadas incandescentes fará mais sentido que a do sal no pão – o sal no pão não prejudica terceiros, enquanto há pelo menos a possibilidade de as lâmpadas incandescentes prejudicarem terceiros (pelo mecanismo maior consumo de electricidade > maior produção de electricidade > maior poluição resultante da produção da electricidade).

    Claro que seria muito mais lógico fazer a “internalização” na fonte, lançando um imposto pigouviano sobre a poluição.

  3. Vasco Nobre

    Sublinho só que os regulamentos do Sistema de Certificação Energética para Edifícios promovem, por escolha do legislador, alguns tipos de equipamento em relação a outros privilegiando a adopção de sistemas consumidores de energia, ainda que com um bom grau de eficiência, em detrimento de sistemas que diminuam as perdas. Deixa de ser perceptível se o objectivo é diminuir o consumo de energia no sector dos edifícios ou se consiste apenas no direccionamento do consumo para alguns equipamentos escolhidos. Assista-se à evolução da legislação nesta área, que terá alterações em breve, e à actividade dessa nossa Agência para a Energia (ADENE) que, à semelhança das suas congéneres noutros países, é apenas mais uma extensão do poder político que é imposto aos cidadãos através de uma propaganda rodeada de mensagens “politicamente correctas”.

  4. Tomás Belchior

    Dervich,

    A “resposta ao ataque aos direitos individuais” faz sempre sentido, independentemente das áreas em questão. Não há justificação nenhuma para o Estado nos proibir de usar lâmpadas incandescentes. É este tipo de decisões completamente arbitrárias que nos vai roubando a liberdade aos poucos, já para nem falar que estas regulações nunca são inocentes.

  5. DavC

    Parece que é uma picuinhice, mas as lâmpadas economizadoras (pelo menos as que experimentei até hoje) são uma valente trampa, tendo me já valido algumas dores de cabeça após umas horas de leitura. Já li artigos sobre isso e deve-se, pelo que percebi, ao facto de as lâmpadas incandescentes produzirem uma luz muito mais semelhante à luz natural.

    Se a questão for a poluição tendo a concordar com o Miguel Madeira na solução do imposto pigouviano (ainda que a arbitrariedade na fixação da taxa levasse a abusos, sempre seria melhor do que proibir)

  6. ricardo saramago

    A proibição das lâmpadas incandescentes na Europa não tem nada que ver com o facto dos grandes fabricantes europeus (Philips, Osram e Silvania) não poderem competir com o preço das lâmpadas feitas no oriente.
    Assim salvam-se as empresas de lâmpadas na Europa e salva-se o planeta.
    Os consumidores se querem luz, têm que pagar 3 a 5 euros por uma lâmpada.

  7. wagner

    detesto lâmpada fluorescente, eu quero que inventem uma incandescente que seja eficiente ao mesmo tempo

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.