Falácias e mitos desmontados

O João Galamba (JG) faz neste post um exercício a que chama «desmontar alguns mitos difundidos sobre o SNS». Compreendo perfeitamente que pessoas com convicções ou ideias políticas diferentes discordem sobre como deve ou não funcionar o sistema de saúde dentro de um estado; que tenham visões diferentes sobre a forma de financiamento, a propriedade dos meios de prestação de serviços ou sobre a justiça ou ética de algumas opções relativamente a outras. Esta diferença de pontos de vista, no entanto, não justifica o recurso a argumentos ou lógicas falaciosas, nem a classificação de algumas teses como “mitos”.

Entrando no detalhe dos alegados mitos desmontados:

(1) Segundo JG, dizer que o SNS não é eficaz é errado, pois a mortalidade infantil diminuiu e a esperança de vida aumentou. Aqui está um exemplo clássico de non-sequitur. Estes efeitos são transversais a todos os países com graus de desenvolvimento semelhantes ao nosso (e naturalmente aos mais desenvolvidos também). Além de outras possíveis causas importantes, algumas em nada relacionadas com o sistema de saúde, como saneamento básico, melhores condições de higiene, alimentação e nutrição, outras parcialmente ligadas, como novas técnicas médicas, melhores práticas procedimentais, etc, a natureza da organização de um sistema de saúde pouco impacto terá nos indicadores avançados pelo JG. Tanto sistemas “single-payer”, como sistemas públicos integrados, como sistemas de seguro, obtém resultados equivalentes.

(2) De seguida o JG apresenta uma série de indicadores sobre números de consultas, camas, tempos de espera, etc, para responder à afirmação de que o SNS não responde às necessidades dos portugueses. Mais uma vez non-sequitur. As estatísticas nada dizem sobre se o SNS responde ou não às necessidades da população. A não ser que se aceite o pressuposto de que o governo é que sabe melhor quais são efectivamente essas necessidades que a própria. Eu diria que temos de perguntar aos portugueses se responde ou não. O crescente número de portugueses a contratar seguros privados, complementares ou totalmente substitutos, bem como a preferência clara de vários grupos profissionais por sistemas alternativos (SAMS, ADSE, etc), sugere que bastantes portugueses acham que não.

(3) À acusação de que Portugal gasta demasiado em saúde, o JG diz que Portugal gasta menos que a média da OCDE. Se deixarmos de lado o aspecto de se o montante em causa é bem ou mal gasto, o que daria pano para mangas, a simples comparação feita tem que se lhe diga. Na verdade, dos paises da OCDE, apenas sete gastam mais que Portugal em percentagem do PIB (França, Alemanha, EUA, Suiça, Áustria, Bélgica e Canada). Todos os restantes gastam menos. São vinte e seis. E dos sete referidos, dois deles gastam apenas mais uma décima de ponto percentual (a diferença mínima possível face à forma como os dados são apresentados).

(4) Sobre o crescimento dos custos estar descontrolado, diz o JG que a taxa de crescimento entre 2000 e 2008 foi das mais baixas da OCDE. É verdade. No entanto, isto nada diz sobre duas coisas: A primeira, que o crescimento das despesas tem sido atingido por via de algo a que se pode chamar de “racionamento” dos serviços; a segunda, que a noção de controle é enganadora, pois o principal driver do aumento dos custos vai ser o envelhecimento da população, algo sobre o qual absolutamente ninguém tem qualquer grau de controle.

(5) Sobre a eventual falta de eficiência do SNS, diz o JG que vários indicadores mostram que Portugal tem dos sistema mais eficientes, nomeadamente por ter custos administrativos muito baixos. Admito que sim. No entanto, alguns indicadores mencionados são também non-sequitur. O facto de Portugal ter um gasto per capita inferior à média da OCDE diz pouco (como vimos acima para o peso dos gastos no PIB). A esperança de vida referida e o menor gasto para atingi-la padece do mesmo problema de comparabilidade: Não estão a ser levados em conta outros aspectos que afectam a esperança de vida, como alimentação, consumo de álcool e tabaco, etc, nem a qualidade de vida em caso de doença (os gastos elevados no sistema americano, por exemplo, são em parte explicados com os caríssimos tratamentos em casos terminais).

(6) Sobre o argumento de que a concorrência entre privado e público pouparia dinheiro ao estado, o JG afirma que os dois sectores não têm os mesmos direitos e obrigações. Esta asserção completely misses the point. O argumento a favor do recurso ao sector privado concorrencial tem a ver com a formação de preços. Só a concorrência permite estabelecer preços de forma eficiente, sendo este o principal argumento contra todo o tipo de sistemas de planeamento centralizados. Na verdade, os sistemas centralizados só subsistem porque beneficiam da existência de sistemas concorrenciais (a montante, jusante ou paralelos) que lhes facilitam a tarefa de estabelecer preços. Caso contrário colapsariam.

