Coisas que o meu olfato sugere que vamos ‘aprender’ nos próximos tempos com a blogosfera liberal e de direita em geral

Um aumento de impostos feito pelo PS é socialismo puro e duro; um aumento de impostos feito pelo PSD é liberalismo do mais puro e cristalino.

Um aumento de impostos pelo PS aumenta o peso do Estado na economia; um aumento de impostos pelo PSD é o bom caminho para o emagrecimento do estado, tal como prometido em campanha.

Um aumento de impostos por um governo socialista é recessivo; um aumento de impostos proposto pelo PSD é a medida acertada, responsável e mesmo, mesmo o que um país estagnado há dez anos (por acaso sintoma da incontinência despesista de governos sucessivos, paga recorrendo sempre a aumentos de receita) necessita.

Um aumento de impostos socialista retira liberdade aos indivíduos; um aumento de impostos social-democrata é, no fundo, uma libertação das famílias e empresas, afinal toda a gente sabe que o PPC é favorável ao cheque-ensino, que de resto será muito necessário quando nem as famílias de classe média-alta, de tão taxadas, conseguirem pôr os filhos no colégio sem apoio estatal.

Como diziam os gauleses, só falta mesmo o céu cair-nos em cima da cabeça.

(O link acima está, aparentemente, maluco; para quem não o conseguir abrir, ia dar ao post abaixo do CGP ‘É difícil ser liberal em Portugal’.)

Começamos mal II

O aumento da carga fiscal não criou um emprego que fosse. É tempo para recordar que este governo devia servir para mudar de rumo , não fugir às responsabilidades, e reduzir a despesa pública, a despesa corrente. Face à realidade em que se encontra o país, não tratar as pessoas por parvas é apenas insuficiente.

De um passado tão presente como negro para as futuras gerações, fica a receita que tão maus resultados deu: Este é o tempo para ter confiança.

E acrescento, sem pedir licença: acredito na bondade intrínseca dos institutos públicos e de todo e de cada uma das partes que compõem o sector empresarial do estado. Neste particular, destaco a parte do orgulho em ter uma transportadora área nacional -como voariamos sem ela?- e um sector de comunicação que seria muito mais pobre e defecitário sem a existência RTP 1, 2, RTP-N, RTP-Memória; RTP Internacional e RTP-África, a Antena 1,2,e 3. Fico até com saudades, dos tempos que a TV Guia fazia parte daquele mesmo grupo. Desejo com a mesma força mais auto-estradas, construções, eventos que levem longe o nome de Portugal e avanços tecnológicos  – como o magalhães e a aposta ganha em energias renováveis – em parecerias público-privadas que tão bons frutos têm dado a esta e às futuras gerações. Vejam todos a luz!
Leitura complementar: O vídeo e os comentários do post E em menos de cinco minutinhos.

Sabe a pouco (2)

MF Grego a arder

A fotografia do lado esquerdo mostra o ministério das finanças grego a arder, evento que ocorreu ontem durante o dia. Um acontecimento que anseio que chegue a Portugal brevemente porque quando o paciente não tem cura há que saber desligar a máquina, ou como aqui escrevi antes, a 3ª República tem de ser abatida… em legítima defesa.

 
A medida hoje anunciada pelo Governo é um fiasco em toda a linha, para um primeiro ministro que fez toda a sua campanha a cantar sobre o emagrecimento do Estado a primeira grande medida que tem a apresentar é aumentar o saque aos portugueses em 800 milhões de euros que ele aparentemente não consegue cortar do lado da despesa conforme prometeu. Discordando do Bruno e concordando com a Maria João o que é senão tratar os portugueses como parvos esta história de “ai isto está muito pior do que pensávamos” ?
 
Os parvos têm de se chatear, a sério, e resolver este problema de uma vez por todas. Se não o fizerem correm o grave risco de os mamões do costume resolverem o problema por eles. A escolha não tarda… convém tomá-la enquanto ainda têm alguma coisa que valha a pena ser roubada.

Começamos mal

 
Quando teremos, finalmente, um governo que entenda que endireitar as contas públicas não se faz pelo lado da receita???? Lamento, mas para além dos aumentos de impostos exigidos pela troika, nenhum aumento de imposto adicional deve existir. O PSD já sabia que Sócrates e Teixeira dos Santos têm uma grande elasticidade no conceito de verdade, pelo que já não pega o argumento – usado e estafado por Durão Barroso e por Sócrates – ‘afinal as contas estavam piores do que nós pensávamos’.

Por estas e por outras é que o CDS devia ter ficado de fora do governo, para não dar cobertura a estas formas estranhas de consolidação orçamental.

