Ataques do PSD ao CDS: novo flop comunicacional

Estava em tempos de as hostes sociais democratas perderem um bocadinho de tempo antes de responderem à pergunta ‘o que vamos fazer de seguida?’. É que até aqui, e desde as directas de 2010, não têm acertado uma – o que de resto agora os obriga a disparar para todos os lados. Sempre fui de opinião que partidos que admitem (e, pelos vistos, até desejam) coligar-se devem evitar o espetáculo de comadres zangadas em tempos eleitorais – porque não é uma mensagem coerente para o eleitorado e o eleitorado agora está particularmente atento. E estas picardias entre PSD e CDS, ao contrário do que se pensa no PSD, penalizam mais o PSD que o CDS – desde logo porque acrescentam incoerência a uma mensagem que tem sido (desde 2010) tudo menos consistente. Pedro Passos Coelho tem falhas sobre as quais não adianta alongar agora. Mas como (e ao contrário de tantos passistas nas europeias e legislativas de 2009) não quero que o PS vença as eleições, aqui vão algumas notas.

Quanto ao programa, já nada há a fazer se não tentar virar a atenção para os resultados da governação PS. Quanto ao líder, por favor retirem-no de situações embaraçosas, já que PPC não se poupa a si próprio. Os portugueses elegeram uma vez um líder mole e dialogante (Guterres), mas depois de dez anos de Cavaco, quando se considerava que i) Cavaco e Guterres eram próximos ideologicamente (certo) e ii) que a prosperidade estava aí para durar (errado). As circunstâncias por agora são diferentes e os eleitores querem alguém com pulso. Um diletante que aparece nas televisões a cantar (ainda há minutos vi PPC a cantarolar com uma capa de universitário posta) não é a pessoa que precisamos para chefiar um governo; agora não procuramos simpatia e cordialidade. E quem vai, qual cordeiro sacrificial, assistir a uma conferência em que o conferencista o desanca e que no fim aparece sorridente perante a humilhação sofrida e aludindo ao bom que é haver diversidade de opiniões, enfim, tem mais perfil para padre de paróquia do que para primeiro-ministro nas circunstâncias actuais.

Portanto: concentrem-se nos ataques ao PS. Em vez de explicarem isto e aquilo do programa, lembrem a taxa de desemprego; falem das contradições (tantas!) de sócrates; num tempo de crise, lembrem casos como o de Rui Pedro Soares que ganhou balúrdios só porque serviu o PS, lembrem os números do défice de sócrates, comparem a dívida pública em percentagem do PIB entre 2005 e 2011, digam quanto cada português deve ao exterior, nomeiem institutos e fundações criados pelos desgovernos sócrates, refiram quantos portugueses perderam apoios sociais, etc. etc., etc.. Enfim, portem-se como o maior partido da oposição se quiserem ser vistos – e votados – como tal.

2 pensamentos sobre “Ataques do PSD ao CDS: novo flop comunicacional

  1. Euro2cent

    > o maior partido da oposição

    O segundo partido da situação.

    Para quando o primeiro dá demasiado nas vistas.

    (Mas as entidades, fundações, institutos, autoridades, etc., são mais ou menos a meias – inimigos, inimigos, negócios à parte.)

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