(7) Por fim, o JG classifica de “mito” a ideia de que para ser justo, o SNS deve ser pago por quem pode. Não vejo como se pode acusar de “mito” uma opção ideológica, com subjacentes conceitos de justiça e ética; sendo que ao fazer esta acusação não se está fazer mais do que recorrer a outra opção ideológica, também com subjacentes conceitos de justiça e ética, evidentemente diferentes dos primeiros. Para rematar, o JG escreve que «[u]m SNS tendencialmente gratuito é a garantia que todos, qualquer que seja a sua condição, têm acesso aos mesmos cuidados de saúde, com a mesma qualidade». Isto é patentemente falso. A única forma de dar tal garantia é proibir a medicina privada.

23 pensamentos sobre “Falácias e mitos desmontados

  1. a.marques

    Atenção que a desmontagem de mitos requer concurso público. Melhor faz a aranha que em vez de montar no alheio tece do próprio.

  2. Ricardo G. Francisco

    Miguel,

    O discurso do JG não era para quem pensa. Ele já desistiu dessa audiência há algum tempo. A audiência alvo dele nem sabe o que são falácias…e acredita que o JG sabia perfeitamente que estava a escrever um texto cheio delas. Imagino que o que lhe interessa é convencer o maior número de pessoas, mesmo que sendo sempre em sacrifício da sua honestidade intelectual.

  3. Basico

    JG e honestidade intelectual…por favor… os ultimos 6 anos de socialismo foram uma ode a propaganda e manipulacao de opinios. JB foi disso um dos expoentes maximos, esse grande keynesianista. Ele era so copy e pastes de artigos de opiniao defendendo a pujanca dessa teoria economica e agora, apos a enesima vez em que a dita e derrotada pela crua realidade, nem ve-los.

  4. lucklucky

    “Não estão a ser levados em conta outros aspectos que afectam a esperança de vida, como alimentação, consumo de álcool e tabaco, etc, nem a qualidade de vida em caso de doença (os gastos elevados no sistema americano, por exemplo, são em parte explicados com os caríssimos tratamentos em casos terminais).”

    Esperemos que o João Galamba apresente argumentos sobre qual a razão porque os homens da Ilha da Madeira tinham menos esperança de vida que os homens da Faixa de Gaza.

    “Por fim, o JG classifica de “mito” a ideia de que para ser justo, o SNS deve ser pago por quem pode.”

    O Estado Social só existe porque parece que “dá” coisas “grátis” a muitos. O Muitos é a palavra operativa que permite manter o poder.
    O João Galamba tal como o PCP e uma boa parte da Esquerda sabe que o sistema só se aguenta se estiverem todos com mão no bolo. Se estiverem todos corrompidos.

  5. Eduardo

    Argumento por argumento, o João Galamba parece-me bem mais sólido do que a sua contra-argumentação.
    Por exemplo, quanto a “a mortalidade infantil diminuiu e a esperança de vida aumentou” – a mortalidade infantil é um indicador claro da qualidade dos serviços de saúde (não é tão óbvio no caso da esperança de vida) e é um facto que em Portugal os indicadores relativos à mortalidade infantil evoluiram de forma muito mais positiva que na generalidade dos países. Comparando com EUA que será, no casos dos países desenvolvidos, o país em que o papel dos privados é substancialmente maior, os nossos resultados são melhores!

    Claro que não há nenhum indicador no caso da saúde (nem em sector nenhum, na realidade) que possa classificar de forma definitiva a qualidade dos serviços para podermos dizer que são melhores ou piores. Agora, como o nome explica, os indicadores indicam e indiciam. São o que temos, e até apontam uma evolução positiva em Portugal.

  6. Mas que raio… Já é hora de desmontar de uma vez por todas o maior mito de todos: o Estado Social, nomeadamente a saúde e educação tendencialmente gratuitas. Gratuitas? Mas já olharam para a dívida pública? Quando se der o default, sairmos do euro e a malta nova perder as casas todas para os bancos e ver o seu poder de compra regressar 20 anos atrás eu quero ver se ainda acham que tivemos nos últimos 37 anos um Estado Social tendencialmente gratuito!

    Lá porque não se paga agora, não quer dizer que seja gratuito! O nosso Estado Social não é mais que os pobres coitados que usam o cartão de crédito para pagar as prestações da casa… Não irá aguentar muito sem que os papás continuem a ajudar por detrás (no caso de Portugal, os papás são a UE e o FMI).