INE vs DGO

“A discrepância entre os valores do INE e da DGO não é nova – nem inesperada, já que os sistemas de contabilidade são diferentes – mas desta vez atingiu uma magnitude nunca vista. A diferença chegou aos 3,6 mil milhões de euros, um montante bem superior aos 2,3 mil milhões que se registaram nos cinco anos anteriores (em média). Uma explicação possível para este facto está no facto de o INE ter passado recentemente a incluir mais empresas no perímetro do défice, aumentando o buraco reportado e cavando uma distância ainda maior face aos números da DGO, que apenas apura o défice do sector público propriamente dito. Outra possibilidade é terem aumentado o montante de pagamentos em falta, tal como foi recorrentemente noticiado pela comunicação social nos últimos meses. Esta é uma fonte adicional de ruído porque, apesar de a DGO contabilizar como despesa apenas o dinheiro que sai de caixa, o INE toma nota de todos os compromissos assumidos, tenham sido pagos ou não.”, hoje, no Jornal de Negócios (página 8).

O texto do Negócios, citado em cima, é esclarecedor. Acrescentaria apenas um último factor, em relação ao qual vou socorrer-me do documento oficial, publicado ontem pelo INE, e que reza assim: “em contas nacionais são considerados, em cada período contabilístico, os juros corridos da dívida pública e não os juros pagos. No 1º trimestre a diferença entre juros corridos e pagos é particularmente acentuada (Contas Nacionais Trimestrais por Sector Institucional, página 3)”. Em suma, há três razões na origem da disparidade de valores: a) o perímetro da consolidação orçamental; b) os calotes do Estado e; c) os juros que ainda hão-de ser pagos este ano.

Enfim, confesso que, habitualmente, não passo cartão a este relatório do INE. Pelo contrário, analiso escrupulosamente todos os relatórios da DGO (ver aqui a minha última análise). A razão é simples: as tabelas do INE são ininteligíveis e, também incompreensivelmente, o relatório que as acompanha é pouco exaustivo. Contudo, o seu perímetro de consolidação orçamental faz mais sentido do que aquele utilizado pela DGO. É que não tenhamos dúvidas: a generalidade das empresas públicas não são autónomas, por isso, têm de ser consideradas como parte do universo “Estado” e da contabilidade pública, ponto final. O contrário é uma manigância contabilística, que roça a fraude. De igual modo, também concordo com o critério, utilizado pelo INE, de se contabilizarem os juros corridos, numa lógica de accrual, em oposição à lógica de caixa subjacente ao princípio associado à contabilização de (apenas) juros pagos.

Para o final, deixo os calotes do Estado. Ora, tivéssemos nós confiança no Estado e todas as suas despesas, incluindo as despesas assumidas mas ainda não pagas, deveriam ser contabilizadas num regime de accrual, isto é, através de uma amortização permanente entre a data de assumpção do compromisso e o seu efectivo pagamento. O mesmo se deveria passar com os encargos associados às Parceria Público Privadas. Mas, infelizmente, a Administração Pública, pela forma como tem desbarato o dinheiro dos seus contribuintes, não merece a nossa confiança. Por isso, à luz da realidade e da obrigatoriedade de se ter de rever muitos compromissos indevidamente assumidos pelo Monstro, muitos de questionável legalidade, creio que o critério da DGO acaba por ser mais ajustado. Mas seja lá como for, a prazo, a manutenção destes dois relatórios, simultaneamente divergentes e concorrentes, é que não faz mesmo sentido…

Privatização da TAP (II)

“O Estado prepara-se para vender a totalidade da TAP quase sem lucro. O processo de avaliação da empresa estará terminado no final de Julho e poderá rondar os mil milhões de euros. Mas as dívidas e os capitais próprios negativos anulam esse valor. Entre o que receber e essas dívidas, o saldo será quase zero para o Estado. Então porquê vender? Para salvar uma empresa que está tecnicamente falida. E segurar o aeroporto.”, hoje, na capa do Jornal de Negócios.

Já ontem aqui tinha escrito acerca da TAP. Hoje, é a imprensa que traz o tema à baila. Contudo, gostava apenas de fazer uma observação ao artigo do Negócios e que consiste no seguinte: sendo o passivo global da empresa superior a dois mil milhões de euros e os capitais próprios negativos de duzentos milhões, os mil milhões, que o Negócios hoje avança, não chegam para anular as dívidas e as insuficiências de capital. Assim, se o Estado vender a TAP, recebendo a massa e entregando a empresa tal e qual como ela está, óptimo. Mas se, pelo contrário, como prevejo que possa suceder, o Estado receber a massa no compromisso de se responsabilizar pelas dívidas e pelas insuficiências de capital, então, os contribuintes portugueses estarão, efectivamente, a pagar para vender os Transportes Aéreos de Portugal!

Enfim, recorde-se a mensagem objectiva do meu texto de ontem: a TAP, ao contrário da generalidade das empresas públicas, gera fluxos de caixa operacionais positivos e fá-lo sem recurso a subsídios à exploração dignos de registo. Portanto, por favor, vendam-na como deve ser. Pois se assim não for, objectivamente, não vale a pena vendê-la.