  7. Eduardo

    Este tipo de argumentação infantil…

    Quando se diz gratuitas, é do ponto de vista do utilizador. Isto para que o rendimento não seja um fator determinante no acesso aos cuidados de saúde e para que a saúde “estatal” tenha um carácter universal. Obviamente, tem custos. A serem suportados por impostos. Se o estado social não existisse, o acesso aos cuidados de saúde seria apenas possível a quem tivesse capacidade financeira para o pagar – muita gente em Portugal não teria capacidade para os pagar.

    A dívida pública, mais corretamente o excesso dela, resulta de má gestão orçamental, e de défices orçamentais acumulados nos últimos 30 anos (e não apenas nos últimos 6 anos como se quer fazer passar).

  8. “A dívida pública, mais corretamente o excesso dela, resulta de má gestão orçamental, e de défices orçamentais acumulados nos últimos 30 anos (e não apenas nos últimos 6 anos como se quer fazer passar).”

    yeah, right, se não fosse a má gestão orçamental a saúde e a educação eram REALMENTE gratuitas? Grande wishfull thinking!

    O mais correcto será dizer por exemplo que a saúde e educação serão realmente gratuitas se pagarmos o dobro dos impostos que actualmente pagamos…

  9. Eduardo

    é pena não poder anexar um desenho, era capaz de ser mais fácil explicar.

    Ninguém diz que é gratuita no sentido em que não tem custos. Tem custos que são suportados por impostos e não pelo utilizador. Se a provisão orçamental para a saúde for igual às despesas não há défice nem dívida acumulada. É difícil de perceber?

    Há muitos exemplos de países com sistemas de saúdo eminentemente públicos e com saúde financeira para dar a vender. Os EUA por seu lado, tem um sistema de saúde público incipiente e tem uma dívida pública monstruosa (muito maior que a nossa, mas ao contrário da nossa é financiável). E por isso, acho que se a sua relação entre dívida pública e estado social, ilógica e não suportada por factos.

  10. Eduardo,

    «Argumento por argumento, o João Galamba parece-me bem mais sólido do que a sua contra-argumentação.»

    Não percebo como pode dizer isto. A argumentação do João Galamba está cheia de non-sequiturs, de sólida nada tem. Note que a preferência do João por um sistema como o SNS tem tanta legitimidade como qualquer outra. É uma escolha política. Com a qual eu pessoalmente não concordo; mas isso é a vida, paciência. Agora o que já não está certo é usar uma argumentação falaciosa para defender uma escolha política, como se fosse uma verdade científica.

    «a mortalidade infantil é um indicador claro da qualidade dos serviços de saúde (não é tão óbvio no caso da esperança de vida) e é um facto que em Portugal os indicadores relativos à mortalidade infantil evoluiram de forma muito mais positiva que na generalidade dos países.»

    É evidente que evolução em Portugal foi “muito mais positiva”. O ponto de partida era muito pior. O mesmo se passa com outras coisas, como os acidentes rodoviários, por exemplo. O ponto é que não é o modelo administrativo do sistema de saúde que explica esta evolução.

    «Comparando com EUA que será, no casos dos países desenvolvidos, o país em que o papel dos privados é substancialmente maior, os nossos resultados são melhores!»

    Mais um non-sequitur. A pior taxa de mortalidade infantil nos EUA resulta de outros factores. Existe uma relação directa entre a taxa de nascimentos prematuros e a mortalidade infantil (a primeira explica 1/3 a metade da segunda). Nos EUA existem muito mais nascimentos prematuros do que noutros países desenvolvidos, consequência do maior investimento em tratamentos de infertilidade e outros que contribuem para a existência de gravidezes que noutros países não existiriam ou abortariam por causas espontâneas.

  11. [i]”Há muitos exemplos de países com sistemas de saúdo eminentemente públicos e com saúde financeira para dar a vender. Os EUA por seu lado, tem um sistema de saúde público incipiente e tem uma dívida pública monstruosa (muito maior que a nossa, mas ao contrário da nossa é financiável). E por isso, acho que se a sua relação entre dívida pública e estado social, ilógica e não suportada por factos.”[/i]

    Verdade, não existe em todos os casos uma relação directa entre dívida pública e Estado Social; contudo existe uma relação directa entre Estado Social grande e impostos grandes, pelo que mantenho a minha versão que para alguém dizer que o nosso SNS é gratuito, os impostos deveriam ser um múltiplo dos actuais

    Mantendo os impostos como foram mantidos nos últimos 37 anos e alardeando que o Estado Social é gratuito é que não passa de mera propaganda engana tolos

  12. Eduardo

    Migas. Quando refiro os EUA, é precisamente porque no post é dito “Estes efeitos (na mortalidade infatil) são transversais a todos os países com graus de desenvolvimento semelhantes ao nosso” – limitei-me a referir um país com nível de desenvolvimento mais elevado que o nosso e que objectivamente (as razões estão por demonstrar) tem um desempenho pior que o nosso. É possível contra-argumentar mas não me parece justo dizer que é um raciocínio falacioso assumir que é um dado que alguma coisa estaremos a fazer bem nesse campo.

    O post do JG, na medida em que se pode argumentar sobre a superioridade de um sistema de saúde sobre outro em meia dúzia de parágrafos, é bastante sustentado e permite o que é afinal o título do post – “desmontar alguns mitos difundidos sobre o SNS”. Mitos como a inferior performance do setor de saude publico, por exemplo.

    Como tudo, a argumentaçao do JG é passível de critica. Mas também não pretende ser absoluta, pretende é mostrar como algumas opiniões sobre o SNS, assumidas como verdades absolutas, carecem de fundamentação e muitos vezes os dados disponíveis apontam até no sentido contrário. Os mitos assim se desfazem.

    “é motivo de orgulho que Portugal seja o país do Mundo que tenha registado a descida mais rápida da taxa de mortalidade infantil, colocando-se nos três ou quatro lugares do topo da tabela, em termos mundiais, quando ainda há 11 anos tínhamos os valores mais negros de toda a Europa” – devemos ignorar?

  13. Eduardo

    Verdade, não existe em todos os casos uma relação directa entre dívida pública e Estado Social; POIS NÃO. NÃO EXISTE RELAÇÃO.

    contudo existe uma relação directa entre Estado Social grande e impostos grandes, pelo que mantenho a minha versão que para alguém dizer que o nosso SNS é gratuito, os impostos deveriam ser um múltiplo dos actuais – EXISTE RELAÇÃO. EU ACEITO PAGAR MAIS IMPOSTOS PARA TER UMA SOCIEDADE MAIS JUSTA. É UMA OPÇÃO POLÍTICA. e já agora qual é o múltiplo, será 2, será 3, será 1.02, será 0.75??? faz alguma diferença

    Mantendo os impostos como foram mantidos nos últimos 37 anos e alardeando que o Estado Social é gratuito é que não passa de mera propaganda engana tolos. E CONTINUA COM A IDEIA PEREGRINA QUE SE DIZ QUE O ESTADO SOCIAL NÃO TEM CUSTOS – NINGUÉM DIZ ISSO. AGORA, O QUE SE COMEÇA A CONSTATAR É QUE UM SISTEMA DE SAÚDE CENTRALIZADO TEM NA REALIDADE CUSTOS MAIS BAIXOS DO QUE UMA SAUDE MAIORITARIAMENTE DESCENTRALIZADA. E AÍ, MAIS UMA VEZ OS EUA SÃO O EXEMPLO:

    se procurar vai poder confirmar que os gastos em saúde dos EUA são bastante superiores quando comparados com outros países.

    every single one of the world’s centralised government-regulated health-care systems is far cheaper than America’s relatively decentralised private-sector one

  14. Ricardo G. Francisco

    Migas,

    Antes de mais tinhas de explicar Lógica. Acho que não vale a pena. Como escrevi antes, o JG tem a sua audiência.

  15. Eduardo

    Para emproados como o Ricardo G. Francisco, quem não vê pelo prisma dele só pode ser porque não domina arte da lógica como aqui o nosso mestre. RGF vai pro caralho

  16. Ricardo G. Francisco

    Caro Eduardo,

    Acho que para onde me manda entendem a diferença entre causalidade e correlação?

  17. Eduardo

    Quero que me demonstre que neste caso concreto se trata de correlação e não de causa-efeito. Consegue?

    Nunca será possível avaliar objetivamente qual será efeito em concreto, mas entretanto, se não se importa ,eu avalio os dados que estão disponíveis.

    Argumentar, é discutir pontos de vista e a sua solidez. Comentários estúpidos, a mim so me ocorre mandar pro caralho

  18. Eduardo

    Há abundantes registos de eventos em que o AA nem sequer existia e que o Sol nascia. O Sol é gajo para estar a nascer há uns bons milhares de anos.

    Já em no caso da melhoria dos nossos indicadores de mortalidade infantil, o registo que temos é que foi feito com um SNS centralizado. Não prova per si a eficiência do SNS mas é um dado relevante e, na minha ilógica opinião, sem a existencia do SNS esta melhoria não teria sido possível.

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